O mercado fechou na ultima sexta-feira em 236 centavos, base Dezembro. Na sexta-feira retrasada o fechamento havia sido de 244,05 centavos… ou seja, quase toda devolução veio na última sessão.
Sem querer bater na mesma tecla, mas os movimentos de curto de prazo com maior volatilidade continuam baseados no clima e também no monitoramento do fluxo global de embarques.
No macro, a próxima reunião do FED Americano.
Ontem bem provável tivemos alguma liquidação de posições dos Fundos, mas as posições compradas de longo prazo pouco se mexeram.
Os estoques certificados sem nenhuma mudança.
Nos fundamentos, a chegada de pouca chuva em algumas áreas da região cafeeira durante o fim de semana trará algum alívio, porém pouca mudança no cenário agronômico. Talvez o mais importante seria quebrar o centro de alta pressão na região sudeste para abrir entrada de outras frentes. O cenário estendido continua mostrando chegada de chuvas, porém com pouca intensidade. A situação continua preocupante, porém a planta de café é um “bicho resiliente“.
Segundo informações, o tufão Yagi não provocou danos às regiões cafeeiras do Vietnam, e trouxe um volume significativo de chuvas.
Os diferenciais para embarques imediatos caíram mais para X+100, porém com pouca demanda devido ao forte inverso entre o Novembro e o Janeiro em Londres.
Ofertas FOB para safra nova (embarques Janeiro) sendo oferecidos a H+200.
O valor do frete marítimo por lá também caiu nos últimos dois meses. Mesmo assim, o Brasil continua competitivo… pelo menos no spot curto prazo.
Muito se fala nas questões climáticas, porém o mundo continua exportando café.
Dados do ICO indicam que as exportações mundiais de Outubro a Julho cresceram +10,5% a/a. Estou esperando sentado a famosa queda brusca de embarques do Brasil/mundo. Setembro aparentemente será um bom mês de embarques.
Tem um cenário aí que pode não ser muito palatável: chuvas retornando em Setembro na segunda quinzena + outro mês forte de embarques.
Para o curto/médio prazo, pode não ser bom… para o longo prazo a estória ainda continua de um mercado bem firme (desde que o USDA esteja errado…).
No macro, o nível de emprego veio abaixo do esperado, e novamente entramos em uma crise de bipolaridade.
Voltam as apostas na queda de 50 pontos percentuais por lá e medo de uma recessão não tão suave. Esse foi o prato da semana por lá. Por aqui, nova supresa com o PIB do segundo semestre. Subimos 1,4% contra consenso do mercado em 0,9%. Opinões mil… qual a razão do novo erro de previsão (afinal fazem 3 anos que as previsões são mais pessimistas que a realidade).
Vários fatores podem estar contribuindo para que os cálculos de previsões necessitem ser revisitados:
- As reformas da era Temer estão tento um impacto maior do que o esperado no mercado de trabalho. Com mercado de trabalho aquecido e ganho real na massa salarial;
- O fantástico PIB no Agro do ano passado, carregando para este ano o crescimento na indústria que abastece o setor;
- As economias globais em melhor estado que o esperado;
- Um impacto negativo menor da tragédia no RS;
- O grande volume de pagamentos de precatórios;
- O forte aumento dos gastos públicos. Entre outros fatores citados por vários economistas, porém o sinal de alerta continua unânime. O contínuo aumento do déficit público/PIB, baixo investimento para um crescimento de longo prazo (16,5% do PIB X 25% considerado necessário), falta de investimento em educação, falta de aumento em geral de produtividade por trabalhador, etc, etc…
Ou seja pessoal, os juros por aqui terão pouca chances de cair, e o Dólar voltar a R$5… menos ainda. A saca de café em Real não vai perder valor… por fatores macroeconômicos.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner