O mercado fechou sexta-feira a 227,40 centavos, base Setembro. Basicamente inalterado perante o fechamento de sexta-feira retrasada.
Talvez a principal notícia da semana foi a movimentação de, possivelmente até 250 mil sacas de cafés certificados que estão na Europa, para os USA. Sinceramente, até demorou para alguma trader fazer esta movimentação, pois com os descontos de “tempo“ destes cafés, ficava uma arbitragem de fretes e também do diferencial dos cafés novos para o gatilho ser acionado.
Cafés safra corrente da América Central e Colômbia estão com prêmios bastante elevado perante NYC e temos observado que novos lotes para certificação estão minguando, obviamente com os prêmios elevados, eles estão indo direto a mercado. Ou seja, em termos de “precinho bom“ é o que sobrou.
Em números gerais, os estoques certificados caíram abaixo de 1 milhão de sacas, tendo esta semana acelerado novamente a retirada.
Também tivemos esta semana a divulgação do estoques do GCA (Green Coffee Association), que são os estoques nos armazéns nos portos do USA. Tivemos um aumento de cerca de 97 mil sacas, para um total de 6 milhões de sacas (cerca de 2,5 meses de consumo).
No macro, o FED americano jogou a toalha (muito que aprender com o nosso BC), e aumentou os juros nos USA em 0,75%. O impacto no Real foi imediato, com o dólar indo acima dos $5,10 reais. Em teoria, com o Real mais fraco e NYC se mantendo perto dos 230 centavos, deveríamos ter observado mais cafés sendo comercializados.
Ok, concordo… começo de safra etc, etc… mas, de todas as fontes confiáveis, temos ouvido que tá tudo um pouquinho a menos que o esperado. Os talhões iniciais onde iria colher 35 sacas por hectare, colheu 32… outro que iria colher 32, colheu 29 e por aí vai… a “renda“ do café, como já comentamos na semana passada, tem o mesmo viés… sempre um pouquinho pior que o esperado.
É início de colheita… está ainda com bastante verde… achamos que vai melhorar, etc, etc… são os comentários.
Outro ponto, apesar de muitas cooperativas do Sul de Minas não divulgarem seus estoques, segundo fontes, as entradas até o momento estão aquém do esperado. Vários fatores podem causar isto (como sabemos), não somente uma safra menor do que a esperada… porém, são fatores que acendem uma luzinha amarela e exigem uma observação por parte dos produtores.
A maior Cooperativa e também o maior exportador brasileiro, a COOXUPÉ, também divulgou esta semana que em sua área de abrangência, foi atingido o total de 9,55% colhido até o dia 10. Na mesma época no ano passado o mesmo percentual atingia 12,07%.
Do ponto de vista dos fundamentos, o mercado continua mostrando uma boa sustentação. Do ponto de vista macro, continuamos a observar sinais preocupantes em termos de inflação… preços do petróleo, preços dos grãos (guerra da Ucrânia) e o mercado global se balançando para não entrar em espiral recessivo.
O custo do dinheiro para pequenas e médias torrefações cada vez mais caro, e o fluxo de caixa necessário para manter uma operação cada vez mais difícil. Até mesmo para as grandes traders de café, manter o P&L no azul, não tem sido tarefa fácil… fora as operações de carrego, custos altos e clientes com problemas de crédito. Mesmo com a conhecida inelasticidade de café x recessões, não podemos subestimar o viés econômico negativo.
Um pequeno lucro não mata ninguém… lucro razoável menos ainda. Com operações financeiras acima de 15%, talvez seja bom não deixar todos os cafés numa só cestinha!! Principalmente olhando duas safras para frente.
Boa semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.