O mercado fechou sexta-feira em 230,25 centavos, base Setembro contra sexta-feira retrasada em 238,20 centavos. Mercado ter uma retração para on níveis de 230/232 centavos como estava se desenhando após o teste em 250 centavos.
Os Fundos continuam com cerca de 40 mil posições compradas líquidas, e não tem muito incentivo no momento para uma liquidação maior, perante os cenários macros e de fundamentos.
O mercado está premiando o spec até o momento e os estoques certificados estacionaram nas 800 mil sacas.

No macro, crescem as expectativas de um corte de juros nos EUA em Setembro. O país voltou a crescer no segundo trimestre em 2,8% (recuperando sobre o crescimento de 1,4% no 1° trimestre). A boa noticia é que este crescimento veio com números inflacionários sobre controle, indicando uma taxa anualizada de 2,6%.
Seria uma ótima notícia aqui para nós, em que pese um possível corte da Selic. Porém, o Ministro Haddad continua TAXAndo que vai ser fácil controlar o Dólar e a curva inflacionária com o embolo fiscal e a nomeação do novo Presidente do BC chegando. Todos os dias são as mesmas notícias de ajustes fiscais, que nem eles e nem o mercado acreditam.
Pelo jeito vai demorar para termos juros mais baratos na ponta. O Dólar também foi um fator que ajudou a pressionar NY, apesar dos diferenciais pouco se mexerem.

Nos fundamentos também nenhuma grande mudança. Os diferenciais continuam caros, tanto de Robusta como de Arábica. Com a queda do mercado, o preço do físico basicamente não se mexeu aqui (e muito provavelmente em nenhuma origem).
Os embarques do Brasil em Junho e Julho foram respeitáveis, porém isto já está fatorado neste mercado.

Os faróis agora se viram para a questão da florada Brasil, e conjuntamente com as volumes de embarques de Brasil. Em teoria, o superávit indicado pelo USDA se foi, e a florada no Brasil indica outro risco forte para o ciclo 25/26… Iremos ver um mercado levemente invertido a 300 centavos, ou um mercado fortemente invertido a 200 centavos??

Na área da demanda, a Nestlé apresentou relatório ao mercado dos últimos 6 meses. Vem sendo um ano desafiador, com a empresa reduzindo a expectativa de crescimento de vendas de 4 para 3% no ano.
O segmento café performou bem melhor que a média. Crescimento acima de 5% nos itens de varejo e os RTD’s Starbucks. O deletor foram as cápsulas Nespresso, com queda de vendas de 4,1%.

Lá fora, Julho e Agosto, meses que o trade tipicamente estão de férias e com pouca atividade.
Alguns relatórios de vendas mostram uma certa estagnação nos mercados tradicionais e nos novos mercados (Oriente Médio e Ásia), temos pouca visibilidade de dados concretos.
Como estarão se recuperando as lavouras no Vietnam com as chuvas de Julho normalizando?
Como será a próxima florada Brasil?… apesar do clima quente no inverno, déficit hídrico nos últimos 8 meses, ainda temos relatórios indicando as lavouras estão em condição (ainda) de suportar uma boa florada.
As lavouras mais novas, até 5 anos e sem irrigação, sentem mais ao déficit hídrico, já que temos mais de 100 dias sem chuvas na maioria das regiões cafeeiras. Algumas com mais de 120 dias. Já as lavouras adultas, ainda há suporte para chegar à florada, desde que tenhamos chuvas até final de Agosto. Além disso, podemos ter perdas substanciais!” relata o Eng° Agr° Marcos Pimenta, consultor da RR Consultoria Rural.

O produtor, em média, tem sido bem disciplinado em vender, e garantir um bom resultado.
Vender futuro se torna um risco (mesmo para quem tem irrigação), e o Dólar e os juros não vão fazer a conta dos custos caírem. Se olharmos o passado, poucas vezes o mercado se sustentou acima dos 250 centavos…
Café no mundo nunca vai faltar… os preços vão regular a demanda para que se ajuste a oferta… e como sempre, também incentivar mais oferta no futuro.

Preços que incentivem outras origens a voltar a plantar, no longo prazo nunca foi bom negócio para o Brasil. Estamos em uma jornada de ganhar market share, melhorando a qualidade e a percepção de qualidade do nosso café no exterior, e emparelhar com o Vietnam na produção de Robusta.
Mercado a níveis muito altos são ótimos no curto prazo, mas trazem detrimento de demanda e incentivo a plantio em outras origens. No longo prazo sabemos o que isto significa.

Boa semana a todos!
Joseph Reiner