O mercado fechou esta sexta-feira em 234,05 centavos, contra um fechamento semana retrasada em 230,50 centavos. Cada semana uma nova emoção! E nesta última semana, o que não faltou foi um pouco de emoção…
Em NY tivemos muitas operações de hedge contra o vencimento de opções, as quais o mercado esperava, poderia segurar o mercado acima dos 240 centavos. Isto aliado a uma forte frente fria que está entrando na area de produção de café em São Paulo e Minas Gerais, trazendo risco de dano de geada. Juntando no molho, a puxada forte no spread Sep/Dec, chegando a 5 centavos, para depois recuar no fim da semana, porém mesmo assim, deixando um rastro de sangue para o “trade” que amarga o carregamento de estoques.

Chegando no final da semana, o risco de frio dimimuiu e o nível de proteção necessário nas opções não foi no esperado (na próxima semana ainda teremos mais movimentos).
O mercado de NY foi buscar os 250 centavos, porém produtores amigos que buscavam encaixar vendas futuras não acharam níveis de R$1.600. Pode ter acontecido, mas dentro do círculo de amizades não observei ninguém conseguindo acima de R$1.500 para vendas futuras.

Continuam aparecendo várias revisões da safra brasileira, ajustando os números para baixo. Apesar disto, ainda observamos bons embarques de Brasil e Colômbia, que aumentou em 10% suas exportações nos últimos 12 meses.
Já o Vietnam, nos primeiros 7 meses deste ano, exportou pouco mais de 16 milhões de sacas (12,4% de queda ano a ano).

Segundo dados do ICO, em Junho tivemos 10,78 milhões de sacas exportadas globalmente, contra 10,39 milhões no ano anterior. Se as exportações ainda se mantêm em bons níveis, elas estão indo para algum lugar que ainda não identificamos.
Os últimos dados da ECF (Federação Europeia de Café) indicam estoques de 8,4 milhões de sacas nos armazéns portuários de Bélgica, França, Itália e Espanha. É um aumento de 4,5% no mês a mês, porém um decréscimo de 27% ano a ano (11,5 milhões de sacas em Junho de 2023).
Não temos mais os números dos EUA (GCA), mas conhecendo um pouco da mentalidade financeira de lá, acho pouco provável termos estoques em larga escala sendo carregados.
E aí temos o resto do mundo, que não temos visibilidade, porém não tem exatamente a cultura de carrego, muitas vezes até por falta de logística adequada para tal.
Não tenho dados concretos para afirmar, mas boa parte deve estar indo para consumo, mesmo com dados um pouco conflitantes nos relatórios das principais empresas do setor (com bons resultados financeiros, mas pouca menção de aumento de volumes).

No curto prazo podemos muito bem ter mais pressão vendedora com a passagem da frente fria, bons embarques globais, e indícios de mais chuvas chegando (indícios…). Os Fundos com certeza aliviaram as posições, porém ainda tem muita munição. Vamos precisar de alguns dias para avaliar os danos causados pelo frio.

No macro a semana também foi animada. Divulgada nesta sexta-feira, a inflação na China… subiu mais que o esperado, oferecendo esperança de recuperação na demanda doméstica, que pesou sobre o crescimento este ano.

Já nos EUA, a queda maior do que a prevista dos pedidos de auxílio-desemprego acalmou os mercados e garantiu a sólida recuperação dos ativos, mas o otimismo pode não resistir aos novos indicadores, se resgatarem os receios de recessão.
Já deu para ter uma boa noção da volatilidade. O pouso não será suave se novos dados negativos surgirem nas próximas semanas. As apostas agora não giram de quando, mas de quanto será o corte do FED (0,25 ou 0,50 pontos percentuais).

Outro fator que desequilibrou o mercado (e a surpresa de quantos é a alavancagem), foi a possibilidade do aumento dos juros básicos do BC Japonês. O volume alavancado em Ienes (juros muito baixos… quase zero) para aplicação em outros mercados pagando muito mais (spread de juros) é muito grande. Não só para o spread de juros, mas também para compra de ações no Japão. Somente Warren Buffet tem mais de US$ 20 Bilhões nestas operações aplicadas nas quatro grandes trading’s companie’s japonesas.

Por aqui, o IPCA de Julho apresentou composição pior em comparação aos últimos meses, levando ao aumento dos núcleos nas medidas ano a ano e 3 m/m, que agora estão em 3,8% e 4,8%, respectivamente.
Segundo relatório de um importante Banco, dentre os pontos de atenção para os próximos meses, continuam se destacando:
● A inflação de serviços, visto o mercado de trabalho que permanece apertado e a atividade resiliente;
● Deterioração do cenário fiscal brasileiro e o seu respectivo papel na desancoragem das expectativas de inflação para 2025;
● Desvalorização cambial nos últimos meses.

Atualmente o mercado precifica aumento em todas as reuniões para 2024, com uma taxa terminal de 11,3% e de 12,0% para 2025, enquanto o Focus espera a manutenção da taxa em 10,50% e 9,75% para o fim de 2025.
As últimas declarações de Galipolo também jogaram água na fervura (ensaiadas ou não…).

Seguindo nesta toada, as chances do Dólar segurar um pouco, é grande, pois a diferença de juros vai voltar a favorecer entrada de capital especulativo por aqui, porém na geopolítica a volatilidade também não fica atrás.

A Ucrânia avançou dentro do território Russo na semana, e continua tomando várias áreas e fazendo estrago. Com certeza é uma ação de curto prazo, mas agora qual será a reação russa?… e no Oriente Médio, continuam as dúvidas de quando e como o Iran vai reagir à ação que matou um dos líderes políticos do Hamas dentro do seu território (nas comemorações da posse do novo Primeiro Ministro).

Olhando a foto de sexta-feira… no curto prazo… NY e Dólar sob pressão. Segunda começamos de novo.

Boa semana a todos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.