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O mercado fechou sexta-feira em 228,95 centavos base Setembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 226,80 centavos. Tecnicamente, a arbitragem tem segurado nos 40 centavos… à meu entender, Londres continua a dar um bom suporte a NY.
As condições climáticas no Vietnam voltam a preocupar, com as chuvas em Junho ficando em uma das médias mais baixas dos últimos 10 anos.
O trade no Vietnam continua mostrando bastante interesse comprador para o final de 2024 e início de 2025 com diferenciais de +500 ou acima, dependendo da qualidade. Isto já mostra a preocupação com os números da próxima safra. Com esse interesse contínuo, dificilmente os preços spot vão abrandar.
No macro, os dados de geração de empregos nos USA em Junho vieram um pouco acima do esperado, porém os números de Maio foram revisados para baixo.
Continua o viés da redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica para o segundo semestre, mas ainda temos água para rolar debaixo desta ponte.
O governo americano gastou mais de $1 trilhão de dólares acima da arrecadação no 1° semestre de 2024, aumentando novamente o déficit percentual frente ao PIB. A fórmula para pagar a diferença não mudou, imprimir dólares e aumentar novamente a inflação, ou manter os juros altos das notas do Tesouro para captar dinheiro e financiar o déficit.
A economia americana, sabemos que tem ampla capacidade de honrar as notas do Tesouro, mas se o déficit continuar a não ser controlado, o objetivo de 2% de inflação pode ser muito difícil de ser atingido. Isto vai dificultar ao FED reduzir as taxas básicas, uma possível redução da atividade econômica, e consequente enfraquecimento da moeda.
Sem a redução dos juros por lá, somente uma mudança drástica da atual política fiscal dará fôlego para os juros diminuírem por aqui.
O spread de juros pode sim diminuir, da famosa regra da diferença de 5% entre as taxas de lá e da daqui, desde que aqui mostre uma rápida melhora no risco de investir em Reais.
Como comentamos na última semana, a notícia do déficit americano deveria levar a uma certa valorização de outras moedas. A nossa valorizou… (de quase R$5,70 para pouco abaixo de R$5,50) após o governo anunciar um contigenciamento de $25 bilhões de Reais em despesas, com o objetivo de atingir a meta fiscal.
Ninguém acredita na meta fiscal, e muito menos que o Presidente fala sem pensar. Para quem acredita que tudo isto é aleatório, boa sorte. Tem muita gente ganhando dinheiro com estes movimentos (e nós sabemos quem são), mas já observamos um padrão…aproveitem para fixar o câmbio acima dos 5,60.
Não adianta remar contra o mecanismo…
Nos fundamentos, a colheita no Brasil caminha para 60%. Não vou chover no molhado. As quebras existem, mas temos que traduzir em menores embarques e redução de estoques. Junho e Julho podem não ser termômetros muito bons, normalmente na transição de safra observamos embarques mensais um pouco menores.
Os diferencias tem que começar a apertar (mostrando a dificuldade de originação), os certificados pararem de subir com cafés do Brasil, e os embarques a diminuir o ritmo.
O Conilon deveria ser o primeiro… lembrando que segundo relatório do ICO, as exportações globais em Maio foram 11,78 milhões de sacas, cerca de 10% acima ano/ano. No atual ciclo, completando oito meses as exportações totais foram de 92,73 milhões de sacas, 10,9% maior no ano/ano também. Ou seja, como sempre o “timing“ é a chave do posicionamento.
Quando realmente os estoques globais vão sentir um impacto siginificativo??
Ainda é cedo para falarmos de florada e próxima safra, mas se as oportunidades existem com NY e o Dólar para fixarmos algum bom resultado para esta e a próxima safra, porque não fazer??
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.