O mercado fechou sexta-feira em 230,50 centavos, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 230,25 centavos. Um mercado inalterado, em compasso de espera.
Nenhuma grande mudança na questão dos estoques certificados tanto em Londres quanto em NY.
Tecnicamente, o mercado recuperou durante a semana o suporte de 230 centavos.
Semana movimentada no macro. Os BC’s tanto do Brasil como dos EUA mantiveram as taxas básicas de juros inalteradas, porém a pressão para que o FED americano corte as taxas pelo menos duas vezes este ano, aumentam.
Os últimos números divulgados indicam aumento do desemprego, diminuição dos salários médios, novas vagas em aberto bem abaixo da expectativa.
Um dos grandes “puxadores“ do crescimento de lá vem do consumo, e estes dados que podem influenciar o consumo, derrubaram a Bolsa (mesmo com a quase certeza da queda dos juros).
Novamente, deveria ser uma boa notícia por aqui.
Os últimos dados do crescimento da indústria surpreenderam (principalmente em bens de transformação), com crescimento acima dos 4%, com vendas de autos em duplo dígito.
Os riscos inflacionários existem, com o Dólar passando dos R$5,70 (acalmando na sexta-feira após os dados da economia americana), mas apesar de termos números relativamente sob controle em termos de inflação e PIB, o grande problema que temos é de credibilidade.
O viés sempre está na crença de que o governo atual eventualmente vai tomar as decisões erradas. Se os gastos forem no sentido de impactar produção/PIB a longo prazo, o problema fiscal não teria o mesmo ruído.
O Dólar é o dólar… seja por ações internas, seja por tensões geopolíticas (Israel & Irã novamente), seja pelas eleições e economia americana.
Na questão da demanda, outra gigante do ramo também mostrou ótimos resultados no 1º semestre de 24. A JDE indicou que suas vendas (ano a ano) cresceram 5,6%, e o lucro bruto quase 9%, impulsionado por bons números de America do Sul/Rússia/Oriente Médio/África crescendo 22%, e nos USA com 6,4%. A empresa revisou seus números para o final do ano, para um EBIT de 10%. Como a Nestlé, as duas gigantes do ramo mostram números robustos no mercado de café.
Os bons resultados das duas gigantes globais do setor de café, mostram que na média, o consumo resiste. A galinha continua botando os ovos de ouro no cenário atual!!
Nos fundamentos, não existe mais discussão sobre a quebra de safra do Brasil. De quanto e saindo de qual número, ainda pode ser discutido… mas que quebrou, quebrou!!
Temos pela frente a questão da florada brasileira, e também o quanto a quebra de safra vai impactar os volumes embarcados de Brasil.
Como observamos semana passada no relatório da RR Consultoria, Agosto vai ser chave. Se a questão do déficit hídrico perdurar no mês, o estrago estará feito, mesmo com chuvas posteriores.
Mesmo caso do Vietnam. As chuvas normalizaram, mas o estrago já estava feito.
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.