O mercado fechou sexta-feira em 160,80 centavos base Setembro contra um fechamento de 159,80 centavos sexta-feira retrasada. Basicamente inalterado após um bom fechamento na última sexta-feira, com a estrutura se fortalecendo um pouco novamente com Setembro levemente inverso contra o Dezembro.
Pode dizer que, do ponto de vista de fundamentos e no campo macro, não existiram grandes novidades na semana.
Os fundos continuam com posições líquidas vendidas (nada expressivo), e podemos dizer que a movimentação de sexta-feira foi uma mistura de tomada de resultados e algum posicionamento “seguro morreu de velho“ contra a nova frente fria passando pelo sul do pais. Nada muito diferente na arbitragem contra Londres.
O último relatório do CECAFE mostra dados interessantes no que tange a queda dos volumes exportados para os usuais grandes mercados de cafés do Brasil (USA, Alemanha, Itália, etc, etc…). Como acredito, o relatório corretamente indica, boa parte da queda se deve não a queda de consumo em si, mas em geral a redução dos estoques nos países consumidores. Muito em função do acúmulo devido a riscos logísticos na pandemia, aumento forte dos juros para carrego, inversão do mercado e uma percepção que a safra do Brasil não será um problema.
Também indica o crescimento das exportações para a ÁSIA, apesar de sairmos de uma base bem menor, mas mostra um tendência continua do crescimento do Oriente Médio e Ásia.
A cultura do café cresce, a transição na nova geração do chá para o café também continua, e cresce com uma cultura de coffee shops, cold drinks, ou seja, tendência de qualidade.
O crescimento das exportações para a Colômbia muito em fruto do déficit de cafés para atender o mercado interno. Vai no blend também?? Bem provavel… é bom ou não hein? Bom debate, mas não tenho uma resposta pronta. Muitos aqui são radicalmente contra, outros acreditam que todas as formas de aumentar o market share de nossos cafés, vale!…
Informações do campo dão conta de que a colheita sofreu atraso por conta da chuva na semana. “A colheita seguia no pico, mas uma pequena precipitação esta semana, acabou por atrasar os trabalhos, que retornam com força na próxima semana. Essa chuva, que não se esperava nessa quantidade (entre 5 e 20 mm nas principais regiões do Arábica), deve fazer diminuir o potencial de cafés do tipo “cereja descascado”, acelera queda de frutos e deprecia a questão da qualidade da derriça e varriçao” afirmou Marcos Pimenta, consultor da RR Consultoria Rural.
Esta semana também, o MAPA confirmou ao CNC os juros para uso dos ROs do FUNCAFE: 11%!! Realmente, para quem precisar destes recursos e não levar “na unha“ a questão de controle de custos e foco no resultado, não será um ano fácil (como se algum tenha sido muito fácil)…
O próximo evento que deve ter impacto no mercado realmente deve ser a florada Brasil. O clima não podemos predizer, mas vai se passando a fase mais crítica de frio… El Niño quem sabe… a macroeconomia continua instável, e o spread de juros pode não favorecer uma desvalorização do Real e, se não tivermos uma recuperação dos diferenciais e consequentemente de NY, os preços em Reais podem ainda ficar piores. Uma oração para Londres e a arbitragem…
Boa semana a todos!
Boa sorte aos Ucranianos!
*Joseph Reiner tem 36 anos de mercado em exportação e empresas de varejo. Atuou também no gabinete do Ministro Blairo Maggi e hoje atua em Conselhos, além de ser produtor de café no Sul de Minas.