COMENTÁRIO SEMANAL – CAFÉ
Joseph Reiner, 22/09/2024.

O mercado fechou sexta-feira em 250,75 centavos base Dezembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 259,45 centavos. O mercado da… o mercado tira. No início da semana chegou a passar dos 270 centavos (recorde dos últimos 13 anos).
Continuamos no mercado de clima no Brasil, com chuvas, previsões de chuvas, seca catastrófica, etc, etc… Não vou entrar no mérito, todos aqui estamos acompanhando as notícias e as previsões.

Pelas provisões, logo as chuvas chegarão, mas com qual intensidade e regularidade?
As floradas vão acontecer, e ai começa outro ciclo especulativo sobre a próxima safra.
A volatilidade não vai sumir, e prever que o mercado vai despencar por causa das chuvas pode ser um erro.

Como comentamos semana passada, as compras comerciais provavelmente deram uma segurada acima dos 260 centavos. Chuva e florada pode ser exatamente o que estão esperando, caso o mercado ajuste em 15/20 centavos para baixo. Aí a tendência dos diferenciais é estreitar, porque o produtor não estará abrindo do saldo em mão tão facilmente.

Único risco é que as chuvas voltem com boa regularidade e se mantenha assim, fixando bem a florada e tirando o “gás“ do mercado. Se isto vier com a manutenção dos embarques altos do Brasil, juntando com início da safra nova do Vietnam e dos lavados, podemos ter mais pressão no mercado.

Não adianta nada gritarmos que está miúdo, que quebrou, se os embarques se mantiverem no mesmo nível atual.
A queda dos embarques é crítica para mostrar que a safra realmente quebrou, e que 1 cm de provável desvio da próxima, seria catastrófico.
Eu sei que é chover no molhado, porém a safra que vem se torna muito mais crítica e com condições de segurar o mercado, se nesta ficar provado que o lado produtor estava correto com o volume de quebra, e consequente queda do embarques entre o 4° trimestre de 2024 e o 1° trimestre de 2025.

Bom lembrar que durante a semana o Rabobank revisou a produção global em + 2,2% a/a para 174 milhões de sacas, com um pequeno surplus de Arábica.
Do nosso lado choveram críticas, porém precisamos entender o contexto de quem está lendo do lado de lá.
A última previsão do USDA, a produção cresceria 4,2%, e o ICO 5,8%. São relatórios que, certo ou errado, são levados a sério.

No macro, queimei a língua. Apostava no FED cortando os juros em 0,25 pontos, e na verdade o corte foi de 0,50 pontos, e caso os dados inflacionários de mantenham controlados bem provável teremos mais 0,50 pontos em Dezembro.
Do nosso lado o BC aumentou a taxa dos juros básicos em 25 pontos, para 10,75%. O Dólar perdeu força no início, mas no final da semana voltou a recuperar.

Com as tensões globais, e o déficit trilionário do Brasil, parece que o spread “Brasil“ ainda não animou muita gente.
O Dólar mais fraco poderia ajudar em segurar um pouco mais as vendas.
A voltatilidade vai continuar alta. Dias como sexta-feira, abaixo de 250 centavos, provavelmente (no momento!!) ainda são boas compras.

Boa semana a todos!
Joseph Reiner