O mercado fechou esta sexta-feira em 222,35 centavos base Julho, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 218,25 centavos. Durante a semana o mercado teve fortes oscilações, com dados de safra divulgados sobre o Viertnam.
Todos os dados sobre o Vietnam estão muito contraditórios. E não é um pouco contraditório. É quase como os números de Brasil do mercado e do USDA diferenciarem em quase 15 milhões de sacas.

Os estoques certificados pouco se movimentaram durante a semana em números gerais.
Os Fundos continuam bem comprados (mesmo após sexta-feira).

No macro novamente nenhuma grande novidade no lado externo. Os juros das Notas do Tesouro no USA tiveram leve queda, com vários discursos dos Diretores regionais do FED praticamente descartando uma nova subida dos juros. As apostas continuam com um corte no segundo semestre. O índice de preços de gastos com o consumo mantêm a taxa anualizada em 2,7% (sem mudança mês a mês), e o PIB já divulgado no 1° trimestre foi 1,3% anualizado (mais fraco do que o esperado de 1,6%), e o segundo trimestre a expectativa é de 1,2% (contra 2,7% no final do 1° trimestre). Sinais claros de uma economia desacelerando. Como foi colocado por um dos Diretores do FED: “a inflação segue na trilha para os 2%, porém é um trilha bem acidentada“.
Então, se de lá não são as notícias que exatamente dariam um forte suporte ao dólar, e o Dólar rompendo novamente a casa dos R$5,20 (com a Bolsa de NY de sexta-feira ajudou a manutenção em Reais) espelha muito a falta de confiança na economia brasileira, apesar que os dados econômicos e de emprego não mostrarem tanta fragilidade. É o que podemos chamar de aversão ao risco.

Os dados de emprego e da economia não estão sendo suficientes para que os investidores digam que o risco compensa, mesmo com spread de juros acima dos 5%.

A goleada sofrida no congresso esta semana pelo governo, bem como a contínua falta de direcionamento da política fiscal, o monstrengo que está se tornando a reforma tributária, e até a interferência indevida do Judiciário levam a uma forte instabilidade/volatilidade o que é mais um fator que afugenta investidores. Junto com Peso Argentino (que foi desvalorizado como parte do pacote econômico) e a Lira Turca, o Real foi a moeda emergente que mais perdeu valor perante o dólar em 2024. Bom para as commodities locais.

O dólar deve continuar, pelo menos em preços, amigo do produtor.
Nos fundamentos, a grande surpresa já no final da semana foi a estimativa de safra do Vietnam feita pelo USDA. Depois do mercado de Robusta pegar o elevador (batendo o recorde históricos de $4.238 dólares/ton) após uma grande Trading Co. divulgar que a safra 24/25 não passará de 24 milhões de sacas, os números do USDA fez a caravana começar a descer.

O USDA estimou a safra 24/25 em 29 milhões de sacas, inclusive um pouco maior do que a última estimativa do mesmo órgão. O governo Vietnamita estima a safra em 21/22 milhões. Ou seja, vamos de zero déficit para 4/5 milhões de déficit (considerando 24 milhões).
No ano passado falamos que se as estimativas brasileiras mais baixas fossem reais, o final da safra do Brasil seria de embarques baixos e diferenciais muito fortes. Se provou que os números não eram baixos e/ou safra passadas estavam subdimensionadas. O mesmo vai acontecer no Vietnam??… começando agora até o 1° trimestre de 2025, alguém aí vai estar bem errado.
Vamos acompanhar os embarques, porque demanda senhores, vai existir.
Para o ponta-pé inicial, o Vietnam informou que os embarques de Maio caíram 36,5% ano a ano, e o totalizado em 3,9% na safra.

Vale lembrar que para sustentar números maiores de exportação, o USDA também revisou a safra 23/24 para 29 milhões também (aumento de 6% vs ultimo relatório). Isto significa que não deveria existir nenhum grande hiato no ritmo de embarques.
Sobre a possível quebra na safra brasileira… vamos acompanhando. E ainda temos os números do USDA para o Brasil.

Falando de demanda, interessante notar que a joint venture Tata-Starbucks chegou até Março de 2024 em 421 lojas na Índia, presente em 61 cidades. Objetivo é chegar a 1.000 lojas até 2028. A Índia, um país eminentemente tomador de chá, pode se tornar outra grande fronteira consumidora.
A joint ainda tem resultados negativos, muito em funcão que o “giro“ ainda não estar no nível desejado (inflação de alimentos chegando perto dos 10%). Não é somente o Starbucks que já desembarcou por lá, outras cadeias também estão investindo no país.
Não podemos negligenciar o impacto dos números do USDA no mercado. Como o Vietnam foi uma supresa, os números de Brasil também podem ser (tanto para um lado como para o outro) . Continuo com a opinião que a “escadinha“ de venda seja a melhor opção dentro de um mercado tão volátil e cheio de incertezas nos maiores países produtores. Cada puxada de mercado deve ser aproveitada.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.