O mercado de café continua sofrendo com a volatilidade global provocada pela guerra na Ucrânia. Está claro que o mercado enxerga risco para a demanda de café, com os problemas econômicos globais gerados pela instabilidade e altos preços de combustíveis e alimentos.

Até mesmo a demanda de café na Rússia e Ucrânia (entre 5-6 milhões de casas) que com certeza sofrerá com a guerra e embargo econômico, acaba trazendo “mais café“ para o mercado.

Na semana o mercado perdeu força e acabou pouco acima dos 221 centavos.

Como comentamos nas nossas últimas conversas semanais, não existe mudança nos fundamentos de produção… ao contrário, existem fortes indícios de uma menor safra na Colômbia e Honduras. Isto reflete ainda mais, já que estamos chegando na rabeira da safra de Colômbia e Centrais, com aparentemente nenhuma mudança na direção dos estoques nos países consumidores.

É exatamente na demanda que o mercado pode perceber um risco maior, como citamos acima. As exportações mundiais de café totalizaram cerca de 11 milhões de sacas em janeiro, um pequeno aumento em relação a janeiro de 2021 (10,6 milhões de sacas). Já o acumulado Outubro – Janeiro safra a safra mostram basicamente os mesmos números na casa de 42 milhões de sacas (um pequeno recuo de 1,65% em 21/22). Já as exportações brasileiras de Fevereiro totalizaram 3,4 milhões de sacas, representando um leve acréscimo de 1,6% frente a Janeiro e um recuo de 13,6% em relação a Fevereiro de 2021.

No campo logístico, aparentemente existe uma pequena melhora na situação de containers, porém a situação da logística de portos e os supply chains anexos continuam em crise. Nós USA os portos continuam totalmente congestionados, e a demora em retirar café de armazéns chega a quase 1 mês em alguns portos por simples falta de caminhões.

O impacto em custo é muito alto e somado aos preços atuais do café, criam uma situação de desequilíbrio para muitos pequenos e médios torradores.

Impacto também poderemos sofrer (no curto e médio prazo) com a situação de fertilizantes e óleo diesel. Quando o próprio Ministro indicou que, com o prolongamento do conflito poderemos ver países com situação de desabastecimento, subimos a bandeira de alerta.

Almoçando com um experiente importador americano esta semana, fiz aquela famosa pergunta de 1 milhão de dólares: para onde você acha o mercado está direcionando?

A resposta: guerra prolongada, instabilidade econômica e inflação, inverno Brasil, florada Brasil, problemas Colômbia e Centrais… Mercado pode ir  a 150 centavos, ou para 400 centavos. Sim… exato… não ajudei nada, porém a mensagem é: vamos continuar com alta volatilidade e movimentações bruscas.

Desejo uma ótima semana à todos!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.