Em conversas sobre mercado de Robusta no ES nessa semana pude notar um certo desinteresse comercial por parte dos compradores, não que não tenha negócios, eles estão acontecendo, porém o excesso de oferta traz um certo conforto para quem precisa comprar Conilon, sem muita dificuldade.
Já sobre o Arabica o cenário muda, estamos vendo diferenças de R$ 100/200 entre as ofertas de compra e venda, e muita dificuldade em fechar negócio, apesar também de estarem acontecendo. Como mencionei semana passada, produtor já de olho no futuro pensando na safra generosa de 2026 e o preço muito atraente.
Para os que seguram café ainda em estoque, existe uma narrativa muito forte e amplamente divulgada de que o café atingiria preços astronômicos, 3/4/6/11 mil reais por saca. Produtores que estão capitalizados, com vendas em preços bons de 2025, se agarraram nessa narrativa e esperam que se repita a cena de fevereiro de 2025 onde a Bolsa buscou um recorde desconhecido.
Analisando o cenário de 2025 e comparando com o cenário de 2026 vemos que a situação é completamente diferente, a começar pelo dólar que iniciou 2025 a R$ 6,00 e agora em 2026 já estamos próximo de R$ 5,20, toda a precificação do café é montada utilizando o dólar de referência.
Outro detalhe importante, em 2025 tivemos um veranico que castigou a granação da safra vindoura, já em 2026 estamos com chuvas regulares no período crucial de granação do café.
Volume de safra também é um ponto importantíssimo a se atentar, início de 2025 esperava-se uma safra bem menor, início de 2026 há previsões para todos os tamanhos, mas nenhuma pequena o suficiente para prejudicar o abastecimento do mercado interno mais o volume médio de exportações do Brasil.
Nos últimos 6 anos o Brasil exportou em média 42 milhões de sacas por ano e consumiu 21,5 milhões, um total de aproximadamente 63,5 milhões de sacas.
Para uma safra de 2026 estimada em 70/74/78/80 milhões de sacas o superávit de produção ficaria enorme.
Considerar também novas áreas de plantio, se o consumo cresce 2% a.a. nos últimos 40 anos.
Como está o plantio novo? Você produtor plantou mais de 2% da sua área no último ano, ou nos últimos anos?
Para um produtor que tem 50 hectares de café e plantou mais 5ha, já significa um aumento de 10% contra um aumento de consumo de apenas 2%. Obviamente que não nessa proporção, mas pense a nível Brasil todo ou globalmente.
São informações a se considerar pensando no futuro do café, no preço, na relação oferta x demanda, o ritmo de expansão de área costuma ser mais rápido que o crescimento do consumo.
Em 2025 viajei por 40 dias na Austrália, dei aulas de mercado de café em algumas cidades e fiquei impressionado com a quantidade de chineses jovens fazendo intercâmbio ou passeando, adquirindo uma cultura muito forte da Austrália: tomar café.
Esses jovens de 18 a 22 anos voltarão para a Ásia com essa cultura de tomar café e na China por exemplo tudo tem uma proporção gigante pela quantidade de gente, quanto tempo isso irá levar? Uma geração talvez? 25 anos?
Digo isto porque, para o ritmo de consumo crescer na proporção da oferta tem que haver uma mudança geracional de hábito de consumo, como no caso da China que citei.
De qualquer maneira atualmente temos um consumo sólido que cresce consistentemente ano a ano.
Nesta semana vimos o mercado oscilando dentro dos preços médios de R$ 2.200,00 no Arabica e R$ 1.220,00 no Conilon. Bolsa sobe, Bolsa desce e parece que o mercado físico não sai do lugar, mercado bem lateralizado sem novas notícias de impacto para movimentar o mercado.
No relatório de sexta-feira do COT (Commitments of Traders), mostrou que fundos diminuíram posição comprada em 2,5%.
Chuvas continuam bem favoráveis nas regiões produtivas do Brasil.
Dólar sofreu forte queda essa semana, caiu de 5,37 aproximadamente no início da semana para fechar em 5,28. O Real foi favorecido por fluxo de capital entrando em mercados emergentes como o Brasil, inclusive devido a expectativas de que o ciclo de juros elevados no Brasil permaneça mais atrativo em relação ao exterior. Com os investidores ampliando exposição a ativos brasileiros, há pressão de venda sobre o dólar e compra do Real valorizando a moeda. Houve uma onda gigante de investidores entrando na Bolsa brasileira, somente em Janeiro foram 12,3 bilhões de Reais, Ibovespa atingiu 180.000 pontos, mais de 9% de alta em apenas uma semana.
Para o contrato de café de Março (KCH6), ainda há em aberto 67.429 contratos, lembrando que a data limite FND do contrato é dia 19/Fevereiro.
Março fechou sexta-feira em 350,90 c/lb e Maio que será o próximo vencimento fechou em 333,45 c/lb, se fosse hoje temos um spread negativo na rolagem de -1745 pontos (representa aproximadamente uma queda de -R$120,00 por saca).
O diferencial nas exportações tem subido substancialmente, cerca de 1 mês atrás vendíamos 17/18 FC a +12 e atualmente exportadores estão trabalhando ideias entre +35 a +40 devido à dificuldade de originar café Arábica da safra 2025.
Utilizando esse meio para levar uma mensagem a cada produtor do Brasil, sugiro entenderem a Bolsa, diferenciais, spreads, opções e utilizar as ferramentas do mercado financeiro para montarem estratégias de negociações.
Desejo sucesso e uma boa semana para todos, até domingo que vem,
Gustavo Matias
@matiascoffeetrading
*Não é recomendação de compra ou venda.
*Teremos curso de Precificação e Bolsa dia 28 de Janeiro
*Teremos curso de Precificação e Exportação de Café dias 3 e 4 de Fevereiro
*Temos o curso de Hedges e Operações Estruturadas, a agendar, consulte
*Matricule-se pelo 16 99291-2005, diretamente comigo