O mercado fechou sexta-feira em 269,15 centavos base Dezembro, contra o fechamento sexta-feira retrasada em 250,75 centavos.
Quem aproveitou a queda de sexta-feira retrasada, aproveitou… porque depois o mercado não deu respiro. Apenas ontem uma leve correção. Não preciso aqui repetir a fonte da especulação.
As notícias de chuvas continuam preocupantes, e o período de calor e déficit hídrico se estende. Tecnicamente o mercado busca 280 centavos, e caso realmente a primeira quinzena de Outubro seja fraca de chuvas, vai buscar algo perto de 320 centavos.
Os volumes na semana foram relativamente médios em números de lotes. Londres continua dando um grande suporte ao mercado. Podemos observar a pressão na arbitragem no Londres Novembro x NY Dezembro.
Os estoques certificados caíram abaixo de 820 mil sacas, quebrando uma certa estabilidade nas últimas semanas.
Nenhuma grande novidade no macro. Apenas no campo geopolítico, com o aumento de tensões no Oriente Médio, houve uma certa sustentação do Dólar, porém, o estrago que Israel efetuou no Hezbollah, deve colocar os Irianianos a pensar 10 vezes em efetuar uma retaliação mais contundente. Por enquanto… O Oriente Médio não vai sair das notícias tão cedo.
A Bolsa teve um suporte esta semana com a notícia de uma mega injeção de subsídios do governo Chinês para estimular a economia. O tamanho do pacote chegará $140 bilhões de dólares, e pode beneficiar as commodities.
Internamente, o Dólar continua flutuando entre R$5,40 e R$5,50, e mesmo com o spread de juros chegando a 6% , a “gestão“ Brasil continua “sub judice”.
E pelo nível dos debates para as eleições municipais, o futuro da nossa economia e do nosso crescimento com certeza está garantido.
O PCE (um dos principais índices que o FED observa quanto a inflação) veio ligeiramente abaixo do esperado (0,1% x 0,2%), porém o PIB Americano voltou a mostrar fechar o ano em 3%. Se continuar assim ótimo, e poderemos ter até mais dois cortes até o final de 2024.
Por aqui, quem acredita que a inflação está sob controle, é só dar um pulinho no supermercado. Seria muita pressão no Dólar se o spread subir para 6,5 ou 7% (apesar que já estivemos um spreads bem mais altos).
Outro país que segue no mesmo ritmo que o nosso, é o México. Com a revisão do NAFTA em 2026, cerca de $40 bilhões de dólares em investimentos estão parados esperando o que a nova Presidenta vai fazer. Até agora os sinais não são bons. Ela continua apoiando a reforma no judiciário, que em termos gerais daria muito mais controle do Executivo sob o judiciário. Desconvidou a Família Real Espanhola por não pedir desculpas sobre os afrontes aos direitos humanos perpetrado pelos “Conquistadores“ a 500 atrás. Não convidou os Presidentes eleitos do Equador e Peru, e convidou com honras os Presidentes de Cuba, Venezuela e Rússia… esses sim, campeões em direitos humanos??
A economia mal vai atingir 1,5% de crescimento, e hoje 80% das exportações do país vão para USA e Canadá. Cada pisada em falso dela, seria uma ótima oportunidade para o Brasil capturar toda cadeia de suprimentos, que saiu e está saindo da China, e se mudando para o México.
Nos fundamentos, Setembro deve mostrar outro fortíssimo mês de embarques do Brasil. Com certeza, quase acima dos 4 milhões de sacas. Chuvas e safra 25/26 são problema, porém a quebra da safra 24/25 não pode ser esquecida.
Como comentamos, uma hora essa quebra precisa se refletir nos embarques, ou qualquer cenário sem uma clara definição para 25/26 também começa a se tornar duvidoso.
O diferencial Brasil tem se alargado e, com certeza, novos negócios estão saindo.
O mercado foi a 270 novamente, e o preço do físico não acompanhou no mesmo ritmo. A conta começa a compensar mesmo com o custo da rolagem no mercado invertido.
Por outro lado a UE Europeia manteve sua posição de não adiar a implementação dos requerimentos comprobatórios anti desmatamento a partir de 2025. Alguns países já se adiantaram e começaram a colocar um prêmio para embarques com destino EEUU… a maneira como o portal vai funcionar, ainda não está bem claro.
Não adianta lutar contra uma tendência. No curto prazo, qualquer barrigadinha de NY continua sendo compra. Não esqueçamos que, apesar de toda a situação de “seca”, nada está definido para a safra 25/26, e a indústria só vai repor o estritamente necessário, acima destes níveis atuais. Eventualmente, a saída da posição pode ter que ser bem rápida.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner