O mercado continua trabalhando dentro da faixa entre 231 a 242 centavos no curto prazo, e uma faixa de 220 a 250 centavos em uma escala mais ampla. Os fundos que atuam mais no curto prazo ainda mantém uma posição comprada significativa, mas vem diminuído esta posição nas últimas semanas, em percentuais módicos. Ao contrário, os fundos que operam mais no longo prazo tem aumentado a posição, também em percentuais módicos. Net-net poucas mudanças.

Os estoques certificados novamente mostraram uma pequena queda, agora com um total de 1,492 milhões de sacas entre EEUU e USA.

A OIC também fez revisões no seu último número de safra, com mudanças marginais tanto na produção como no consumo.

Na produção um aumento de 18 mil sacas, e no consumo uma queda de 423 mil sacas, pouco mudando o superávit global já anunciado anteriormente para esta safra.

Como já comentamos, mudanças percentuais no consumo global e na safra Brasil, mudam o número de positivo para negativo  muito rapidamente.

Uma exportadora Sul Mineira também saiu com um estimativa de safra de Arábica de 39,5 milhões para 2022. Mais uma estimativa que vem abaixo dos 40 milhões de sacas de Arábica.

O mercado interno continua bem firme, com poucos negócios reportados (o que é relativamente normal para esta época do ano).

As importantes chuvas que vem caindo na última semana realmente são uma benção, porém em determinadas localidades o volume e intensidade foram tão altos que temos relatos de mais queda precipitada de frutos. Por outro lado, onde as chuvas foram constantes, foi na hora certa para suporte a granação.

Vale lembrar também que várias áreas produtoras no sul de São Paulo e norte do Paraná, receberam chuvas bem abaixo dos volumes registrados em Minas. Pode não ser uma região de expressão em termos de produção total, mas lá quem ficou com café são os “profissionais”, e tenho amigos que produzem muito bem, acusando quebras de até 30% (sendo que um deles irriga parte da propriedade e não sofreu dano com a geada).

Outro ponto já muito falado mas que temos que relembrar são os custos dos insumos. Em algumas regiões a tonelada de fertilizante chega a $4 e até $5 mil reais. Alguns herbicidas, mesmo caríssimos, nem se consegue achar.

Também poucos negócios reportados na exportação. O custo logístico está tão alto e incerto, que os importadores tentam precificar isto nas operações. Os problema é que, na atual situação fica bastante difícil o exportador empurrar para o produtor.

Estamos com média de 45-60 dias de atrasos nos embarques então o livro de 2021 de Brasil ainda está escoando.

Estamos no full swing das safras dos Centrais e Colombianos, então a equação dos custos logísticos dentro dos diferenciais vai ser realmente na ponta do lápis.

Pessoal, na verdade teremos 5/6 meses de idas e vindas, mas temos algumas certezas:

1.         Temos mais um inverno pela frente e mais uma florada depois do inverno;

2.         A não ser que o consumo desmorone, o mercado vai continuar invertido.

O mercado invertido é visto como uma oportunidade por torradores, pois conseguem fixar o preço por longos prazos, sem pagar o prêmio do carrego. Apesar disso, eles dificilmente vão querer fazer isto agora no provável pico (ou perto do pico) do mercado. Vão querer fixar após uma ótima florada em setembro quando a estrutura da inversão se mantém, mas o mercado pode desabar para baixo de 200 centavos.

Claro que os produtores podem sempre especular com o inverno e a florada, porém deveríamos pensar se nestes picos de especulação durante o inverno ou pré florada seja exatamente o momento ideal para vendas futuras.

Esqueçam o prêmio do carrego (que normalmente ja é em termos descontado pelos compradores nos juros e nos diferencias pagos), pensem no valor nominal.

Boa semana a todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.