O mercado fechou sexta-sexta-feira em 346 centavos, base Setembro, contra sexta-feira retrasada em que fechou em 355,45 centavos.
Mercado ia se assentando lentamente com a safra Brasil engrenando (mesmo com a chuvas)… até sexta-feira de madrugada. Sexta-feira ao longo do dia, o mercado iniciou com uma queda mais expressiva após o reinício do conflito no Oriente Médio, fechando o “gap” deixado abaixo dos 350 centavos, e logo encontrou compras técnicas abaixo deste nível impulsionado também pela puxada no Petróleo e grãos em Chicago. Tecnicamente temos um bom suporte em 334 centavos e uma resistência perto dos 375 centavos. O câmbio deve suportar o mercado.

Os estoques certificados caíram durante a semana e ficaram abaixo das 850 mil sacas, uma queda de quase 50 mil sacas em duas semanas.

Relatório da Cecafe indicou que no período safra Brasil, o pais exportou cerca de 39 milhões de sacas (3,34% menor ano/ano),
Em Maio, as exportações foram 36% menor ano/ano, principalmente pela menor exportação de Conilon.

No macro, o ataque de Israel contra ao Irã acabou ofuscando todas os novos ruídos tarifários da Casa Branca, bem como o aumento dos protestos contra as deportações.
O petróleo subiu quase 10%, e a maioria das commodities também subiram.

O Dólar surpreendentemente se manteve relativamente estável, o que no fundo mostra o quanto a moeda americana ainda está sob pressão.
Israel, apesar do impacto inicial espetacular, dificilmente vai conseguir destruir todo o aparato nuclear secreto do Irã. Também não tem as armas para destruir Fordow, o complexo subterrâneo de enriquecimento de urânio.
Do outro lado, o Irã causa danos a Israel (muito mais psicológicos pela morte de civis e a constante necessidade de fugir para se esconder em abrigos durante a noite), porém militarmente está bastante enfraquecido e o regime teocrático não é exatamente um modelo de popularidade após anos de recessão econômica e opressão religiosa.
Em algum momento Israel não terá mais o que atacar, e pode achar que já atrasou a construção de uma bomba atômica pelo Irã pelo menos por um tempo, e o regime dos Aiatolalá’s também já pode sair desta situação com alguma coisa para mostrar em termos de danos a Israel, antes que a oposição interna comece a se movimentar.

Uma preliminar de um acordo entre a Casa Branca e a China foi acertada na rodada de negociação entre os dois países na última semana. Trump destravou várias exportações de tecnologia para a China e também a volta dos vistos de estudantes, enquanto a China liberava a exportação das terras raras.
Houve também uma nova extensão do prazo para um acordo final. As conversas continuam… e as incertezas.

A semana encerrou no sábado com milhares de protestos nos EUA contra as deportações e o uso de tropas na contenção dos protestos na Califórnia. A turma de deportação ao redor de Trump estava colocando muita pressão para que as deportações aumentassem.
A média estava em cerca de 10 mil/mês, enquanto que na época de Obama chegou a 35 mil/mês (mas aí valia também os deportados já na entrada… o que agora praticamente não temos ninguém nas entradas). Com isto as autoridades começaram a realizar “blitz“ de deportações em locais que imigrantes vão procurar empregos (lojas de departamentos, hotéis, matadouros, etc..)… e aí começou o tumulto.
Em Los Angeles, onde 1/3 da população são imigrantes (legais e ilegais), isto foi faísca em mata seca!…interessante… a notar…
Ontem o governo discretamente ordenou que fossem paralisadas blitz em atividades agrícolas e nos serviços hoteleiros!
Por aqui, continuamos na busca incessante por aumento de impostos. O governo mostra sua falta de noção ao colocar no pacotão novo a taxação de CRIs e CRAs. Foi mexer em dois fortíssimos blocos na Câmara (agro e construção) que obviamente iriam bloquear as medidas. Não vou aqui nem repassar quais seriam as medidas, porque com certeza vão ser derrubadas no Congresso.

Provavelmente, se não tivessem mexido no Agro e no crédito consignado, teriam conseguido algum sucesso no legislativo.

Popularidade continua em baixa… os gastos continuam em alta… e com mais por vir.
A bomba relógio continua ticando…
Em resumo, temos uma nova situação de instabilidade no Oriente Médio, porém o Dólar teria rompido o suporte de R$5,50 não fosse Haddad e Netanyahu.
No curto prazo temos índices de inflação arrefecendo, uma economia resiliente puxada pelo Agro, o BC mantendo uma surpreendente independência, ativos brasileiros ainda atraentes em dólares (este ano cerca de $145 bilhões em aquisições), carry de juros perto dos 10%. No longo prazo sabemos que a bomba fiscal vai estourar…ate lá…

Nos fundamentos, estamos no mesmo ciclo ainda, inverno Brasil e logo após início do ciclo de florada.
Do outro lado, várias grandes empresas ainda estão repassando aumentos de preços no exterior. Alguns países já mostram números de importação mais módicos. A arbitragem NY & Londres é outro indicador de certa oscilação da demanda. Não é so “falta de café“ que gera menores embarques.
Novamente mercado muito instável. O Dólar continua mostrando fraqueza, o que deveria no curto prazo dar certo suporte ao mercado!

Os fundamentos de longo prazo no Arábica passa pelo ciclo inverno – florada Brasil. Em teoria o mercado deveria entrar em compasso de espera….
Porém, basta o Irã fechar o estreito de Ormuz… e…

Boa semana todos!
Joseph Reiner