O mercado fechou na última sexta-feira em 182,95 centavos base Maio, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 185,20 centavos. Nenhuma grande novidade no front.
Tecnicamente, o mercado continua represado no grande canal de 175 a 204 centavos, e ainda longe de quebrar para cima ou para baixo.

Os fundos até aumentaram suas posições compradas, base dia 12, em quase 4%, mas acredito que o volume de hedges do Brasil nos últimos dias se mostrou bem interessante também.
Comentário de vários operadores do mercado, indicam um volume bem interessante (até 1 milhão de sacas entre presente e futuro), principalmente entre quinta-feira retrasada e o início desta última semana.
Como conversamos semana passada, o produtor com boa produtividade e mecanizado, fazendo a lição de casa.

Os estoques certificados estão batendo na casa das 500 mil sacas. O mercado comenta que 1 ou 2 grandes players são os geradores deste volume chegando para certificação.
O objetivo deve ser forçar o mercado a voltar em carrego, ou pelo menos zerar o inverso. Isto vem acompanhado de um custo, que não é baixo, pois com certeza, eles devem ter montado um mecanismo para que esse café fique onde está. Dependendo de quanto o inverso está sangrando o seu resultado (e do banco)… talvez valha o risco.

Os números de exportação indicam que o Brasil deve novamente exportar algo entre 3,5 e 4 milhões de sacas no Março.
Nada se modificou na situação de estoques baixos de Robusta e sobre as condições climáticas preocupantes no Vietnam e Indonésia.
A demanda pelo Conilon (de todos os tipos e tamanhos) vai continuar. Essa apenas minha opinião pessoal, mesmo com a entrada da safra, entre exportação e mercado interno, o Conilon vai manter um suporte forte no mercado interno.
Com o Real sobre pressão, os valores em reais pouco devem ceder.
Mesma situação no Arábica… pouca coisa tão competitiva como o Arábica brasileiro. Com ofertas de bebida dura na exportação na faixa de 18 centavos abaixo de NY… e a arbitragem NY/Londres flutuando perto dos 35 centavos, difícil não vermos algum tipo de mudança de blends a favor do uso de Arábicas…eventualmente…

No macro, também poucas novidades que mudaram o panorama para o câmbio. A ingerência na Vale e na Petrobrás continua, o crescimento do PIB ainda um incógnita, como também como o governo irá manter o déficit fiscal pelo menos ate 0,75% do PIB, mantém o viés de um controle inflacionário difícil.

O mercado, como comentamos semana passada, começa a falar abertamente abertamente em taxa básica de juros em dois dígitos ainda este ano. As chances de 8,5 a 9,0% começam a ruir. Ruim para o Agro, que mesmo puxando o país, sofre com estas taxas e liquidez de fundos.
Muito melhor para o produtor de café fazer eventos ou cantar axé e funk! Aí ele teria bastante liquidez e taxas sociais!

Do lado externo, a inércia da economia americana continua difícil de abater, e consequentemente as taxas de juros por lá, realmente só devem ceder no segundo semestre.
A China também manteve a taxa básica inalterada, sem um novo estímulo, o que no momento não daria uma maior sustentação para exportação de minério e adjacentes. Ou seja, de todos os lados, o Real continua sob pressão batendo na casa dos 5-1.
Com o câmbio sob pressão e NY podendo oscilar tecnicamente dentro do canal, qualquer boa puxada de mercado para cima deveria ser um bom incentivo para boas vendas em reais.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.