O mercado fechou esta última sexta-feira em 244,05 centavos contra um fechamento sexta-feira retrasada em 245,45 centavos, base Dezembro. Tanto Londres como NY, tecnicamente continuam mostrando força.
O frio passou, mas a seca não.
As estimativas de safra continuam ser revisadas para baixo, e a necessidade do Brasil exportar pelo menos entre 3,7 e 4,0 milhões de sacas/mês na media & a real possibilidade desta média se manter até a Safra nova, continua a ser questionada.
Os embarques de Agosto devem chegar a quase 3 milhões de sacas (dentro do esperado).
A força do Dólar acaba sim a ser um peso no mercado a curto prazo, mas o peso dos temas de macroeconomia não vão conseguir encobrir os problemas dos fundamentos (safra atual menor com quebra na renda e safra futura sob Júdice devido a seca).
O volume de cafés entregues para certificação teve um aumento significativo esta semana.
Nenhuma grande supresa, já que o diferencial contra o mercado cedeu (contra BMF inclusive). Vamos ver o que vai passar. Importante, que o tema dos diferenciais afrouxando, não foi só por aqui.
No Vietnam, a qualidade de exportação Grade 2,5% esta sendo cotadas no spot a X+200, alinhando com diferenciais para entregas safra nova.
Começam a surgir interesse de venda futura do “mato“ a 110.000 VDN/kg, o que traduz em um diferencial de F-200 para entrega Dezembro.
Talvez a arbitragem Londres x NY (Nov & Dec) abaixo de 30 centavos não esteja refletindo uma possível melhora de safra Vietnamita entrando em dezembro.
No macro, é quase certeza a redução do juros nos USA em 25 pontos. A melhora do PIB no segundo trimestre, e novos dados indicando a inflação sob controle, mostram um possível pouso suave da economia por lá.
A queda dos juros por lá, e consequentemente melhoria do spreads de juros (entre lá e aqui), aliado a entrada de capital de curto prazo na Bolsa aqui melhorando a entrada de capitais no Brasil no curto prazo, deveria ter jogado um pouco de água fria no Dólar e valorização do Real.
Nem a possível melhoria no spread, nem o leilão de 1,5 bilhões do BC local, nem a forte entrada de capital estrangeiro na Bolsa nas duas últimas semanas, conseguem melhorar o sentimento do conjunto da obra local.
Aumento de impostos, intromissões judiciais no ambiente empresarial, continua briga entre os poderes, mais um déficit fiscal da conta corrente bruta no último mês (+ 21 bi), aumento para servidores acima da inflação, turbinagem do vale gás, e por aí afora.
Tecnicamente deveríamos ver o Dólar eventualmente devolver os ganhos, porém politicamente isso não parece que vai acontecer, o risco Brasil nos olhos do mercado, está aumentando.
O IPCA de passagem de Julho para Agosto mostrou uma desaceleracao na inflação, projetando uma possível inflação perto de zero para o mês de Agosto. Dado que pode sustentar um possível não aumento do juro básico na próxima reunião do BC. Mais um fator limitante para uma maior entrada de capitais e valorização do Real.
A mediana das projeções de mercado indicam um Dólar a R$5,32 para o final do ano. A estimativa do IPCA passou para 4,25%, e o PIB para 2,43%. As estimativas para o déficit do setor público pioraram ligeiramente para 63,70% do PIB (como também subiram para 2025, 2026 e 2027). A balança comercial deve ter uma melhora de estimativa para US$ 83,53 bilhões.
Pessoal, o fator clima Brasil, é na verdade a grande sustentação do mercado.
As previsões climáticas não são muito favoráveis, pelo menos para a primeira quinzena de Setembro. Claro que a situação dos estoques, embarques Vietnam e Brasil, também pesam na equação, mas a seca é o fator que pode levar esse mercado a continuar a subir.
Outra incógnita seria uma possível revisão das estimativas Brasil e Vietnam pelo USDA.
Somente importante não deixar de prestar a atenção em detalhes como o afrouxamento dos diferenciais no Vietnam e aqui, que podem muito bem estar começando a indicar um “cansaço” do ponto de vista financeiro e de demanda do mercado. É apenas um sinal amarelo.
Mercado NY com viés positivo (com uma luzinha amarela) buscando intervalo de 262 e 264 centavos. Dólar tecnicamente com viés negativo, mas…
Boa semana a todos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.