O pregão encerrou sexta-feira em 196,30 base Março NY, contra sexta-feira retrasado em 191,05 centavos. O mercado fechou com mais de 700 pontos de alta nesta última sexta-feira impulsionado por coberturas de exposição de opções, e também pelo contínuo stress de estoques no Robusta.
É a tempestade perfeita, entrada de estoque baixa na safra Vietnamita (e nos países consumidores), quebra na safra da Indonésia, gargalos logísticos e, sem muita surpresa, exportadores Vietnamitas renegociando preços de cafés vendidos.

Londres já havia aberto forte e continuou durante o pregão. NY só manteve a arbitragem, já que apesar da leve recuperação dos estoques certificados a situação global de estoques de Arábica ainda não é nenhum indicador para a detonarem da arbitragem.
Tecnicamente, o mercado está preso em um espaço entre 175 e 205 centavos.

De tudo que temos conversado aqui, o único fator fundamental que poderia empurrar o mercado para baixo seriam os volumes de embarque do Brasil (na faixa de 4 milhões de sacas), porém acredito ser este o número necessário para um abastecimento razoável para o mercado.
Qualquer queda mais significativa doravante, seria um fortíssimo suporte ao mercado… No curto/médio prazo!! Porque digo no curto/médio prazo? Essa última semana conversei com algumas pessoas que estão voltando de viagens de análise de safra, inclusive participantes do Rally do Café. Apenas relatando, sem o julgamento de nenhum viés, porém a visão geral é de uma safra boa (não como de 2020/21) mas com certeza superior a de 2023/24.
Não vou aqui replicar números que conversamos mas, se a média de todos relatórios de safra está perto dos 44 milhões para 2023/24, 10% de aumento nos levará a números perto de 48 milhões (podendo alcançar 50 milhões dependendo da granação). Números de Arábica.
Desastre?? Na minha opinião não… porém, à medida em que os números chegam ao mercado (e algumas empresas já estão relatando oficialmente números de 48 milhões) podemos ver o balão desinflar um pouco e o mercado testar o canal de 175 centavos.
Claro pessoal… dependendo do macro, de Londres, clima em outros países, etc… Com este número se confirmando para 2024/25, em teoria teríamos condições de exportar 4 milhões de sacas a partir do meio do ano.
Neste ponto que temos outro comentário importante dos viajantes: “o parque cafeeiro está muito bem preparado, e a bienalidade é muito menos presente hoje em dia”.

Milhares de variáveis podem afetar este mercado entre hoje e Agosto… porém, entre elas a possibilidade de uma safra de 48 milhões em 2024 e uma ótima florada para 2025.
Falamos sempre em administração de resultados e não em querer acertar a mosca… entre as milhares de variáveis, uma bem plausível é que as altas de mercado podem estar acontecendo entre hoje e Julho… para os próximos dois anos… e entre nós pessoal, já poderia estar acontecendo se não fosse o clima de Outubro e Novembro no Arábica Brasil e a situação do Robusta.
A arbitragem pode muito bem fechar de onde está hoje e eventualmente a demanda aumentar para o lado do Arábica se a arbitragem realmente começar a fechar. É o ciclo… as mudanças demoram… mas no café ficam por mais tempo no nível do consumo…

Não houve grandes movimentações no macro. Os últimos dados inflacionários no Brasil jogaram água fria na possibilidade de cortes de 0,75 p.p. na taxa básicade juros.
Pelo último boletim Focus, o mercado acredita em uma taxa de 9% de juros básicos para 2024 e um PIB de 1,6%.

Se o FED americano deixar mesmo para o segundo semestre os cortes de juros, o Real vai continuar sobre certa pressão. Não deveríamos ter grandes solavancos fora da faixa de $4,80 à $5,05.
Entre as possibilidades para commodities (mais para metais e energia), os últimos estímulos que o governo Chinês tem introduzido em incentivos fiscais para estímulo de consumo, mudanças nas regras no mercado acionário, etc…, continuam batendo no ceticismo do mercado.
O mercado imobiliário chinês (grande fonte da poupança interna) continua no fundo do poço, e deve demorar para sair. Interessante notar que temos comentado a algum tempo sobre o efeito do “nearshoring“ (a volta das cadeias de suprimentos para mais perto da base consumidora após os problemas logísticos dos últimos anos). Pois o México acabou de passar a China como maior exportador de equipamentos e produtos para os USA desde 2023.

CECAFÉ: Segundo relatório, o Brasil exportou 3,961 milhões de sacas de 60 kg de café em Janeiro de 2024, volume que representa recorde histórico para o primeiro mês de cada ano.
No mês passado, a Alemanha assumiu a liderança do ranking dos principais destinos dos cafés do Brasil, importando 695.607 sacas, o que implica crescimento de 57,4% frente a Janeiro de 2023 e equivale a 17,6% das exportações totais.
Os Estados Unidos com representatividade de 17,2%, adquiriram 682.952 sacas (+31,3%) e ocuparam o segundo lugar na tabela.
Na sequência vêm a Bélgica, com a compra de 400.065 sacas (+123,5%), Japão com 217.584 sacas (+50,1%) e Itália com 197.846 sacas (+1,7%).

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.