Mercado fechou nesta ultima sexta-feira em 212,50 centavos, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 188,85 centavos.
Finalmente quebrado o canal que pendurou por muitas semanas, e agora o mercado volta a trabalhar em um viés de alta mirando 220 centavos. Aliás, não poderia ser melhor. Bolsa em alta e dólar valorizado! Já agradecemos aos Fundos e ao mercado de Robusta, pois de concreto nenhuma noticia nova, somente as mesmas preocupações.
Os fundos ainda tinham espaço, e como já dissemos antes… nunca lute contra uma tendência!!
Bem provável que vamos ver nos próximos dias alguma realização de lucros, que pode até levar o mercado aos níveis de 195 a 197 centavos, mas sinceramente, acho que pode segurar bem no 200 centavos.
Os estoques certificados continuam a subir e já estão em quase 630 mil sacas. E o mercado continua invertido… e se boa parte das preocupações vem da situação geral de estoques e futuro fornecimento, muito provavelmente o mercado não vai voltar em carrego até termos ideia da safra a ser colhida (fora inverno Brasil e próxima florada).
Os melhores retornos este ano pelo índice UBS em Commodities estavam com: Cacau, Petróleo, Suínos e Suco de laranja… e café vinha em 8° lugar. Com certeza agora vai subir de posição.
Os maiores detratores estavam na cadeia de grãos. Todo o índice em si, começa a reagir.
No macro, acredito que o Real vai continuar sobre forte pressão. Os dados de emprego nos EUA vieram bem acima das expectativas em Março, com a criação de mais de 300 mil vagas. Mesmo antes destes dados, já tínhamos observado um certo endurecimento no discurso do FED, com comentários que, ao invés de três cortes no segundo semestre, poderíamos ter apenas dois.
A turma aqui também não ajuda muito… esse ano, até Março já saíram mais de $25 bilhões de reais da Bolsa. Uma politica fiscal que ainda gera muitas dúvidas (contas públicas tiveram um déficit recorde de 48,7 bilhões em Fevereiro), intervencionismo na Vale, Petrobras e Eletrobras, além de uma política internacional antagônica ao capital… e a cereja do bolo agora é a queda de popularidade.
Já sabemos a fórmula para tentar consertar isto… e já sabemos também como acaba em termos de política fiscal e taxa de juros. Sinuca! Se continuar baixando os juros no ritmo atual, mais capital vai fugir… Real sob pressão e eventualmente pressão inflacionária.
Se mantiver os juros, talvez segure as saídas, mas o investimento interno patina.
Para o produtor, aproveitar e efetuar as trocas agora (que estão com um boa relação) ou correr o risco de esperar para ter juros menores, porém com o dólar pressionando os insumos importados??? Eu sempre falo… apostar contrato dólar aqui nunca foi um bom negócio…
Um fator que pode trazer rápida volatilidade ao mercado de câmbio é a possível escalada da guerra no Oriente Médio após os ataques Israelenses a alvos Iranianos na Síria. Uma resposta do Iran é esperada.
No fundamento, dados da OIC indicam um crescimento nas exportações mundiais em quase 10% no mês de Feverereiro (ano a ano). No acumulado dos primeiros 5 meses (ano safra considerado da OIC) as exportações cresceram quase 12%. A OIC ainda mantém uma previsão de crescimento de demanda na ordem de 2,25%, o que é um número bastante expressivo e mantém o saldo entre produção e demanda bastante apertado.
Básicamente sem nenhum aumento de estoques segundo os dados da OIC. Isto significa, caso esteja correto, que o Brasil em teoria tem que manter o mesmo ritmo de exportação que vem mantendo.
Aqui o mês de Março indica que provavelmente vamos ficar perto deste ritmo de 4 milhões de sacas exportadas. Conilon perto de 800 mil…
Pelos vários comentários parece que a safra de Conilon a Arábica vai embolar. O Conilon um pouco mais atrasado e o Arábica um pouco mais adiantado.
Incrivelmente o preço também continua embolado, e realmente acho que vamos começar a ver uma transferência de demanda da indústria para o Arábica. Ver o Conilon cair agora parece um pouco difícil. Nestes patamares atuais, aqui dentro, difícil muitas marcas com preços competitivos não fugirem de um realinhamento de preços na gôndola.
Lá fora a discussão vai começar a ficar mais acirrada. Com certeza toda cadeia vai procurar abrir os diferenciais para tentar aplacar a subida nos preços… mas com toda a cadeia (principalmente importadores e exportadores) trabalhando com estoques reduzidos devido ao inverso. É só o produtor ter um pouco de paciência… mais cedo ou mais tarde, vão ter que cobrir as necessidades de embarque.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.