O mercado de NY fechou um pouco abaixo dos 204 centavos na última sexta-feira, praticamente inalterado na semana, porém com sua costumeira volatilidade. Mercado continua consolidando, mas já trabalhando muito perto de furar a resistência perto dos 205 centavos, e já deve buscar uma nova faixa de atuação. Seguindo a tendência, os estoques certificados continuam sua lenta queda, agora um pouco acima de 1,8 milhões de sacas, com sua quase totalidade na EEUU.
Internamente o mercado continua firme com preços acima de $1.250 reais para cafés finos. Acredito que a demanda compradora só não é maior porque realmente a situação de fluxo de caixa para os exportadores não está fácil .

Segundo reportagem da Agência Safras, o Brasil exportou em Outubro 3,147 milhões de sacas, ante 4,232 milhões de sacas no mesmo mês em 2020 (queda de 25%). Como bem reportado, o volume de embarque (em teoria) teria sido maior se não fossem os entraves logísticos.
A Colômbia também declarou um volume menor de exportacao em 6% para o mesmo período.

Dados da OIC indicam ainda, com base mês de Setembro, que as exportações totais de países membros e não membros ficaram basicamente inalteradas em torno de 10 milhões de sacas. Como já havíamos comentado antes, os entraves logísticos basicamente adiantaram um problema de oferta que deveria ocorrer somente nos primeiros meses de 2022.

Falando em entraves logísticos, a redução da atividade econômica na China (e seus problemas energéticos) começam a ter efeito na situação dos fretes marítimos. A queda do preço dos fretes começou a chegar nos grandes graneleiros que levam minério, e já começou a atingir navios de menor porte, bem como o custo dos containers. Segundo informações na última semana, o custo do container na rota Shangai – Los Angeles caiu mais de 30%. Péssima notícia para os exportadores de minério de ferro, porém espero logo podermos ver uma melhoria na situação logística para os exportadores de café .

Importante comentar que esta semana pudemos observar várias notícias sobre arrestos de café e sobre o problema da inadimplência do produtor brasileiro.
Venho parabenizar o CEO da Exportadora Volcafe, Sr Nicolas Rueda, que em nota distribuída deixou claro que problemas de entregas não resolvidos representaram menos de 5% do total, e que o produtor brasileiro em sua imensa maioria continua honrando seus compromissos.
Sabemos que é difícil perante a diferença de preço vigente, como também os problemas de seca e geada que afetaram as entregas de 22 e 23, porem é bom lembrar que a modalidade trás uma importante fonte de liquidez ao produtor e que os compradores também em sua grande maioria honraram os contratos no passado quando a diferença de preço favorecia os produtores.

E aqui mais uma questão que os produtores brasileiros possam ajudar a responder (eu diria quase uma enquete). Essa semana circularam fotos pelos grupos sociais que mostravam perda de botões floriais e/ou chumbinhos por algo que nas fotos lembrava um pouco Phoma. Conversando com alguns produtores, é visívela preocupação com a questão do “pegamento” dessa florada.

A RR Consultoria, pela sua grande abrangência no Arábica, me trouxe o seguinte:

  • MOISÉS ALVES: “No giro pelas lavouras essa semana pelo Sul de Minas e Mogiana, pude ver situações muito adversas. Lavouras irrigadas com pior pegamento que sequeiro, apesar de distantes. Outras com grande floração, mas parece que os frutos caíram junto com as flores”.
  • MARCOS PIMENTA: “Aqui no Cerrado Mineiro e Goiás, situação complicada. Lavouras mais novas e irrigadas com boa floração e “pegamento”, mas muitas outras adultas tiveram boa floração e baixíssimo pegamento. Região da Chapada parece ter menos problemas, mas ainda aguardamos alguns dias para avaliação”.
  • FERNANDO DINIZ: “muita variação no pegamento, mas as lavouras irrigadas mostram melhor pegamento, tanto na região da Alta Mogiana, Sul de Minas e Oeste de SP. Na maioria das lavouras temos problemas nunca vistos antes”.
  • “Sem chances de safra alta. As lavouras tiveram muita dificuldade em atravessar grande período de stresses abióticos (secas, frio intenso e geadas), o que faz chegar nessa fase muito debilitadas, colocando em xeque a questão de reservas e pegamento”, disse Régis Ricco, também da RR Consultoria.

Começa a ficar mais claro que realmente dois anos de seca, ajudado por uma forte geada, criou um stress que até o resistente Café sentiu. Na média Brasil, seria esta apenas uma razoável florada???

Mercado continua consolidando. Tendência continua positiva.

Boa semana a todos !

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.

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