O mercado fechou esta sexta-feira em 231,85 centavos base JULHO, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 220,45 centavos. Com a chegada do 1° dia de entrega na Bolsa, vamos mudar o foco para Julho.

Mais uma semana de bons ganhos. O aumento dos estoques certificados acima de 630 mil sacas em nada aplacou o mercado, que chegou a ter um spread de 8 centavos na puxada durante a semana.
Com a inversão do mercado, qualquer exercício de rolagem ja é uma penúria, com essa volatilidade então… haja Whisky.
Londres continuou a ser o grande propulsor, batendo durante a semana seu recorde histórico de preços.

Tenho visto vários comentários e comparativos muito válidos sobre correlações de mercado com estoques no passado, mas a verdade é que cada momento tem influências diferentes e usar o passado para prever movimentos futuros em Commodities cada vez se torna mais e mais difícil.

Gostemos ou não, o Dólar ainda tem a batuta dos movimentos financeiros globais. Gostemos ou não, a força do capital está cada vez mais nas mãos dos Fundos (que são muito diversos entre si), e nada nos diz também que podem bater o recorde histórico de posições compradas.
Não falamos mais em bilhões, hoje já falamos em trilhões (de dólares!!!). Gostemos ou não, eles fazem a lição de casa muito bem. Entraram comprando este mercado perto dos 150 centavos quando os primeiros sinais de problemas do Robusta (começando com a Indonésia e depois Vietnam) foram se intensificando. É um poder que dita a tendência, e temos visto em várias ocasiões que lutar contra a tendência que eles se direcionam é na maioria das vezes um mal negócio.

Existe uma maior possibilidade de retorno das chuvas com maior intensidade para o Vietnam no final do mês e começo de Maio (época normal para as chuvas mais intensas começarem). Ainda parece cedo para termos certeza de uma normalização, e como vai ser a recuperação das lavouras após a forte estiagem e forte calor no período do El Niño, porém não podemos esquecer o motivo que as mesmas se chamam Robustas.
Por aqui nem terminou Abril e já estamos tendo a primeira frente fria passando pelo Sul e Sudeste, e chuvas abaixo da média para Abril.

No macro, na economia americana, o que era certo já não é mais. Inclusive já existem comentários se tivermos mais um mês com inflação anualizada perto dos 4%, poderíamos ter aumento e não diminuição de juros no segundo semestre. Isso é importante, pois mesmo se uma remota chance de aumento de taxas de juros nos EUA no segundo semestre, vier junto com o fim do inverno Brasil sem geadas, pode mudar bem rápido o ânimo dos Fundos manterem as posições compradas.

Mesmo sem essa notícia, o BC aqui já estava ficando em uma saia justa. Uma tríplice machadada atingiu o Real:

  • A volta das tensões no Oriente Médio;
  • A resiliência da economia americana;
  • A contínua incapacidade de gestão do atual governo em manter a responsabilidade fiscal, pois dificilmente poderia baixar a taxa básica abaixo de 9,5% se os juros por lá não começassem a cair.
    Imagine agora, se a troca de presidente do BC nos levar a um novo “Dilmismo“ (Vamos gastar e seja o que Deus quiser). Já são 30 bilhões de Reais que deixaram a Bolsa este ano.
    Com o arcabouço fiscal indo para o vinagre, a política fiscal perde dia a dia a credibilidade. Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.
    Com a taxa americana a 5,25%, qualquer taxa Brasil abaixo de 10% a sangria acelera… e importante… mais cedo ou mais tarde atinge novamente o preço dos insumos agrícolas.

O Vietnam exportou nos primeiros meses do ano, quase 10 milhões de sacas (nada como bons preços para arrancar café do mato e limpar armazéns). Lá e em qualquer outro país produtor.
O Brasil mantém a média de 4 milhões de sacas mensais, e deve chegar ao final da safra exportando perto de 44 milhões de sacas.
Tanto o ICO como o USDA indicam haverá um equilíbrio entre produção e demanda, mas com o USDA com o viés um pouco mais negativo, indicando uma redução dos estoques finais.

Realmente, não observamos estoques subindo em nenhum relatório oficial. Com esses juros atuais e o inverso na Bolsa, assumo nenhum particular esteja nadando em estoques também.

Vamos ver o que vai acontecer com a demanda quando novos preços atingirem as gôndolas. A gordura que existia, foi embora.
Mas, e os juros? Para onde os algoritmos irão alocar o capital??

Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.