Com mais uma sexta feira sangrenta (para não perder o hábito) mercado fechou a semana a 209,45 centavos base Setembro, com uma queda de quase 8 centavos frente ao fechamento de sexta-feira retrasada de 217,20 centavos.
Nada mudou muito esta semana. Os estoques certificados continuam sua derrocada, chegando perto dos 650 mil sacas, e com café destinado do Brasil indo embora rápido.
No macro, o dólar meio que se estabilizou, porém o numero de novos empregos criados nos USA liberado hoje de mais de 500 mil vagas criadas em diversos setores, indica um quase certo novo aumento de 0,50 a 0,75 pontos em Setembro. O número surpreendeu pois a pressão inflacionaria é significativa… existe muita especulação frente a uma recessão, como também vários gigantes (principalmente do vale do sílicio e do varejo indicavam corte de pessoal nos seus comunicados de resultados trimestrais).
Os volumes em NYC voltaram a aumentar, e o mercado continua com dificuldades de se sustentar acima de 220 centavos.
Ao mesmo tempo que o mercado reboteou forte abaixo dos 200 centavos, realmente levando a sério os problemas nas safras de Brasil e Colômbia, ele continua com resistência de voltarmos a trabalhar perto dos 250 centavos, frente a toda incerteza de inflação/recessão/consumo/tensões regionais (não só Ucrânia, agora o volume subiu também novamente em Taiwan).
Do lado dos fundamentos, também nenhuma grande novidade. Aumento de embarques na Costa Rica e diminuição em Honduras e Colômbia. Números já esperados.
Os diferencias continuam muito firmes para centrais e Colômbia (nestes níveis nada vai para certificação). O foco realmente é o Brasil.
No mercado físico interno, novamente uma semana um pouco mais movimentada. Mercado futuro 2023 para cereja chegando perto de $1.400 reais/saca, também comecamos a ver um pouco mais de negócios e interesse do produtor em vender.
Temos alguma previsão de frio para meados de Agosto, mas até o momento nada que possa indicar severidade. Algumas chuvas esparsas começando em algumas áreas, mais esperadas para meados de Agosto (porém com intensidade baixa, o que no momento até prejudica caso volte a secar até o inicio de Setembro). Ou seja, a sorte ainda está lançada na questão climática para o próximo ciclo de floradas.
Os riscos e as possibilidades em nada mudaram nesta semana passada. Se olharmos somente os estoques certificados, os diferenciais atuais caríssimos, uma safra Colombiana que realmente quebrou e uma brasileira que começa a ser colocada um dúvida, diríamos que o mercado tem todo fundamento para subir.
Novamente muito importante frisar que o macro (inflação/recessão/consumo/tensões regionais) pode sim frear uma reação do mercado até termos uma real noção da próxima florada. Esse vai ser o X Factor!!
Boa semana a todos!!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.