O mercado fechou sexta-feira em 303,60 centavos base Setembro, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 286,50 centavos. Mercado conseguiu atingir a resistência de 304 centavos e agora busca consolidar acima dos 310 centavos. Sexta-feira, na alta do dia, chegamos a trabalhar acima da faixa de 310 centavos, porém vendas técnicas levaram a um fechamento um pouco abaixo dos 304 centavos. Mesmo assim a semana foi positiva. Como o mercado esperava, os volumes têm sido módicos, Indústria ainda reticente com a situação macroeconômica (e também micro), e trabalhando reposição com estoques compatíveis com a situação de consumo e juros. Os estoques certificados tiveram uma leve queda para abaixo de 820 mil sacas. Os hedges de Brasil também não criam um impacto no mercado, mesmo com a colheita avançando em um ritmo muito bom. O mercado é relativamente “travado“. Sobraram os Fundos para adicionar posições, em antecipação ao impacto tarifário. A arbitragem NY & Londres voltou a aumentar fechando em perto de 150 centavos. Nos fundamentos, o mercado interno “caminha“. Existe apetite para todas as qualidades de Arábica, mas não é um apetite voraz. Primeiro que o produtor não está em desespero. Estamos falando de uma safra bastante irregular, com problemas de quebra e qualidade. Do outro lado, o Trade também trabalha com cuidado. Ninguém quer ficar girando estoque nestes níveis de inversão no mercado, e todos muito atentos aos desdobramentos dos impactos no estremecimento das relações EUA & Brasil. Não resta dúvida que será uma safra difícil… o quão dificil vai depender muito do que estará no “pé“ ano que vem, porém não vejo como a inversão se desenrolar no medio prazo. A Bolsa sinaliza… situação de estoques ainda requer extremo cuidado vis a vis próxima florada Brasil. Exportamos neste ano safra encerrado, 45 milhões de sacas. Um número expressivo, que não vai se repetir nesta nova safra. Quanto vamos exportar este ano eu não sei, porque não consigo quantificar o tamanho da safra sendo colhida de Arábica, mas se usarmos a média de 38 milhões, dificilmente cheguemos a 40 milhões exportados. A arbitragem NY&Londres tem que começar a fechar com aumento do uso de Robusta nos blends para aliviar um pouco o Arábica. Até agora a arbitragem NY & Londres não reflete isso. Somente comentando… Para quem acha que a China é a melhor amiga do Brasil, essa semana ela eliminou todas as tarifas sobre a importação de café originário da África. Nada como uma competição saudável. Na questão macroeconômica, não vou aqui ser repetitivo. Tenho certeza que todos acompanham as notícias sobre as possíveis tarifas e o embate entre os EUA e o Brasil. Alguns pontos importantes: no dia 31 de Julho (ou seja, um dia antes de 1° de Agosto), uma Corte Federal americana irá julgar se é constitucional ou não, a Casa Branca impor tarifas baseado no IEEPA (um tipo de ato emergencial). Caso a Corte julgue improcedente, em teoria a Casa Branca tem que suspender as tarifas (e aí podem ser totais ou não pois ela pode julgar apenas em cima da ação em si). Obviamente isto vai acabar na Suprema Corte de lá para um julgamento final, porém isto somente deverá acontecer em Outubro. Por este motivo, vários países estão levando a coisa no “banho maria”… e arriscando que no dia 31 a Corte derrube a base jurídica para as tarifas. Se não der certo, arriscam a levar o percentual total das tarifas, ao invés de ter negociado antes. Outro ponto importante, no caso do Brasil… o problema pode ser maior porque o departamento de comércio abriu um processo formal para investigar práticas comerciais ilícitas do Brasil contra os EUA. Famosas barreiras não tarifárias principalmente. Isto aumenta o espectro para além das tarifas baseadas no IEEPA, e pode levar a novas bases tarifárias e inclusive sanções. Internamente, nosso Presidente ficou todo animadinho com a melhora nas pesquisas após o início do embróglio com Trump. O STF também resolveu escancarar a relação de vez, pois agora precisa de Lula como aliado, sendo ele (STF) o principal alvo politico da Casa Branca. Deram uma banana para o congresso e se abraçaram, com a aprovação do IOF e o veto ao aumento do número de deputados (algo corretíssimo, porém a intenção de Lula foi outra…). Jogo perigoso!! De um lado Lula aumenta o tom da retórica, pois acredita no custo & benefício político-eleitoral da situação. Se o PIB for afetado e a economia não estiver bem, a culpa não é dele… é do Trump. Na visão dele, não tem o que perder. O STF também manda recado, agindo contra o Bolsonarismo, e quando começa a atingir o entorno (ie Tarcisio) também, mostra também que vai endurecer o jogo. Lula ameaça taxar as big techs, e o STF endurecer contra o Bolsonarismo. A carta de Trump recebeu a resposta. Semana passada disse que as ações tarifárias prejudicavam o Agro brasileiro (Bastião contra a quadrilha), e também davam sobrevida ao mísero governo do PT. Após uma semana, continuo com a mesma opinião. Agora… não sei bem se a nossa turma aqui deste lado, tem ideia no que estão se metendo. O primeiro passo pós resposta (big techs/Bolsonarismo) veio com a revogação dos vistos de vários membros do STF, PGR, PF e outros cupinchas. Até aí, tudo bem… nenhum grande impacto a não ser não poder visitar a Disney por um tempo. O problema é que esse pode ser apenas o primeiro passo de uma série de ações, que podem sim, transformar a vida desta turma num inferno. Se chegar no status de “sanções”, acabou cartão de crédito, continha no exterior, conta em Bancos que atuam nos EUA, viagens em empresas americanas ou que tenham participação de capital americano, uso de redes sociais, etc, etc, etc… Se a escalada continuar, a Casa Branca faria um grande favor, se desse uma isenção ao Agro nas tarifas. Infelizmente as chances não são grandes. Tudo isto mal virou noticia nos EUA. O foco lá continua China, e agora as negociações com a Europa.A economia lá continua bem, com 83% da empresas listadas, apresentando melhores resultados do que o esperado no 1° trimestre, pedidos de seguro desemprego em baixa, inflação em ligeira alta em Junho. A Bolsa somente não bateu novo recorde por lá, porque Trump continuou a ameaçar o Presidente do FED (atua como o BC aqui), por ele não abaixar os juros.Não esperemos nada a não ser alta volatilidade nestes dias antes de 31 de Julho / 1° de Agosto. O Dólar até que esta aguentando bem. Já a Bolsa por aqui não resistiu. O fluxo cambial continua misto, também com um spread de juros deste… porém a situação política é tensa, e a atual situação fiscal pode deteriorar ainda mais. Nos parece R$5,50 agora com certeza fortissimo suporte, e boa chances, pelo andar da carruagem, passemos a semana acima dos R$5,60. NY com chances técnicas de voltar acima de 310 cents. Precisamos de um bom fechamento no início da semana. Se ambos acontecerem, bom para os produtores em Real. Diferencial não deve abrir. Boa semana todos!*Joseph Reiner*