Até onde vamos???
Voltando a lembrar as palavras do Ex Secretário do Tesouro Americano: nunca é boa ideia ir contra uma tendência. Com o dezembro entrando em fase de liquidação em NYC, os meses futuros morreram na questão do carrego. Com o devido capital e volume, uma importante fonte de resultados das tradings eram as operações de carrego. O mercado de NY já não está pagando para ninguém carregar café. Menos um fator de hedge.
Nos últimos dias observamos um bom volume de fixações por parte dos torradores, não de toda uma surpresa, já que a subida foi tão rápida a partir dos 204 centavos que com certeza, várias precificações ficaram para um último suspiro de uma correção. Estrategicamente até diria que estavam certos após os números do estoques americanos mostrarem um recuo bem módico (na minha opinião), e o mercado poderia muito bem ter realizado uma liquidação. Isto só mostra como novamente o mercado não acredita que já chegamos no topo.
DEMANDA INTERNA: pessoal, tá complicado para saber o que realmente está acontecendo. Dando uma fugida no supermercado hoje em São Paulo, a marca mais competitiva estava a $14 reais/500 gramas. Várias outras na faixa de $15/20 reais.
O que escuto de amigos envolvidos na venda é que realmente foi difícil fechar os dois últimos meses, porém esperam manter os orçamentos para Novembro e Dezembro.
Quase $40 reais frente a uma inflação generalizada deve pesar… porém, historicamente a inelasticidade do consumo frente a aumento de preços em café é documentada. Eu diria que o “ralo da pia” deixou de ser um cliente frequente. Na ponta, conversando com um bom amigo, dono de 4 cafeterias no centro-oeste, que obviamente reclamou do aumento de tudo (dissídio, energia, aluguel, royalty, leite, etc) mas que no momento esta mantendo o mesmo volume diário de vendas. Ele vende o cafezinho à $4 reais (no inicio do ano vendia a $3 reais).
DEMANDA EXTERNA: essa está um pouco mais fácil: se houve queda, é no máximo marginal. Conversando com pessoas ligadas a redes de café na Europa, a informação é que o café no momento nem é o principal custo (novamente falando de energia, custo de mão de obra, leite, etc), e que existe um bom espaço ainda para que o consumo sofra.
LAVOURAS: pessoal, não é terrorismo, existe realmente uma certa perda de chumbinhos nas lavouras, muito acima do que poderia ser considerado normal. É só olhar o movimento de bolsa e podemos ver que o próprio mercado já entende que este é um fator realmente importante e que vai impactar o total da safra.
Vai ser um trabalho ingrato dos colegas agrônomos realizarem o trabalho de pesquisa de campo e colocar um número na safra.
A tendência ainda é positiva. Devemos atingir os 250 centavos em um relativo curto espaço de tempo.
Boa semana a todos !
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
Todo o conteúdo deste comentário e análise é de responsabilidade deste analista.