A bolsa de NY fechou a semana em um tom bem positivo, quebrando a resistência um pouco acima dos 1,90 centavos, como também o canal de alta acima dos 1,93 centavos. A manutenção do mercado acima dos 193 centavos indica próximo objetivo técnico nos 2,07 centavos. Novas coberturas estão entrando no mercado. Não passa desapercebido a condição de extrema seca (não que não seja época, mas a sequência de 2 anos e meio de chuvas abaixo do padrão necessário), bem como novos relatórios mostrando esta mesma situação.

Não quero aqui ficar criando clima de terror, mas sinceramente esta semana dirigindo na região de Varginha nunca vi tantos focos de incêndios. O frio intenso que tivemos este ano secou ainda mais a vegetação, o que está intensificando o risco. Na cidade de São Paulo hoje a noite e pela manhã tivemos um volume de chuva bastante razoável. Acabei de ligar na propriedade perto de Varginha e, apesar do céu encoberto, a equipe na fazenda relatou nada de chuva ainda. Espero que isto mude nas próximas horas para toda região, pois os modelos meteorológicos indicam a volta do calor após esta frente. Essa contínua mudança nas expectativas de chuvas na regiões produtoras foi um dos forte motivos da alta da semana.

O anuncio vindo do Vietnam relatando que, devido à explosão dos casos de Covid, os principais centros de exportação foram colocados em lockdown, também fortaleceu a estrutura do robusta (principalmente no Novembro). Não deve ter duração longa, porém foi mais um fator de restrição de oferta no curto prazo.

No fator macro, petróleo e gás também se firmaram com a chegada do furacão IDA ao Golfo do México.

Uma grande casa exportadora divulgou na semana, a expectativa de quebra de safra de 8 milhões de sacas (3,7 milhões de sacas pelas geadas + 4,3 milhões devido a seca). Minha opinião, até por respeito aos ótimos profissionais que lá trabalham, é que um número totalmente possível (8 milhões no total em 2022) porém no quadrante mínimo. Na minha opinião somente o efeito geada (digo efeito porque muitos produtores, mesmo com um dano de capote médio, estão partindo para o esqueletamento e consequente captura de produção e preços para 23 e 24) pode chegar aos 8 milhões de sacas.

Segundo Marcos Pimenta da RR Consultoria, a avaliação de quebra é muito difícil pois a extensão da área danificada e as diferentes percentagens danificadas (muitas vezes entre vizinhos) dificulta muito o cálculo. Comentou inclusive sobre várias lavouras com algo raro de se ver: com apenas a saia fortemente danificada, e a copa sem nenhum dano (numa visão aérea isso não é totalmente perceptível). Pimenta ainda enfatiza que a quebra devido a seca e geadas pode muito bem passar dos 10 milhões de sacas quando somado os danos. Podemos muito bem ter quase uma Colômbia de perda em 2022!!

A  ABICS (solúvel) também emitiu um relatório indicando uma queda de 7,4% nos embarques em 2021, considerando como fatores importantes, a perda de competitividade devido aos preços internos e a situação da logística.

Nenhuma grande novidade em termos de demanda externa nem tampouco no mercado interno, com a evolução de colheita e pouca disponibilidade de mercadoria. Mercado interno continua forte com as bicas de café de bebida dura para melhor já saindo acima do $1.050 reais e possivelmente, se o mercado abrir a semana inalterado, vamos já ver preços a $1.100 reais.

Setembro é um mês com um volume razoável de entregas futuras. Muitos produtores já se adiantaram e/ou já entregaram ou até aprovaram suas amostras.

Sei que existe um gosto amargo devido aos preços e quebras de safras… mas pessoal, essa modalidade já trouxe também anos de muito bons resultados ao produtor, e temos que entender também que as empresas correm um risco razoável, e tem seus custos de hedge para que o produtor possa ter essa opção de comercialização. Volto a frisar que em uma situação de possível inadimplência, a melhor solução sempre será a negociação, desde que partindo de uma base de honestidade e transparência. Não havendo isto, as empresas tem o dever com os acionistas, e o direito de exercer a via jurídica.

Fretes marítimos e containers: uma das maiores casas de despachos aduaneiros de Santos, a ACS, indicou recorde de atrasos nos embarques de Agosto, e que a mesma situação estará acontecendo em Setembro e Outubro. Segundo o Sócio Diretor da empresa Carlos Santos, nem mesmo tendo um contrato vigente hoje, é uma grande vantagem, já que os armadores estão rolando estes contratos para o próximo mês. Segundo Carlos Santos a situação ainda vai piorar em Setembro (já sem espaço nenhum para novas reservas) e Outubro ainda sob o efeito dominó da parada de uma semana no segundo maior terminal Chinês.

Boa semana a todos!!!

Joseph Junqueira de M. Reiner*

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.

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