Uma semana sem muita atividade com o feriado de Ação de Graças nos USA .
Mercado fechou na sexta-feira em 168,15 base Março e sexta-feira retrasada em 166,65 centavos.
Com o Dezembro entrando no período de ajustes finais, voltamos a um mercado com a estrutura ainda invertida, porém sem as “distorções“ no final do Dezembro.
Talvez no fundamento, a principal notícia veio das atualizações do USDA.
Nenhuma grande novidade nas safras Brasil e Colômbia, porém no Robusta observamos uma apertada na safra que se inicia, como também nos estoques de passagem, o que se refletiu na bolsa de Londres.
Considerando os blends atuais, olhando o Março-Março, ainda existe espaço para a arbitragem fechar ainda mais, até começarem a pensar em aumento de uso de Arábica. Mas com certeza não deixa de ser um sinal de alerta com estoques baixos, clima errático, dúvidas sobre o volume de embarques do Brasil, que estamos em uma janela de volatilidade.
A estratégia de estoques baixos dos principais torradores e recuperação financeira sobre volume, não deve mudar, porém uma luzinha amarela deve estar surgindo (pelo menos até o período de granação no Brasil estar razoavelmente consolidado).
No macro, realmente não teremos mais nenhuma ação de aumento da taxa básica de juros nos USA. A redução considerável dos prêmios pagos nas notas do tesouro de lá, também mostram que o mercado acredita até o momento, em um esfriamento da economia americana em 2024, e uma contenção da inflação agora anualizada em 3,2%.
A grande maioria dos relatórios de mercado estão positivos ao Real. O peso da balança bastante positivo, a tendência de pelo menos mais 1 ponto percentual de corte na Selic (talvez 2 x 0,5%) no curto prazo, e a possível manutenção taxas nos USA segundo os relatórios, dão um tom positivo a entrada de capitais no pais (principalmente o especulativo).
Também o Brasil está conseguindo transitar sem muita oscilação sobre um período de alta turbulência geopolítica. Aparentemente, o mercado acha que $5 reias/dólar é uma forte resistência no momento. Apesar de tudo isto… estamos atingindo um déficit de conta corrente de 177 bilhões neste ano, batendo no limite do teto fiscal.
Haddad tem se esforçado para manter o déficit zero no ano que vem, claro que aumentando a arrecadação via aumento de impostos e diminuído subvenções. Porém, o apetite por gastar, gastar e gastar, nós já sabemos como vai terminar. A conta não vai fechar.
A vitória de Milei na Argentina (sim, achei improvável ele derrotar o mecanismo… mas a vitória foi singular!) vai trazer cenários interessantes. Ele recebe uma economia arrasada.
A velha e tradicional fórmula da esquerda: Entrega o carro destroçado… e quem vem depois não tem tempo ou habilidade para consertar a tempo… aí eles começam com as mesmas ladainhas de sempre… e a turma cai de novo. E aí vem novo ciclo de destroçamento, roubalheira, falta de capacidade administrativa, e o círculo vicioso se mantém.
Espero que o Milei tenha a coragem e a habilidade de mudar o cenário o quanto antes de as mentiras e ladainhas retornarem.
E que isto sirva de suporte para as mudanças aqui. Aí sim, também volto a apostar no Real.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.