O mercado fechou esta quinta-feira em 289,60 centavos, base Setembro, contra um fechamento sexta-sexta-feira retrasada em 303,75 centavos. Com o feriado da Independência Americana nesta sexta-feira, o pregão de NY esteve fechado.
E o mercado continuou a testar os suportes. Na quinta-feira chegamos a estar com mais de 10 centavos de baixa, até entrar compras técnicas e indústria, com o mercado se aproximando dos 275 centavos.
Tecnicamente o mercado está bem sobrevendido, e vamos ter um repique provavelmente buscando testar os 304 centavos, porém os volumes devem ser módicos, e o repique temporário.
Nenhuma grande movimentação nos estoques certificados.
Com certeza o último relatório do USDA continua tendo um peso no mercado, pois poucos duvidam do aumento na produção global (ok, ok… ainda falta a florada Brasil) e ainda existem dúvidas sobre se a demanda realmente cresce.
A arbitragem NY & Londres estreitou para perto dos 120 centavos, muito mais em função da queda de NY. Tanto no Arábica como no Robusta, estamos naquele cenário de queda das Bolsas, diferencial estreitando, e o mercado invertido. O inverno Brasil caminha e não existe nenhuma previsão de frentes fortes até o final do mês. Agosto também tem seus riscos com frio, porém começa a sair dos parâmetros dos algoritmos.
A safra Brasil chega perto dos 50% colhida no total. Ainda difícil falar sobre quantidade e qualidade. Desde os problemas na florada, sabíamos que seria um safra difícil de quantificar devido a grande irregularidade.
O mercado sabe que, de qualquer forma, temos uma situação de Arábica apertada, que pode ou não se acentuar de acordo com a demanda e/ou substituições de blends.
Pelo menos a sazonalidade pesa nesta época, com a temperatura em algumas regiões do hemisfério norte atingindo recordes históricos.
O próprio mercado já diz que sabe que está apertado (inverso), porém a perspectiva de melhora futura na oferta é significativa, ou seja, o mercado desliza invertido. Nenhuma supresa, e a próxima florada Brasil, mais do que nunca é a chave.
Saiu o plano Safra. O governo liberou $605 bilhões, dos quais $516 bilhões para a agricultura “empresarial“ e o restante para a agricultura familiar.
Os juros basicamente subiram em quase 3 pontos percentuais, variando entre 8,5 e 14% ao ano. Somente o PRONAF e a Agricultura sustentável (orgânica, etc) terão juros subsidiados entre 2 a 3%, com cerca de $78 bilhões destinados para estas linhas. As linhas específicas de café totalizam $7,2 bilhões, um aumento do total de $5,70 bilhões ao ano passado… já os juros…boa sorte!!
No macro, o número de vagas criadas no EUA surpreendeu em Junho.
O mercado esperava 110 mil vagas, e o total foi de 147 mil vagas, porém quando dissecamos o número, a maioria das vagas foi criada no setor governamental (reversão DOGE??), e no setor privado, a maioria foi na área de saúde.
Em geral, fora estas áreas, a criação de empregos estagnou. A maioria das empresas não está demitindo, mas o ciclo de contratações parou. Interessante notar que a imigração caiu tanto este ano, que o número de pessoas deixando o pais deve ser maior do que o número que entra. Isto pode indicar que o percentual de desempregados pode não aumentar, porém em algum momento vai começar a restringir o crescimento da economia.
Em outra importante notícia, o Congresso americano aprovou o grande pacote orçamentário da Casa Branca. Manteve vários cortes de impostos, aumentou o orçamento da defesa e controle de fronteiras e, segundo especialistas, vai retirar vários suportes na área de saúde a alimentação para famílias menos abastadas. Também segundo especialistas, vai aumentar o deficit americano em mais $4 trilhões de dólares na próxima década. As duas notícias jogaram água fria em quem apostava em um FED mais agressivo no corte de juros; e em contra partida, também jogaram água fria no mercado de ativos voláteis (como commodities) o que também não ajudou nosso mercado de café.
Na questão das tarifas, essa semana o governo anunciou apenas 1 acordo: com Vietnã.
As exportações do Vietnã serão taxadas em 20% e mercadorias que usem o pais apenas como transbordo (ie – China) serão taxadas em 40%. Ou seja, o Robusta Vietnamita ficaria em tese 10% mais caro que o Conilon brasileiro. Isto se compararmos banana com banana… só que o câmbio tem uma forte influência nesta conta, sem contar com a demanda especifica (as exportações de café do Vietnã para os EUA já vinham caindo nos últimos anos).
Entre maquinações de transbordo e formação de estoques, as tarifas até o momento pouco afetou os preços nos EUA.
Dia 9… a data limite está chegando… veremos o que a Casa Branca vai fazer. O FED continua esperando…
Por aqui, o Governo realmente judicializou a questão do IOF. Não é um grande impacto na conta total, mas o Governo ficou animadinho pois segundo eles, ganharam a batalha nas redes sociais. O governo acha que finalmente achou uma bandeira de propaganda (o nós contra eles… sim, de novo… nós quem? Eles quem?) para tentar barrar a queda de popularidade. Podem ter certeza vai ser o lema da campanha.
Estou supreso ainda não ter visto um video do Nikolas derrubando a balela de que o IOF atinge somente os ricos. Como dissemos semana passada, a eleição já começou.
O judiciário realmente não queria essa distração no meio do julgamento do 8 de Janeiro, e nos bastidores procura incentivar um novo acordo entre legislativo e Executivo. Se o Executivo fizer pé firme e dar como favas contadas o apoio do Judiciário, pode ter uma surpresa negativa. A mensagem está sendo dada. O judiciário consegue ser tão ou mais fisiológico que os outros poderes.
Com a chance grande de vitória da direita nas próximas eleições, eles não querem ficar emparedados com o Executivo e o Legislativo contra.
A grande maioria dos Bancos e agências diminuíram a perspectiva do Dólar para o final do ano. A maioria ainda na casa dos R$5,40 e R$5,50, e o mais baixo em R$5,10.
Câmbio é pior que café, tudo muda muito rápido.
A foto no Brasil fica muito pela questão política.
No curto prazo, devemos ter um repique técnico em NY, simplesmente porque o mercado está sobrevendido. No câmbio, temos tarifas por lá, e assunto IOF de cá.
Dólar deve segurar, mas o spread de juros com certeza inibe qualquer puxada.
Ótima semana a todos!
Joseph Reiner