Mesmo devolvendo parte dos ganho da semana neste sexta feira (afinal era dia 13), NY fechou a semana com variação positiva, ainda dentro de um canal de consolidação. Se observarmos as variações dos contratos em aberto podemos observar que até quinta-feira não eram apenas realizações de lucros que puxava o mercado, mas sim novas compras entrando.
A primeira grande resistência técnica que o mercado necessita ultrapassar fica ao redor de 193 centavos, e quebrando esta resistência, novas compras técnicas devem entrar puxando o mercado novamente aos 2.00 centavos, porém até lá, estamos em um canal consolidado.
O mercado interno se movimentou bem mais esta semana, com algumas casas exportadoras voltando ao mercado para cobrir buracos de qualidade. A colheita já beira ou até ultrapassou os 90% e as entregas futuras estão sendo finalizadas.
O mercado foi franco para bebidas duras para melhor acima dos $1000 reais, e independente para que lado NY quebre, muito provavelmente este é o nivel mínimo que o produtor tem como objetivo.
Os boletins meteorológicos indicam possível frente com chuvas ao redor de 20-40mm para o Sul de Minas na última semana do mês, e outra de mesma intensidade para inicio de setembro. Após esta última frente fria começa oficialmente (novamente) a temporada do chove nao chove. Sinceramente espero que chova logo e bastante, pois rodando esta semana pelo estado de Sao Paulo, fiquei supreso com o nível de desfolha de lavouras que não foram atingidas por geada (é claro, que não tem irrigação). Sabemos da resiliência e recuperação dos cafeeiros, mas após seca e frio, nao sei realmente qual impacto agronômico após tanto stress.
Como também já frisei, mais perdas nao seria benéfico para ninguém neste ponto. Somente atentem ao risco de que, se as frentes realmente produzirem boas chuvas, o mercado de NY pode muito bem testar os níveis próximos de 1,50 centavos. Pobre de quem esteja short diferencial!
Demanda externa continua fraca (com exceção de casa para casa – importadores com filiais no Brasil – onde temos pouca visbilidade).
Interesse em negócios, mais no Rio Minas, e a pouca demanda de Grupo 1 que chegou, estavam em diferenciais abaixo da paridade do mercado interno, que hoje continua sendo o melhor comprador.
Chegando neste ponto da colheita podemos obervar o nível de estoques nos armazéns privados em níveis até razoáveis, mas nas cooperativas a situação é diferente.
Consolidação de grandes lotes para compras de volume vai ser outro pepino grande .
Continuam os anúncios de aumento de preços por parte de torradores, tanto aqui como no exterior. Ainda sou da opinião que nestes níveis atuais de preços, não teremos destruição de demanda significativa nos países consumidores do hemisfério norte. Alguns relatórios inclusive já citam que mesmo a inflação no USA já estando em níveis bem altos (para o padrão deles), os aumentos atuais no preco do café não terão impacto significativo no consumo. Dados de vendas de supermercados nos USA indicam que voltaremos este ano no mesmo valor de vendas de café que em 2019, ou até um pouco maior (o que faz sentido com os aumentos de preços). O mercado vai ficar bem interessante , pois torrefadores grandes possuem políticas mínimas de cobertura de preços, e podem escolher em batalhar por mais market share (sem aumentos) ou melhorar rentabilidade (já aumentando preços). Torrefadores menores são quase obrigados a acompanhar a política regional dos grandes, e estes sim podem ter a vida bem mais difícil (à nível de Key Accounts). Mercados com altas volatilidades são mercados de muitas oportunidades nas pontas. É so ter caixa!!
A mesma opinião temos de empresas mais relacionadas à cafeterias, onde com o fim das restrições de COVID, mesmo com verão, os volumes de vendas tem recuperado bem (cafés gelados e bebidas geladas a base de café com bom crescimento – a qualidade também melhorou bem). Ou seja, nos USA, ainda não matamos a galinha dos ovos de ouro.
Tenho poucos dados ainda da EEUU, onde o consumidor costuma ser mais “conservador“ com os gastos, e não se incomodam tanto em migrar para marcas mais econômicas ou private label.
Fretes marítimos: a saga continua!!… Bem provável o café acompanhar a mesma curva!!
Boa semana a todos!!!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.
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