Nesta semana o mercado se manteve trabalhando na faixa de 231 a 242 centavos. Mercado mostrando que existem ainda muitas dúvidas sobre o tamanho das duas safras (a que estamos e a que está a se formar), e quando duvida, digo qual o tamanho do problema. O mercado sabe que existe um problema (a contínua queda dos estoques + atrasos logísticos + menores embarques Brasil), mas ao mesmo tempo esperam números mais concretos sobre o consumo.

O compasso de espera do mercado, face a rebalanceamento de portfólios de fundos, a clara indicação do FED Americano de pelo menos dois aumentos de juros em 2022, e o aumento de internações devido a nova cepa do COVID, na minha opinião mostram uma boa resiliência do mercado de café.
Os estoques GCA caíram cerca de 133 mil sacas para um total de 5,8 milhões de sacas. É mais uma queda nos estoques, porém uma queda relativamente média perante as expectativas (ainda equivalem a 11-12 semanas de consumo USA+Canada) e 1,8 milhões de sacas acima do nível histórico mais baixo registrado em 2011 (4 milhões de sacas). Os estoques certificados mostram um total de 1,5 milhões de sacas.

Importante notar que as safras de Colômbia e America Central começam a entrar com mais força no mercado a partir de agora, com a soma de todas as safras chegando um pouco acima dos 30 milhões de sacas.
Com estes níveis de preços, posso ver um incentivo de exportação e recuperação (ou pelo menos manutenção dos estoques certificados pelos próximos meses).

O USDA divulgou nesta última sexta-feira seus dados sobre o Café… Nenhuma grande surpresa. Aumentaram a safra mundial de Arábica em quase 2 milhões de sacas. Como mantiveram o número Brasil inalterado, na minha opinião estão apenas ajustando a tendência de “sair mais café do mato” globalmente nos níveis atuais de preços. No relatório, a safra de Arábica (global) cai cerca de 13 milhões de sacas (de quase 102 para 89 milhões) entre safras 20-21 e 21-22… a de Robusta cresce.
O número Brasil inalterado ainda está em 56 milhões de sacas mostra que estão cerca de 4 milhões de sacas acima da média (repito: a média) das estimativas de privados e CONAB. A única “pequena surpresa” foi um leve ajuste para baixo no consumo, com um crescimento de 0,9% sobre 20-21, chegando à cerca de 165 milhões de sacas. Na minha opinião, esse ajuste de números não ameniza a questão de provável déficit na oferta de Arábica.

Os números do RABOBANK acima de 2% podem até ser muito agressivos, mas na minha opinião o número do USDA (abaixo de 1%) é muito conservador. Acho que a realidade, já ajustando para os aumentos de preços, está no meio do caminho. Resumindo… é um relatório conservador!!
Depois das somas, o superávit de 2,6 milhões de sacas é possível, mas improvável, e basicamente sustentado na queda de consumo e aumento de Robusta.

A CONAB também divulgou seus números para esta safra nesta última semana. Os números de Arábica em 31,4 milhões de sacas basicamente em linha com a média de previsões de privados, e os números de Conilon em 16 milhões, cerca de 4 milhões abaixo de média das estimativas.

Pessoal… como a gente vem conversando, a safra atual zera o superávit de Arábica globalmente. Os efeitos seca + geada criaram uma grande incerteza sobre a próxima safra a ser colhida (que em teoria deveria ser uma grande safra no Brasil).

Considerando o número conservador do USDA de consumo (+0.9%), ou aumentamos a oferta global de Arábica em pelo menos 11 milhões de sacas, ou precisamos ainda mais produção de Robusta e também uma maior participação nos blends (amigos compradores e controllers, boa sorte contra o pessoal de qualidade e marketing).
Aceito sugestões mas não vejo de onde pode sair mais Arábica à nível mundial… Ou seja, precisamos ver estimativas Brasil perto dos 42/43 milhões de sacas antes do inverno de 2022 e da próxima florada, para este mercado se manter abaixo dos 2,50 centavos.

Mercado ainda com viés positivo com bom suporte a níveis atuais.

Nosso comentário agora entra em recesso, volta na primeira quinzena de Janeiro.

Desejo boas festas a todos e que tenhamos um ano novo de saúde e realizações!
Joseph Junqueira de M. Reiner

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.