O mercado fechou na última sexta-feira em 184,35 centavos, que, em comparação ao fechamento da sexta-feira retrasada, de 168,15 centavos, foi uma ótima semana para o mercado, com algumas importantes resistências sendo quebradas, impulsionadas principalmente por compras de fundos que aumentaram suas posições compradas.
Do ponto de vista fundamental, não há muita diferença:
● Algumas regiões sofrendo com chuvas irregulares;
● Excesso de calor prejudicando a produção e consequente queda na quantidade de grãos;
● O super El Niño se formando;
● Aqueda dos estoques certificados (o café ainda existe, só não consegue ser re-certificado, o que não significa que ele esteja sendo torrado);
● Os baixos estoques do Vietnã e;
● Um suposto atraso na safra da América Central.
Por outro lado, os embarques do Brasil em Novembro devem atingir um bom patamar. Não houve nenhum grande corre-corre na demanda, e o volume de negócios no mercado interno foi bastante interessante, já que o aumento de mercado permitiu aos exportadores diferenciais mais atrativos e aos produtores níveis melhores em Reais (já que o dólar se comportou bem na semana).
A Colômbia também apareceu mais forte no mercado com diferenciais menores que 10 acima, e à procura de compradores.
A estrutura de mercado continua bem forte, com o inverso se mantendo no mês de Março. Com isso, o incentivo para carregar estoque é zero, e o mercado continua trabalhando “da mão para a boca”. É um ciclo virtuoso (ou vicioso, dependendo da sua posição) onde o mercado opera short (de mão para a boca em termos), e os sinais de risco com estoque e clima criam um cenário de forte volatilidade. É importante lembrar que a inversão de mercado já está instalada há um bom tempo, e essa inversão permite que os torradores continuem fixando seus preços no futuro sem custos.
Fisicamente devem estar de mão para a boca, porém em termos de precificação, devem estar mais tranquilos. Ou seja, nos parece um mercado eminentemente técnico, com baixos estoques e incertezas climáticas criando um cenário de volatilidade.
Apesar de pouco comentado, o macro foi um importante catalisador da força do mercado esta semana. As declarações do FED praticamente descartaram novos aumentos dos juros por lá, e até sinalizaram que, dependendo do comportamento inflacionário, podemos até ver alguma redução da taxa básica no primeiro semestre de 2024.
Como pelo menos (conservadoramente) metade de todo o “trading” global dos grandes fundos hoje é passivo (são algoritmos que usam balizadores de índices para ajustarem suas posições), uma acomodação das taxas de juros americanas automaticamente indica uma redução de risco e taxa de retorno dos títulos do tesouro. Ou seja, abre caminho para o ajuste das posições para ativos de maior volatilidade e risco (como commodities).
Veja também a bolsa de valores de NY, que teve altas expressivas na última semana. Dentro deste universo, geralmente o que pode ser alocado para ativos de risco como commodities é de 5 a 20% (em geral). Em um universo de trilhões de dólares, 5 a 10% voltando para commodities é muito significativo.
Neste universo, o mercado de café, considerando as incertezas citadas acima (que com certeza são parametrizadas dentro dos algoritmos), pode ter se tornado uma boa alocação. E pode continuar sendo.
Não adianta lutar contra uma determinada tendência de mercado. O mercado hoje pode até estar tecnicamente sobrecomprado, e algum ajuste pode ocorrer; porém, tecnicamente ele é positivo.
Quanto fôlego ainda teremos???? Quem me dera saber a resposta!!… os fatores acima citados dirão. Bom lembrar que a demanda até o momento não está sendo modificada por estes fatores.
Do lado da demanda, nada mudou muito. As oportunidades de fixação de preço no presente e para as próximas safras se tornam interessantes e, sem dúvida, uma decisão difícil. O foco deve ser no resultado. Uma escala de fixação não é má ideia acima de $1.000 Reais.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.