Semana foi de relativa estabilidade com o mercado dando um respiro, flutuando entre 170 e 180 cts base NYC. O mercado continua de certa forma descontando os números de quebra devido as últimas geadas, porém ainda cerca de 15% acima, aonde apenas acenava os riscos prováveis da seca (houve dano, mas não tão significativo).

Continuo com a opinião de que estamos em período curto de consolidação e que os fatores climáticos vão voltar a cena com rapidez. Os relatórios climáticos não ajudam muito… vimos desde uma próxima frente fria podendo ser um pouco mais forte do que se imaginava, até relatórios indicando um Agosto chuvoso (????). Hoje em dia tudo é possível. Volto a dividir com vocês que a minha maior preocupação é o déficit hídrico, porém, não se surpreendam se realmente ocorrerem chuvas boas em Agosto e o mercado testar novamente a faixa dos 150 cts (ou até como comentamos, se números de quebras pequenos forem surgindo).

Do ponto de vista macro, pouco mudou no geral esta semana.

Sobre outras origens, a Colômbia parece ter voltado a normalidade, embarcando em Julho, quase 9% a mais que no mesmo período do ano passado.

Até o dia 5 tinhamos 2.166.366 de estoques de cafés certificados na bolsa de NYC, sendo que 93,67% estão na Europa. Grande parte destes estoques, de origem Brasil e Honduras.

A arbitragem de preco entre as bolsas de Arábica e Robustas mostra ainda um forte desconto de preços nos Robustas, o que continua sendo um tremendo incentivo de compra de Robustas por torradores. 

No mercado físico pouca oferta de volume para uma colheita que já beira os 80%. Muitas entregas de vendas futuras ainda se realizando e também muita preocupação com as entregas do ano que vem. A situação é bastante delicada e vai exigir muita calma de ambos os lados. Muitos produtores ja estão se movimentando e contratando peritos técnicos para avaliação dos danos. Do outro lado, exportadores estarão enviando seus agrônomos a campo para avaliar as perdas relativas aos contratos efetuados.

A negociação sempre será a melhor saída, pois ambos perdem com o litígio (neste caso especifico de ocorrência de força maior) gerando um forte desiquilíbrio econômico nos contratos.

O governo já acenou com a liberação de R$1 bilhão para auxilio aos produtores atingidos pela geadas. Detalhes ainda estão por vir, mas foi pedido a retenção de 20% do Fundo do Funcafé para o caixa deste auxilio.

A demanda externa começa a se mexer um pouco mais. Alguns relatórios de brokers internacionais já levantam a dificuldade de ofertas de café RIO, e uma demanda começando a ficar bem preocupada.

Os fretes marítimos continuam sua escalada de custo. Exportadores menores sem contratos com armadores já estão pagando entre 8 a 10 mil reais o container, dependendo do destino. Um café Fino, que na reposição possa estar na faixa NY-10, acaba chegando no destino a NY+10.

Temos observado vários anúncios de aumento de preços por parte de torradores, tanto aqui como no exterior. Ainda sou da opinião que, nestes níveis atuais de preços, não teremos destruição de demanda significativa nos países consumidores do hemisfério norte.

Como já dizia sabiamente um dos grandes secretários do Tesouro dos EUA (e também executivo do Goldman Sachs), Robert Rubin: nunca lute contra uma tendência de mercado… mesmo que vc tenha certeza que esteja certo, pois por maior que vc seja, o mercado vai te esmagar!!… ou seja, muita calma e paciência agora.

Boa semana a todos !

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.

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