O mercado encerrou sexta-feira base Maio, em 228,40 centavos. Uma pequena melhora em relação à última sexta feira. Base 31 de março, os estoques certificados tiveram uma pequena queda, mas ainda permanecem acima de 1 milhão de sacas, e neste mês tiveram um aumento de cerca de 77 mil sacas. Os estoques continuam sendo basicamente Honduras e Brasil em sua origem. O grande percentual continua nos portos Europeus.
O ECF (European Coffee federation) também apresentou seu report de estoques esta semana. Base Fevereiro houve um decréscimo de 1,3% nos Arábicas lavados e aumento de 2,6% nos Arábicas naturais. Robusta inalterado.
Ano a ano vemos um decréscimo de 26% nos Arábicas lavados e 20% nos naturais. Robustas queda de 9%.
Alguns meses atrás havíamos mencionado que em tendência geral, o Banco Goldman Sachs sinalizava a continuação do super ciclo de commodities que havia se iniciado ano passado com a volta da demanda de bens e serviços pós pandemia. Bom, as bolsas de commodities estão fechando o melhor trimestre em 30 anos, obviamente aqui também inflacionado pela guerra Rússia/Ucrânia. Petróleo subiu mais de 30%, Milho 26% e vai por ai afora.
Investidores continuam aumentado seu foco em Commodities via ETF’s , avaliando ser um bom hedge contra inflação (debativel!), enquanto o trade se manteve estável em suas posições, e em commodities agrícolas tivemos até mais fixações e vendas ultimamente. Ou seja, mais capital volátil em cima de um mercado que mora na volatilidade.
Ahh, sem esquecer… ninguém perdeu?? Sim, os softs: café, cacau e algodão (somente relembrando no trimestre …. Café saímos de 150 centavos ano passado pós seca/geada).
O Real continua firme e forte. Dólares continuam entrando. Este é outro mercado que começa a se mostrar bastante atraente frente ao que pode vir a seguir como comentamos semana passada: contínuo aumento dos juros nos USA, acordo de paz na guerra, eleições no Brasil.
Aqui o vai e vem político de quem fica ou quem sai ali no meio campo continua em ritmo forte, e no final ainda não temos um candidato de centro. A realidade porém, de todas as pesquisas, é a queda da diferença entre Lula e Bolsonaro. As chances de Lula levar no primeiro turno hoje, são quase inexistentes, o que também no curto o prazo não serve de combustível para o Dólar.
Tecnicamente, o fechamento acima de 228 centavos foi bem positivo após o vai e vem da semana. Única coisa que podemos garantir é que a semana não será tranquila.
No mercado externo aumentam as notícias sobre uma possível decepção com o final da safra em Honduras, onde agora vários reports mostram que realmente a safra não vai atingir o potencial esperado. Mais uma fonte de certificados que seca antes do esperado.
Internamente, o maior exportador brasileiro, a COOXUPÉ, relatou que espera embarcar 5,9 milhões de sacas em 2022. Isto se concretizando, seria um aumento de 20% em cima de 2021, onde eles exportaram 4,9 milhões de sacas. Segundo a Cooperativa, a situação logística tem melhorado, e também já foram exportadas mais de 300 mil sacas na modalidade “break bulk“ (em big bags nos porões dos navios). Na entrevista a Cooperativa também deu importância ao fato da ótima recuperação das lavouras.
Não tenho visto ultimamente dados sobre demanda, porém, em duas viagens internacionais que fiz nos últimos dois meses (USA e Oriente Médio), volto com uma ótima sensação de observar os cafés cheios e o crescimento das compras on line. Obviamente são observações empíricas, mas cafés cheios são sempre uma visão bem vinda!
Desculpem, mas vou continuar com a mantra: Muitas incertezas. Muita volatilidade. Admitir que a tendência do mercado é somente subir, e que correção criou um novo espaço para o mercado novamente testar 242 centavos acima, pode ser um erro. Não é mais tão nítido por fatores que possam estar afetando a demanda (guerra, novas ondas covid, inflação ,etc…).
Ainda sou otimista a novos testes do mercado acima de 242 centavos, frente à chegada do inverno brasileiro, mas novas oportunidades de vendas não devem ser menosprezadas.”
Boa semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.