O mercado sexta-feira encerrou o pregão a 220,45 centavos base setembro, contra 224,65 centavos na sexta-feira retrasada. Pelo menos esta sexta-feira fechou em alta, contrariando nosso algoritmo caseiro. Temos uma série de indicadores técnicos perto do nível de 225 centavos, e se o mercado conseguir manter fechamentos acima destes níveis, temos boa chance de entrada de mais liquidez de curto prazo, chegando a até 232 centavos.
Aparentemente, pelo discurso do FED esta semana, continua a intenção de aumentar novamente a taxa de juros em 0,75 pontos percentuais, mesmo porque o nível de empregos nos USA continua mostrando força. Caso isto venha a ocorrer, o spread de juros Brasil voltará a diminuir e teremos a tendência da contínua volatilidade do dólar… isto poderá dar fôlego para o mercado testar os 210/211 centavos.
As PECs “kamikazes” também não ajudam muito, pois continuam acenando um possível rombo fiscal.
O Real teve uma recuperação no final da semana, mas pode ser muito mais realizações de lucros nas posições compradas, bem como algumas compras specs na bolsa de valores brasileiras, que muitos especialistas acham estar sub-valorizada.
No frigir dos ovos, o macro no curto prazo continua muito volátil, e os fundamentos para uma maior valorização do Real, não são muito fortes.
Nos fundamentos do físico, os estoques certificados continuam caindo, chegando na semana à 800 mil sacas, sendo ainda boa parte em portos europeus, com o percentual de cafés de Honduras subindo.
Nada mudou nesta tendencia. Segundo a consultoria Safras&Mercados, cerca de 48% da safra brasileira já foi colhida. A mesma consultoria estima a safra do Brasil em 61,1 milhões de sacas, sendo já colhidos 29,35 milhões… deste total, 14 milhões de Conilon e 15,35 de Arábica.
A COOXUPÉ também divulgou nova atualização, reportando que entre seus cooperados, a colheita atingiu 25,72%, sendo o Cerrado Mineiro a região mais atrasada com 16,55% colhidos.
A sensação no mercado físico do dia a dia, é de um mercado francamente comprador. O mercado lá fora ainda espera que o fluxo de café da safra brasileira melhore (sera?).
O segundo maior exportador de café, o Vietnam, registrou em Junho, 2,29 milhões de sacas exportadas. No ano safra deles, temos até agora um crescimento de 13,92% em comparação a do ano passado.
Continuo com a mesma conta de déficit na conta geral de Arábica e uma safra brasileira “travada“ no seu fluxo. Porém, sem querer ser repetitivo, existe alguns riscos que inumerei no relatório passado para os produtores.
Este pode muito bem ser um daqueles anos que, o acerto nas operações de venda, vão valer por três anos!
Boa semana a todos!
Joseph Junqueira de M. Reiner*
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.