O mercado fechou sexta-feira em 309,35 centavos, base Setembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 284,20 centavos. Mercado nem piscou em testar a base do canal em 275 centavos, e ao contrário, testou os 310 centavos. Uma mistura de compras técnicas, noticias de frio, fluxo de café travado no Brasil, movimento de certificados antes das sanções e Dólar mais fraco… com um bom volume. Os estoques certificados caíram para baixo de 740 mil sacas. As rolagens de posição de Setembro para Dezembro já se adiantam. Com um spread de 7 centavos, a retirada dos certificados e o fluxo Brasil o risco não compensa em esperar muito. A arbitragem NY-Londres continua perto dos 150 centavos. Os diferenciais no Vietnam para o Tipo 2 estão na faixa de +400/430 para embarques Nov/Dec, e +600 para embarques rápidos. Mesmo com 20% de tarifas, a expectativa é que esses cafés se movam mais rápido… apesar dos estoques nas mãos dos comerciais no Vietnam estarem 34% abaixo da média de 5 anos, eles estão 28% acima ano/ano em Julho, e a nova safra ainda promete seus 30 milhões de sacas. Chegaram as tarifas, e até o momento o café brasileiro continua com 50%. Ainda existem muitas discussões sobre o tema e muita pressão no mercado interno americano, para que o café entre nas isenções dos últimos 40%, porém a pressão americana, é obviamente política e não comercial, o que começa a preocupar. Segundo as informações de traders e agentes portuários os negócios e embarques para os EUA estão parados. Enquanto isto a criatividade logística deve começar, como por exemplo o grande aumento de embarques do Vietnã para o México (que ainda negocia as isenções). O que não se sabe é que tipo de penalidades as empresas que re-exportam estes cafés, podem sofrer. Por aqui a turma com certeza está com a caneta na mão estudando maneiras de chegar café nos EUA sem os 50% nas costas… café cru em grão. Este cenário de negócios parados para os EUA não deve durar muito tempo… aliás acredito bem pouco tempo. É preciso entender que estoques altos ou baixos são diretamente relacionados ao montante de capital empatado e ao custo deste capital. Tanto para o trade que não tem muitas vantagens em carregar café em um mercado invertido, como para o torrador que tem seu ciclo de caixa sempre espremido. Não é que os estoques estão baixos… eles estão caros… e não compensa carregar, e por este motivo não deve demorar muito para os negócios voltarem… mesmo se os 50% ficarem.Estoques estão mais baixos em países consumidores em comparação a anos atrás… só que do ponto de vista financeiro, esta é a nova norma. Sobra para o comprador manter a fábrica rodando!! Importante monitorar principalmente os diferenciais Colombianos nas próximas 2/3 semanas. Como dissemos algumas semanas atrás a safra por lá vai ser um pouco maior do que estava sendo noticiado, e, se tem um pessoal capacitado para sempre explorar oportunidades, são eles… No macro, o Dólar sofreu globalmente esta semana. Forte tendência de duas reduções da taxa básica de juros pelo FED, é agora a aposta do mercado. Mesmo com a chegada das tarifas ao longo do semestre nas gôndolas americanas. A ingerência política em dados econômicos (como no caso de dados de empregos) também abalam a confiança de investidores. Os dois últimos leilões de títulos americanos (tanto de 10 como de 30 anos) tiveram demanda fraca, e o Tesouro teve que subir a remuneração para quase 5% nos títulos mais longos. A dívida americana e os juros que recaem sobre ele continuam a preocupar o mercado. Especialistas acreditam que com um corte de juros por lá em Setembro, e a manutenção dos juros por aqui, o Dólar pode testar níveis perto dos R$4,20, porém por aqui o cenário fiscal continua se deteriorando mês a mês. Junho teve arrecadação recorde de tributos e, mesmo assim, outro déficit primário. A briga das tarifas, soberania, etc, etc… deu um respiro mínimo na popularidade do governo (voo de galinha mesmo). Eles vão aumentar as apostas, e ainda piorar mais ainda o cenário fiscal. Outro ponto importante… o mercado precifica Tarcísio como candidato a eleição ano que vem. Fontes próximas ao Governador indicam que cada vez mais ele está em cima do muro, e pode decidir se reeleger em São Paulo. Se ele realmente seguir este caminho, o Dólar vai reagir até entender como ficara o cenário com um novo “candidato“. Uma hora toda essa matemática vai chegar. Conversando com algumas pessoas do mercado nos EUA, a grande dúvida realmente é com a demanda caso as tarifas, principalmente a brasileira, ficarem. A preocupação e realmente na gôndola. Não podemos esquecer que 45% dos trabalhadores americanos ganham menos de $40 mil dólares anuais. Em 2025, a linha de pobreza para uma familia de 4 pessoas nos EUA é de $32 mil dólares anuais. Com os últimos dados de empregos… Ainda no campo do Dólar, a cúpula Putin & Trump (talvez Zelensky) pode trazer algum reforço a moeda americana caso realmente a reunião leve a um cessar fogo, no curto prazo. Veremos. NY se mantendo acima dos 310 vai trazer compras novas e possivelmente testar o nível 325-328 centavos, porém se novamente falhar de fechar acima… Dólar… hoje mais fraco perante o Real podendo testar abaixo dos R$5,40…amanhã olho no FED e tendência dos cortes dos juros. Boa semana a todos! Feliz dia dos Pais !*Joseph Reiner*