O mercado fechou sexta-feira em 373,65 centavos base Dezembro, contra sexta-feira retrasada em 386,10 centavos. Existe um bom suporte entre 360-365 centavos, que deve perdurar enquanto não observarmos a tão esperada florada (e as chuvas que deve vir junto).
Os volumes foram módicos, porém a posição comprada é bem alta e em mãos fortes.
Os estoques certificados caíram para baixo das 700 mil sacas.
No macro, os sinais em geral não são muito bons. França e Inglaterra entraram na fila dos endividados crônicos. Com uma dívida enorme, custos de captação altos e governos a beira do colapso, as notas do tesouro francês já ficaram acima das da Grécia.
A dívida francesa antes de Macron era de $2,2 trilhões de Euros, e agora está em $3,3 trilhões de Euros… e com uma economia a beira da UTI.
Macron cortou impostos mas não cortou os gastos sociais que socializam a França. Mesmo com todos os problemas do Dólar, Euro e Libra tem dificuldades de tracionar uma valorização.
O PIB na zona do EURO foi de +0,1% x IT25.
Mesmo a China, depois da demonstração de força com o último desfile militar, também não está lá tão bem. Enquanto o mundo engole as tarifas de Trump, a China ainda está negociando até 10 de Novembro. Ninguém mais tem esse poderio, mas não vamos achar por lá tudo está ótimo. Como mostra a gigante construtora chinesa Evergrande que amassa a dívida de 350 bilhões USD, deixou muita gente na mão, e abalou a já descrente população chinesa em continuar consumindo.
O exportar a todo custo vai indo, mas não vai durar enquanto o bilhão de chineses não voltarem a consumir.
A china pode muito, mas não pode tudo. Existe até um certo silêncio de como andam as tratativas nas negociações tarifárias. A China continua mantendo uma postura forte. Deixou até agora os fazendeiros de soja americanos na mão em termos de compras.
Nos EUA, para jogar ainda mais incertezas, uma Corte de apelações decretou que as tarifas impostas por Trump, usando a IEEPA (ato de emergência econômica internacional) é ilegal. A Corte definiu que o governo tem até o dia 10 de Outubro, e se nenhuma outra instância julgar ou o governo não apelar a decisão, as tarifas estarão canceladas.
De imediato, o govermo está levando o tema a Suprema Corte. A teoria diz que com a maioria dos juízes de tendência conservadora e nomeados por Trump, essa mesma Suprema Corte deve reverter a decisão da segunda instância. Caso contrário, o governo pode ter que devolver bilhões de USD de impostos já recolhidos.
Se os importadores de café estavam em ritmo de espera, imagina agora.
Na última sexta-feira, Trump decretou isenção de tarifas para o Ouro e alguns outros metais. Fora isto, delegou ao departamento de Comércio, ações especificas em termos da aplicação de novas isenções. Em teoria, isto novamente causa esperança para o café e outros produtos agrícolas pouco ou nada produzidos nos EUA. O único risco é, que como o próprio departamento de comércio já deixou explícito, o caso do Brasil é político e não comercial. Ou seja, corremos o risco de retirarem as tarifas de todos, menos a nossa.
Apesar de todo o estardalhaço, a aprovação de Trump continua estagnada. 40-41% aprovam sua gestão contra 55% de desaprovação.
Os preços continuam pesando no bolso do americano comum, bem como um desânimo com a economia que não está beneficiando a todos.
Em 1990 um americano, em média, precisava de 3x o seu rendimento bruto para comprar uma casa. Hoje passa de 5x.
Em 1980, a idade média da compra da primeira casa, era de 29 anos; hoje está em 38 anos.
Nos anos 80, a renda média crescia 1,3% (desconta da inflação) em média, e atualmente ela é de -0,3%. Não é a toa, segundo as últimas pesquisas, apenas 25% dos entrevistados sente que sua vida está melhorando.
Já conversamos várias vezes sobre a elasticidade dos preços do café. Atenção ao consumo!
Os dados da economia esta semana mostram um claro esfriamento no mercado de trabalho, com menos postos sendo criados, e os pedidos de auxílio desemprego subindo.
É praticamente certo um corte de pelo menos 25 p.p. na taxa básica de juros por lá. O spread aumenta contra os juros daqui, a mantra continua: difícil o capital especulativo não aproveitar esta oportunidade.
A última tentativa de iniciar uma negociação com o departamento de comércio não vingou frutos. O recado foi claro: as tarifas sobre o Brasil não são comerciais…São políticas. A solução não está em Washington, e sim em Brasília.
Falando em Brasília, o cenário continua misturando o financeiro e o político. O rito de condenação dos envolvidos no 8 de Janeiro continua; porém a imprensa começa cada vez repartir os noticiários com as delações do ex assessor do Juíz acusador, bem como com o assunto do Banco Master que cada vez mais fica complicado.
O governanador Tarcisio sentiu o momento (com certeza ele tem pesquisas de opinião que confirmar a sua competitivade para as próximas eleições), e partiu para Brasília para começar a costurar alguma forma de indulto. É só o início. Muita conversa e muitos acertos ainda estão para acontecer.
O próprio Lula imediatamente liberou R$2,2 bilhões de emendas PIX.
Enquanto na economia…
O ritmo de crescimento econômico no segundo trimestre foi 0,4% do PIB, ante o período anterior. Puxou o número serviços e consumo das famílias, enquanto Agro caiu e indústria cresceu 0,5%.
Os investimentos em produtividade e produção continuam a cair (-2,2%). A soma destinada aos investimentos, a manutenção e modernização e ampliação dos meios de produção, ficou com queda de 2,2%. Manteve o total em 16,8% do PIB.
Qualquer economia emergente que queira manter a economia crescendo de maneira saudável, necessita pelo menos de 20% do PIB em investimentos de produção. É um potencial continuamente sendo jogado fora. E a queda lenta e contínua. E o governo não consegue (ou não quer) entender, é que o crescimento de consumo das famílias somente adiciona a já gigante dívida das famílias brasileiras, e ainda deixa o BC com as mãos semi atadadas para cortar o juros.
A dívida de hoje é o imposto de amanhã. Quem vai pagar a dívida de R$9 trilhões??
O juro alto no Brasil é apenas o reflexo da desarrumação fiscal e falta de um programa de governo moderno e competente.
Aparentemente o governo liberou R$20 bilhões para renegociação de dívidas de produtores afetados nos últimos 5 anos por intempéries climáticas. Não tenho os detalhes, mas pode vir em ótima hora até para aqueles cafeicultores ainda carregam dívidas da geada de 2021.
Bom, todos nós sabemos que o último balanço do BB foi muito afetado pela inadimplência do Agro. Muitas vezes o próprio Banco é culpado por facilitar empréstimos para quem não teria a mínima condição te ter recebido, e muitas vezes o judiciário virou um balcão de negócios para liberar RJs.
Interessante é que o próprio Ministério da Fazenda apoia o PL 2.925/23, que veio ali escondidinho dentro do PL 3.899/12, que institui a política de estímulo a produção e ao consumo responsável.
Segundo reportagem no “Estado de São Paulo“, o perigo está no artigo 27-g, parágrafo 4, que prevê que companhias não são responsáveis pelos danos diretos sofridos pelos investidores em decorrência de infração às informações legais reportadas ao mercado… ie: a isenção de responsabilidade da companhia que frauda o mercado é a economia popular! A responsabilidade é da Diretoria Estatutária. Quer dar um golpe? Vai ficar mais fácil… só contratar um incompetente sem patrimônio. Fiquem atentos a aprovação desta lei.
Mesmo com todo vai e vem e acertos em Brasília, o mercado já entende que o núcleo duro do 8 de janeiro vai ser julgado culpado, porém que algum acordo já está costurado ou em vias de… Você tem que jogar toda uma série de ingredientes (CPI do INSS, Banco Master, PCC com Fintechs, Magnitisky, etc, etc…) para entender que no final o “mecanismo“ prevalece.
O mercado sabe e entende a regra do jogo. A renda fixa e os spread de juros vão dominar o cenário até a eleição começar a realmente ser o foco. Até lá o Dólar deve manter a mediana de R$5,40, repetindo a mesma posição quanto a NY. Os quase 13 centavos de prêmio da posição de Setembro deve estar fechando a conta para cafés com deságio na Bolsa (desde de que não sejam origem Brasil) + o spread de tarifas x tarifa Brasil + custo logístico.
O pessoal vai adiar o que pode de compras Brasil, e enquanto a conta fechar os cafés da Bolsa estarão na lupa e o inverso bastante pressionado para cima. A Colômbia e os Centrais não perdem tempo… os diferenciais apertaram bastante e continua a sair café do mato por lá. Estes cafés mais os Robustas, continuam a suprir a diferença Brasil na oferta e procura global por enquanto. Mas, não tem café sobrando.
Eventualmente a demanda americana vai voltar, descontando uma possível queda de demanda e aumento do Robusta nos blends.
Fontes no Vietnã confirmam a normalidade da safra e a previsão de 30 milhões de sacas. Isto o mercado já está fatorando nos preços atuais, bem como geada, estoques baixos, La Nina etc, etc… O que falta é a florada Brasil junto com o fator clima….
Boa semana a todos!
Joseph Reiner