O mercado parecia pronto para testar os níveis de 200 centavos, porém conseguiu reagir e fechar basicamente inalterado na semana. Fica claro que o mercado de café segue os humores dos mercados a cada lance que aumenta ou diminui a volatilidade global (seja a guerra na Ucrânia, seja os novos surtos de Covid na China) e que indique um potencial problema de crescimento econômico.
O mercado vem subindo desde o ano passado baseado nos problemas de seca e geada do maior produtor do mundo, suportado pela volta da normalidade após a pandemia e consequente crescimento econômico e suporte ao consumo.
Este cenário estava criando um déficit entre produção e consumo, que vinha fortemente suportando o mercado. Novos cenários que impactam crescimento econômico e consequente piora no cenário de consumo, está impactando o café diretamente, pois começam os questionamentos de qual realmente seria o tamanho do déficit e também um maior apetite para sumir riscos de troca de blends que afetariam a percepção de qualidade.
Quando comentamos que não existe coisa melhor do mundo do que altos preços para tirar café do mato, os números de exportação da Ásia e África (principalmente robusta) mostram crescimento, ano a ano safra, de quase 20%.
América Central também mostrou bom crescimento de exportação nesta safra, porém lembrando que a safra passada havia sido fortemente impactada por problemas climáticos. Com isso, os últimos números do GCA refletem, de certa maneira, o cenário neste mês com um aumento de mais de 350 mil sacas para 6.15 milhões de sacas. É o primeiro aumento desde Agosto de 2021.
Os estoques certificados estão em torno 1,06 milhões de sacas, estancando a queda e mantendo os estoques acima de 1 milhão de sacas.
Por outro lado como comentamos semana passada, o “rabo“ da safra de Colômbia e Honduras não parece promissor no sentido de fechar com os números esperados.
No mercado interno a comercialização continua bastante travada, e ao tempo que vamos chegando perto de uma nova colheita , muitos armazéns continuam com bastante café. Comercializado ou não, a questão que a falta de giro no mercado é nítida.
Muitas incertezas… Muita volatilidade… Admitir que a tendência do mercado é somente subir, e que correção criou um novo espaço para o mercado novamente testar 242 centavos acima, pode ser um erro. Não é mais tão nítido por fatores que possam estar afetando a demanda (guerra, novas ondas covid, inflação, etc…).
Ainda sou otimista a novos testes do mercado acima de 242 centavos, frente a chegada do inverno brasileiro, mas novas oportunidades de vendas não devem ser menosprezadas.
Boa semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.