O mercado fechou base Julho em 232,60 centavos na última semana, cerca de 3 centavos acima do fechamento de sexta anterior. Redundante comentar, mas a semana foi novamente de razoável volatilidade, com o mercado chegando a flutuar perto dos 240 centavos.
Não existe nada de novo frente as notícias da semana retrasada:
- Rumores de números mais baixos no mercado da safra de Arábica;
- Nada no front em termos do FED Americano e a manutenção da valorização do Real;
- Relaxamento das medidas restritivas na China;
- Seca (sim, seca no inverno brasileiro) e depois a queda no final da semana com a expectativa de chuvas para o cinturão do café na próxima semana.
Outro fator de suporte foi a renovada queda dos estoques certificados durante a semana em um ritmo mais acelerado.
Com o “rabo” da safra da América Central se encerrando e os fortes diferenciais Colombianos, não sobram muitas alternativas de reposição, a não ser o Brasil.
E no entanto, mesmo o Brasil, quando somamos o custo e atrasos logísticos, ainda não é a melhor alternativa frente a simplesmente receber os certificados.
Uma das maneiras de aumentar o fluxo Brasil é exatamente NY puxando a alta para o diferencial Brasil alargar, e consequentemente observamos uma maior certificação de cafés Brasil.
Volto a somente ressaltar que, em teoria, temos Robusta suficiente no mercado para suprir um eventual déficit de Arábica (contando com uma flexibilização dos blends).
A arbitragem entre Londres e NY porém, precisa fechar (basicamente com uma subida de Londres) para principalmente, arrancar mais Conilon do Brasil para a exportação.
Com a melhora da situação logística, o Vietnam continua exportando forte.
A entrada do inverno e também o inicio da safra de Conilon trouxe uma maior movimentação no mercado interno principalmente por parte da indústria. Conilon começando a semana na faixa de $730 e chegando até $745 reais. Os lotes melhores de Arábica sendo negociados de $1.350 e $1.380 reais.
Um fato interessante, que me foi comentado por amigos produtores, foi uma acentuada perda de folhas após a frente fria do final de maio. Temperaturas que chegaram a apenas 2/3 graus de fazerem estragos significativos, aliados a alguns dias de ventos fortes, estão entre as prováveis causas. Segundo a RR Consultoria, a amplitude térmica (diferença entre as temperaturas máximas e mínimas num mesmo período) provoca perda acentuada de folhas.
As plantas reagem muito mal à essa condição e expulsa muitas folhas. Isso pode trazer, além de doenças, mais problemas na fase de “pegamento da florada” em Outubro, onde a relação desproporcional entre “folha & fruto”, pode mostrar prejuízos e consequente quebra de safra, disseram os agrônomos, Moisés Alves (Sul de Minas e Mogiana) e Marcos Pimenta (Cerrado, sul, Chapada de Minas e Goiás), ambos da equipe de consultores da RR Consultoria Rural, que abrange mais de 30 mil hectares de assistência em Arábica.
A valorização de NY em quase 20% desde o início de Maio, e a manutenção das posições compradas por parte dos fundos, dão suporte ao mercado.
O mercado defendeu bem os 200 centavos e não olhou mais para trás. Tecnicamente deveríamos ter um bom suporte por volta dos 226 centavos. Nada de novo, porém a volatilidade vai continuar. Com a alta dos juros, custos em alta, perda do carrego, o trade deve estar trabalhando bem justo. O torrefador então nem se fala.
Os estoques certificados voltando a cair, e os estoques gerais cobrindo talvez 12 semanas de consumo. Acima de $1.400 reais bem provável veremos mais vendas do produtor, e o Conilon possivelmente ainda uma maior subida… mais para arrancar um volume maior de exportação.
O mercado precisa dos 60 milhões de sacas do Brasil… e vai precisar ainda mais do que vem da florada de setembro.
Boa semana a todos !
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.