O mercado fechou nesta sexta-feira em 183,30 centavos, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 180,30 centavos base Maio. Tecnicamente pouco mudou em termos dos limites sendo testados do canal que o mercado está trabalhando.

Durante a semana houve pouca ou nenhuma surpresa tanto nos fundamentos como no macro global e local. Continuamos a ter um razoável volume de cafés sendo entregues para certificação (segundo a Bolsa, 166 mil sacas, sendo 133 mil do Brasil). As aprovações até o momento tem sido baixas, e a pouca razão para que isto mude. Os estoques devem continuar subindo, lentamente. Estaremos ultrapassando as 360 mil sacas em breve (lembrando que o ponto baixo foi pouco acima de 200 mil sacas em Novembro).

Os fundos aliviaram um pouco a suas posições compradas, porém nada fora de uma movimentação normal.
No macro, vários dados importantes divulgados esta semana. Nenhuma grande surpresa, segundo especialistas, que possam mudar a atual política de alocações dos grandes Fundos.

O PIB dos USA cresceu 3,2% no quarto trimestre de 2023, segundo revisão divulgada. Muito pouca diferença pelo que era esperado (3,3%), e o resultado mostra uma desaceleração versus o 3° trimestre (quando cresceu 4,9%). Porém mesmo assim, números suficientes e robustos para que o FED mantenha a corda ainda curta, e a perspectiva de corte de juros passe mesmo para o segundo semestre.

Em todo o ano, o PIB americano cresceu 2,5%, após um crescimento de 1,9% em 2022. O núcleo inflacionário também se manteve dentro do esperado, com o PCE anualizado em janeiro caindo para 2,4% contra 2,6% em Dezembro. Quando retiramos alguns itens básicos, o núcleo continua na faixa de 2,8%, ainda bem acima de meta de 2,0%, porém controlada.
Esses resultados ainda mostra-me a necessidade de “um olho no gato e outro no peixe“ pelo FED (e pelo mercado), o que ainda reflete nas notas do tesouro acima dos 4%.

Por aqui o resultado do 4° trimestre foi um PIB de zero, com isto o resultado anualizado do PIB Brasil foi de 3,0%. Lembrando que, mais da metade do resultado vem do Agro no primeiro semestre e da indústria de extração (minérios e petróleo). Serviços teve um bom 4° trimestre (o que inclusive puxou o índice inflacionário junto com o aumento da renda real e distribuição federal de recursos). A indústria colaborou com quase nada.
O BC aqui também está entre “o gato e o peixe“, pois tem um índice inflacionário ainda resiliente, um déficit público difícil de controlar e, do outro lado um forecast de crescimento do PIB baixo de 2,0% para 2024.
Se o BC vai diminuir o ritmo dos cortes da taxa básica de juros ainda veremos, porém se mantiver o ritmo de cortes e não tivermos melhoras no cenário fiscal, dificilmente o câmbio vai ser um fator de suporte para NY.

No frigir dos ovos, olhando a foto, nada muito diferente mesmo no macro para uma mudança da atuação dos Fundos e impacto do câmbio em NY. Amanhã é outro dia.
No fundamento também poucas novidades. O clima claro, sempre tem seu espaço com notícias de calor excessivo na Colômbia e chuvas abaixo do normal no Brasil.

A situação apertada do Robusta global também continua em alta. Mesmo assim, o Vietnam já exportou em 2024, 6,6 milhões de sacas, alta de 16% anualizada.
Prevê-se que o desempenho das exportações de fevereiro de 2024 faça com que as exportações de café do país nos primeiros cinco meses do atual ano cafeeiro de Outubro de 2023 a Setembro de 2024, sejam 3,96% superiores às do mesmo período do ano passado, num total de cerca de 12,7 milhões de sacas. Aqui novamente apenas um comentário impírico, mesmo com todos os problemas noticiados, continua sair café do Vietnam. Por outro lado, os números de exportação de Conilon continuam fortes.
Segundo o Presidente do CECAFE, Marcio Ferreira, “O conilon brasileiro segue muito competitivo no mercado mundial e vêm suprindo o déficit ocasionado por quebras de safras em importantes produtores, como Vietnã e Indonésia, primeiro e terceiro maiores produtores mundiais da variedade, respectivamente. Não à toa, os vietnamitas aumentaram em 700% e os indonésios em 19.130% suas importações de café brasileiro”.
Falamos muito mais de oferta, mas os números começam a mostrar que o crescimento percentual da demanda de Robusta é que pode ter deixado o mercado no limite.

De interesse, para quem já está trabalhando no seu orçamento safra 2024/2025, a agência de notícias Reuters fez uma enquete entre grandes traders, qual a visão para 24/25: “Os preços do café arábica devem encerar 2024 a 165 centavos de dólar por libra-peso”, segundo a mediana das previsões da pesquisa, o que significaria uma queda de 9% em relação ao fechamento de quarta-feira e ao final de 2023.
O café Robusta deve terminar o ano em 2.600 dólares por tonelada métrica, 14% abaixo do fechamento de quarta-feira e também queda de 14% ante o final do ano passado.
Em Janeiro, os futuros do Robusta atingiram os preços mais altos desde que a forma atual do contrato começou a ser negociada em 2008, mas recuaram em relação a esse pico.
Os participantes da pesquisa acreditam que os preços do café serão pressionados nos próximos meses por uma perspectiva mais favorável da oferta, com uma previsão mediana do superávit global em 2024/25 de 3,0 milhões de sacas, em comparação com apenas 0,6 milhão de sacas em 2023/24.
Eles esperam que a produção de café no Brasil, o maior produtor, aumente para 69,5 milhões de sacas em 2024/25, de 66,1 milhões em 2023/24, e que a produção no Vietnã, o segundo maior produtor mundial e o maior produtor de Robusta, aumente 1,5 milhão de sacas, para 29,5 milhões em 2024/25.
Quem sabe certo?

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.