O mercado fechou esta sexta-feira em 358,05 centavos, base Julho (355,45 base Setembro), contra sexta-feira retrasada em 342,45 centavos. A recuperação durante a semana foi eminentemente técnica, pois o mercado estava sobrevendido, e o câmbio também ajudou.
Eventualmente o mercado vai cobrir o “gap“ abaixo de 350 centavos, porém ainda temos a possibilidade de voltar ao canal de alta, e no médio prazo ainda ir acima dos 400 centavos (por volta de 418 centavos).
Mas realmente teríamos que ter um evento que deixe dúvidas sobre a safra que vai ser colhida ano que vem.
Os estoques certificados tiveram uma boa queda esta semana, voltando para o patamar de 820 mil sacas.
A arbitragem NY & Londres voltou a abrir, chegando acima dos 155 centavos. Continua sendo um desafio entender porque pelo menos a demanda que tinha fugido para o Arábica quando a arbitragem bateu abaixo de 40 centavos, não voltou ainda para o Robusta, com este potencial de ganho.
Os estoques no Japão caíram para 2,21 milhões de sacas, cerca de 11% a menor a/a.
Os estoques europeus ficaram basicamente iguais a/a, com aumentos em Robusta e Lavados e decréscimo nos naturais. As exportações globais em Abril caíram 6,8% a/a… quando o período usado for safra Outubro – Abril a queda é de 4,3%.
Por aqui a colheita segue ritmo normal, apesar de chuvas em algumas regiões durante a semana.
No macro, o Dólar fechou a semana abaixo em R$5,57.
A crise do casal Trump-Musk joga ainda mais luz em um problema que a maioria tenta jogar para debaixo do tapete… que o pacote orçamentário que agora está no Senado, vai aumentar ainda mais o déficit americano. Musk cometeu dois erros: brigou com o homem mais poderoso do mundo, e falou a verdade…
O encontro na próxima semana entre EUA e China também trouxe distensão ao câmbio. Ambos procuram uma saída honrosa para a lambança tarifária.
O Banco Central Europeu cortou novamente a taxa básica de juros com o objetivo de incentivar o mercado europeu face a turbulência tarifária.
O FED americano ainda resiste. Os números da semana da economia americana não mostraram nenhuma supresa.
O mercado de trabalho mostrou levíssima desacelaração, porém ainda é bastante robusto. Um problema agora é que foram tantas demissões nos órgãos que medem a inflação nos EUA, que muitos começam a duvidar do conteúdo estatístico do mesmo. O desvio começa a ser maior do que antes presumido.
Por aqui o governo ainda não apresentou ao Congresso o que fazer com o IOF. Ficou para o início da semana.
Com a popularidade em queda livre, as chances de cortes nas despesas e benesses sociais são mínimas. Vai sobrar algo de um IOF desidratado misturado com desoneração de incentivos e impostos em novas áreas (óleo e gás lideram a corrida dos prováveis impactados). Caso o IOF seja mantido da maneira que está, vamos ter impacto em tudo que necessite transmissão internacional de moeda… o que vai impactar o Agro em todas matérias primas importadas.
As tarifas de juros também serão impactadas. Quando isto atingir as gôndolas, vão novamente colocar a culpa no Agro… A economia vai bem?
Em Abril a inadimplência do FIES bateu recorde histórico, com 61,5% de todos contratos com atraso de pagamentos. São R$116 bilhões de calote (chupa INSS!). Advinha se não vai vir um perdão pré eleitoral? E advinha quem vai pagar a conta???…
Bom pessoal… sem muitas mudanças: Dólar mais fraco e NY lentamente testando suportes. Uma nova alta acima de 400 centavos é possível, mas necessitamos de um catalizador como frio intenso ou lá na frente falta de chuvas no período de florada.
Sem frio e com uma boa florada, o mercado vai continuar testando os suportes, indo abaixo de 300 centavos. Até agora a safra sendo colhida não mostra nenhuma surpresa do era esperado.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner