O mercado fechou na ultima sexta-feira em 159,80 centavos base Setembro, basicamente inalterado frente a sexta retrasada. Do ponto de vista técnico nenhuma grande surpresa.

Naturalmente o último relatório sobre as posições em bolsa, mostrou um significativo aumento das posições vendidas dos fundos. Houve pouca mudança na posição dos estoques certificados, e também pouca mudança nos níveis dos diferenciais das diferentes origens do Arábica. Os diferenciais Brasil e o enfraquecimento da estrutura em NY mostram que a foto hoje não é de preocupação com oferta de Arábica.
A visão muda para o Robusta, com um movimento forte no Setembro com 111 USD/TON de alta e uma forte inversão contra o Dezembro.

Com a estrutura invertida, diferenciais firmes, redução nos estoques certificados notícias de safra menor no Vietnam (e até no Brasil), a arbitragem voltou a bater nos 40 centavos. Em que ponto podemos ver uma mudança significativa nos blends, voltando a aumentar o % de Arábica??

Alguns profissionais indicam 40 centavos pode sim ser um ponto de inflexão. Eu já seria mais cauteloso, com a melhoria de qualidade do Robusta ao longo dos anos, e o maquinário da indústria cada vez mais sofisticado, acho que o financeiro ainda fala mais alto para vermos uma virada significativa de mão e transferências de hedge de indústria de volta aso Arábica. De qualquer forma vamos observar como se comporta o Arábica (e a arbitragem esta semana) para ver qual a real tendência.

No macro como falamos, cada semana é uma semana diferente. No meio da semana o dólar deu uma valorizada e parecia poder dar uma alento aos preços em Reais, porém com a passagem da reforma tributária, voltamos novamente para a casa dos $4,85/$4,86. Tivemos novos números de criação de empregos nos USA, com os números criados quase o dobro da expectativa. Um banho de água fria em quem esperava que o FED, mesmo com os recados duros, pudesse manter as taxas atuais.
Vai ser duro não segurarem pelo menos mais 25 pontos. Desde o governo Trump, com a disputa com a China, problemas logísticos na pandemia, incertezas globais, existe uma tendência de reindustrialização nos USA (não diria somente nos USA, mas sim no NAFTA).

Esta inflação de “supply“ muito provavelmente veio para ficar, como também a demanda por mão de obra. Existem núcleos de crescimento muito fortes. Exemplo da Flórida, onde chegam mais de 1.500 pessoas todos os dias para morar. Somente no condado de Miami existe um déficit de 100 motoristas de ônibus para as rede municipal de transporte, e 2.100 vagas em aberto para HORECA (hotéis, restaurantes, cafeterias).
Outro exemplo é o crescimento do Texas-México. Vamos dizer, o quadrilátero Dallas – Houston – San Antônio – Austin (e junto o norte do México) tem talvez o maior crescimento econômico nos USA no momento, que está sendo alimentado pelo gás de turfa que vem da Louisiana, que hoje é o gás mais barato do mundo.

Os tempos dos juros baratos podem estar mais longe do que pensamos, e a turma por lá vai continuar a beber café!!
Esperemos que a arbitragem segure a derrocada.

Boa semana a todos!
Boa sorte aos Ucranianos!

*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.