O mercado fechou sexta-feira a 189,30 centavos, em comparação com o fechamento da sexta-feira retrasada, que foi de 177,15 centavos.
Mercado continua influenciado por fatores técnicos, com Nova York apresentando mais uma semana positiva. Os fundos aumentaram ligeiramente suas posições compradas, com mais recursos direcionados para ativos de maior risco. O café, devido aos baixos estoques de Robusta e à incerteza climática no Brasil, continua sendo uma alocação que faz sentido.
Londres mantém-se como um bom suporte para NY, especialmente porque muitos especialistas indicam que o uso de Robusta nos blends mundiais deverá atingir aproximadamente 50%.
A arbitragem permanece diante das incertezas climáticas no Brasil.
Outro fator que impulsionou o mercado foi a discrepância entre as diferentes posições entre fundos, comerciais e traders. A realidade é que, quando o mercado declinava abaixo dos 150 centavos, uma boa parte dos operadores tinha a sensação de que poderia cair para 120 centavos e, em seguida, se estabilizar entre 130 e 140 centavos (inclusive entre aqueles que vos falam!). Quando o mercado começou a se recuperar (devido aos fatores técnicos e ao marco mencionado), a necessidade de cobertura de margens na bolsa impactou o fluxo de caixa das empresas com posições vendidas. Isso gerou perdas consistentes no lucro e prejuízos com altas taxas de juros, incapazes de compensar as diferenças nos diferenciais. Assim, adotar uma posição especulativa tornou-se uma estratégia para reverter as perdas.
Uma das grandes e tradicionais empresas nos EUA já entrou com um pedido de recuperação judicial, e há rumores sobre outras 1 ou 2 empresas enfrentando sérias dificuldades.
Não é surpresa que os bancos estejam restringindo o crédito. Isso é bastante prejudicial para o mercado em termos gerais, reduzindo a liquidez e gerando incertezas para os vendedores.
Um fator que começa a se destacar é a recusa de pelo menos dois grandes armadores em transportar cargas pelo Golfo Pérsico, Mar de Omã e Canal de Suez. Se isso se agravar, teremos novamente um desequilíbrio nos volumes globais de contêineres em trânsito (sem mencionar a possibilidade de os armadores aumentarem os preços), o que resultaria em custos mais elevados. Se isso ocorrer, será mais um fator de pressão para as grandes traders.
Em relação à demanda, não há grandes mudanças. Como sempre, grande parte do curto prazo (principalmente de Robusta) está nas mãos dos traders, e não observamos um movimento significativo dos torrefadores entrando em pânico (embora haja preocupações com a saúde financeira dos fornecedores). Estamos inclusive vendo grandes torrefações lançando novas campanhas publicitárias e oferecendo descontos para recuperar a demanda e o volume perdido devido aos aumentos de preços nos últimos 2 anos. O balanço financeiro do ano já foi entregue e é hora de recuperar um pouco do market share.
Em termos macroeconômicos, a notícia mais importante foi a aprovação da reforma tributária. Longe do ideal, foi a reforma possível. O impacto total ainda levará alguns anos, pois há um escalonamento na implementação e nas alíquotas. Além disso, é certo que teremos vários complementos legais que influenciarão a reforma. O IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS serão substituídos pelo IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Este será dividido em CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, substituindo os impostos federais) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, substituindo os estaduais e municipais). A alíquota padrão ainda não foi determinada, mas o governo indica que deve ficar em torno de 27,5%. Não é surpresa que essa seja a alíquota mais alta do mundo nessa categoria.
Atualmente, as maiores alíquotas são da Hungria (27%) e da Suécia (25%). No Canadá, a alíquota é de 5%, e no México é de 16%, como exemplos.
O mercado é predominantemente técnico, com vários fatores indicando alta volatilidade. Tecnicamente, é positivo. A trajetória dependerá do fluxo do Vietnã e das condições climáticas por aqui.
No campo paira uma grande preocupação com as Inevitáveis perdas, como relata a RR Consultoria Rural, com sede em Alfenas, no sul de Minas Gerais. “Com eventos de pico de temperatura, chegando à recorde para Outubro e muito forte também em Novembro, somado à baixa pluviosidade, já esperamos problemas com: expulsão de frutos, granação com grãos chochos e mal formados, além de baixo crescimento vegetativo, o que deve refletir em problema com a produtividade do próximo ciclo. Irrigados perdem bem menos, mas perdem também”, afirma Régis Ricco, consultor da equipe e diretor da empresa.
Nos resta aguardar!
Uma ótima semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.