O mercado ainda mantém a mesma faixa de atuação, e com a mesma volatilidade diária. A única mudança mais estrutural foi o enfraquecimento do dólar perante ao Real.
Com a quase certa subida dos juros nos USA, todos os ativos que possuem uma volatilidade inerente (empresas tech, bitcoin, etc…) tendem a se desvalorizar. Se a atividade econômica realmente se retrair, até o Petróleo terá uma retração… o mesmo Petróleo que no momento puxa no sentido de $100 dólares o barril, e segura vários indexes de commodities.
Ainda sou da opinião que café mostra uma notável resiliência neste cenário, muito em função das sérias dúvidas que ainda pairam sobre a safra brasileira de Arábica.
Outras commodities importantes como soja e milho, após perdas no último semestre também mostram uma oferta e procura global um pouco mais apertada do que se previa alguns meses atrás.
A correlação inflação & preços de commodities nunca foi uma regra muito útil. Enquanto pairarem as dúvidas do tamanho da safra Brasil, a situação dos juros terá um efeito muito maior no câmbio (efeito indireto) do que na tendência do café.
Os estoques certificados continuam sua constante queda. Época chave agora, pois teremos que ver as certificações dos cafés lavados de América Central e Colômbia recuperarem estes estoques, pelo menos parcialmente. A maior queda que o GCA ainda não mostrou, também começa a surpreender uma não recuperação mais rápida dos certificados.
Esta semana tivemos importantes estimativas de safra saindo. O primeiro foi da CONAB que estima a safra brasileira no pé em 55,74 milhões de sacas, sendo 38,78 de Arábica e 16,96 de Conilon.
Pessoalmente acho que o número de Conilon será eventualmente maior.
Gostaria aqui de atestar que no tempo que estive trabalhando no MAPA, tive a oportunidade de entender os processos de governança do FUNCAFE, bem como dos processos de análise de safra da CONAB. Posso dizer que fiquei bastante surpreso, principalmente pelo esforço que os técnicos da CONAB vinham fazendo para tecnificar os estudos, eliminar vieses politicos, e trazer credibilidade para os números.
Nunca tive dúvidas sobre o processo de governança do FUNCAFE. O processo é muito bem amarrado e controlado não somente por excelentes técnicos do MAPA, mas também pelo tesouro.
Outro importante número divulgado foi o da Volcafe, tradicional exportadora e conhecida por trabalhos diligentes de estimativas de safra. A Volcafe estima a safra de Arábica brasileira em 37,5 milhões de sacas, mostrando um déficit global de 1,4 milhões de sacas (seguindo um déficit atual de 11 milhões). A empresa também reduziu o consumo global para 1% este ano e 0,7% no próximo ano (uma redução de cerca de 0.5% e 0,8% respectivamente da última estimativa de 1.5% de crescimento).
Dependendo do número total de consumo, isto pode significar ate 1,5 milhões a mais de déficit caso os 1,5% se confirmem.
Estamos então considerando um número perto de 40 milhões de Arábica Brasil para zerarmos um deficit global, e pelo menos 43 milhões para termos um superávit mínimo como uma garantia de “certa“ estabilidade.
Apesar dos enormes entraves logísticos, o Brasil exportou em 2021 40,4 milhões de sacas. Isto significa um declínio de 9,7% em cima de 44.5 milhões de sacas exportados em 2020. Importante lembrar que o percentual de declínio vem aumentando mês a mês. A tendência não deve mudar.
A demanda na exportação continua relativamente fraca. Olho nos estoques nos países consumidores!
Mercado interno firme!
Dólar e NYC nos swings do mercado!
Ótima semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.