O mercado fechou no último pregão da semana em 188,85 centavos base Maio, contra um fechamento semana retrasada em 184,85 centavos.
Poucas mudanças na semana nos fatores críticos afetando o mercado de café.
A pressão do Robusta em toda a estrutura do mercado continua bem forte, com a safra no Vietnam em seu meio para fim. O aumento das certificações do Arábica ainda não foi suficiente para quebrar o inverso, e provável ainda falta um bom caminho para o mercado entrar em carrego.
A mensagem do mercado é que ainda existe preocupação com respeito aos estoques mundiais. Voltando a comentar que no momento não existe nenhuma razão forte para os Fundos saírem de suas posições compradas. Mesmo com o reforço de membros do FED americano que as taxas de juros realmente só terão alguma queda no segundo semestre, não estamos observando nenhuma nova fuga de commodities para notas do Tesouro.
Um pouco diferente para o Real, que continua sob pressão. Poucas chances no momento para o Real se valorizar.
Do ponto de vista do fundamento, afora os baixos estoques, a próxima safra do Brasil ainda precisa passar pelo inverno.
Quem viaja pelas regiões produtoras não tem como negar que as condições das lavouras estão muito boas, e que a safra a ser colhida será maior que a safra atual… porém esse café terá demanda contínua.
Nós vemos seguidamente notícias sobre o aumento (finalmente) das importações de café na China, e o crescimento incrível do número de pontos de vendas. Isso porque a Índia ainda está engatinhando no consumo. São muitos países tradicionalmente tomadores de chá que aos poucos começam a mudar os hábito para café, principalmente a nova geração. Daí ficam as perguntas:
● Quem vai poder suprir esse aumento de demanda, que seja de 1% anual?
● Economicamente viável?
● Com fornecedores confiáveis?
● Com instrumentos de qualidade e rastreabilidade?
Podem me chamar de louco mas vejo em um cenário não tão distante o Brasil alcançando o Vietnam na produção de Robusta. Friamente, na América Central talvez Honduras consiga aumentar um pouco a produção. Colômbia, com o atual governo, talvez caia ainda mais a produção. Vietnam, sabemos já a algum tempo, que por vários motivos, o limite é 30 à 32 milhões de sacas. Índia e Indonésia, quem conhece sabe que seria um crescimento muito difícil. Sobra a gente e a África… boa sorte lá na África.
Não acho que estou sendo muito otimista. É a realidade econômica de ter uma safra competitiva de café (área, técnicos, fornecedores especializados, água, clima, eficiência ESG, estradas, armazéns, transportadoras, portos, etc…) em comparação aos concorrentes.
O mundo bebe hoje o equivalente de 3 bilhões de xícaras de café todos os dias (em seus vários segmentos e formatos), e as projeções indicam que em 2050 esse número vai dobrar para 6 bilhões de xícaras (muito vindo de inovações).
O mercado continua mostrando bons resultados na área de demanda. Nesta semana foi a Illy apresentando também um bom resultado em 2023, com crescimento de faturamento e margens. Sempre deram destaque ao Brasil como país produtor e fornecedor. Outros muitos terão que tomar o mesmo caminho e cada vez mais chegarem perto da origem.
E para encerrar, saiu café Conilon peneira, coisa fina, à R$1.050 posto no estado de São Paulo durante a semana. Café a gente sempre aprende!!
Uma ótima Páscoa a todos!!
Boa semana!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.