O mercado fechou sexta-feira em 384,40 centavos base Maio, contra um fechamento sexta-feira retrasada de 373,05 centavos. Mais uma semana de grande volatilidade com volumes módicos.
A ausência de Brasil no carnaval deu espaço para entrada de small caps e specs puxando o mercado, insuflados pelo tema “seca”. Quinta e sexta-feira observamos a realização, insuflados pela possível chegada de chuvas.

Os estoques certificados oscilam dia a dia, porém entre perdas e ganhos diários ainda se mantém perto das 800 mil sacas.
Continuamos no mesmo cenário:
● Quanto o Brasil ainda tem para exportar e abastecer o mercado interno no segundo trimestre??
● Qual o tamanho da próxima safra (agora com possíveis efeitos de altas temperaturas e chuvas abaixo do normal)??
● Qual é a situação do consumo neste semestre??

Os Fundos reduziram suas posições em 6,56%, base 4 Março.
Na questão da demanda, todos observamos várias notícias da briga entre supermercados na Europa & torradores (com prateleiras vazias). Luta difícil, pois as marcas próprias são muito fortes na Europa. Por outro lado, os prestadores de serviços para marcas próprias também não conseguem fugir dos aumentos.
No final os supermercados não vão ter muita saída. Aliás, estas disputas não são exclusivas com o café. Quem já trabalhou com produtos alimentícios em supermercados sabe a dificuldade de repassar qualquer aumento de preços. É o que comentamos sobre a segunda onda de aumentos que está chegando nas prateleiras agora… vamos começar ver os impactos nos relatórios do 1° trimestre.
As gôndolas vão sofrer primeiro, o ticket médio dos coffee shops em segundo. Vamos ver uma flutuação positiva para consumo de cápsulas e afins dentro de casa.
A grande discussão na indústria agora não são estoques (não que não seja importante). A grande discussão é o caixa. Boa parte da cobertura de preços já foi, e os estoques ficam “just in time“ (se faltar para mim, não vai ser só para mim). Juros altos, demanda incerta, risco crédito triplicado. Pé no chão olhando o “bottom line“ e o ciclo de caixa administrado na unha.
Quem fornece para a indústria também não pode fugir desta situação, ainda mais com o mercado invertido.

Segundo a OIC, as exportações mundiais de café totalizaram 10,83 milhões de sacas em janeiro, uma queda de mais de 13% em relação aos 12,49 milhões do mesmo mês do ano passado.
Nos primeiros 4 meses do ano cafeeiro de 2024/25, as exportações mundiais caíram 4,9% para 42,79 milhões, em comparação com 45,01 milhões no mesmo período de 2023/24. Nos últimos 12 meses disponíveis (Fevereiro de 2024 – Janeiro de 2025), as exportações mundiais totalizaram 135,79 milhões de sacas, acima dos 128,04 milhões no período equivalente anterior.
As remessas de Arábica aumentaram acentuadamente para 85,7 milhões (+12,3%), enquanto os volumes de Robusta caíram 3,1%, para 50,09 milhões. Ou seja, oscilações normais, e volumes ainda sustentáveis.

O Brasil em Fevereiro, exportou 2,8 milhões de sacas, uma diminuição de quase 20% a/a. A Colômbia exportou a mais, e a previsão é agora de uma safra de 13 milhões de sacas.
No Vietnam, a procura no interno aumentou, e os diferenciais estreitaram novamente. O Grade 2 oferecido a level Londres.
Locais indicam que cerca de 42/43% ainda não está comercializada, e os estoques visíveis aumentaram 34% & janeiro e 7,8% a/a. Voltaram agora a uma média normal. Florada e chuvas também dentro da média normal.

Já no Brasil, as notícias do campo, são nada animadoras, com grande preocupação com a “granação” dos frutos, frente à falta de chuvas. “Estamos temerosos ao observar um certo percentual de grãos chochos nesse momento. Não quantificamos ainda, mas observa-se em maior quantidade que em anos anteriores. Problema é a falta de chuvas à mais de 25 dias na maioria das regiões, aliado à altas temperaturas. Não fosse a granação estar mais adiantada esse ano, poderíamos ter problemas semelhantes ao ano de 2014″, disse Régis Ricco, da RR Consultoria Rural.

Macro/Dólar. Única previsão: vai ser imprevisível. É de atordoar… entra tarifa… sai tarifa. Trump assina… Cortes derrubam. Apesar de contar ainda com popularidade, e ainda com o benefício da dúvida por estar a pouco tempo no cargo, muitos começam a ficar bastante preocupados com o andamento da economia americana.
Apesar da resiliência, vários indices começam a esfriar sem que os preços em geral também esfriem. O FED continua em compasso de espera para baixar ou não mais os juros (o BCE reduziu mais 25 pontos na Europa). Duas coisas Trump sempre olha após uma tomada de decisão: a Bolsa de valores, e o leilão de Notas de 10 anos. Ambos deram um recado bem negativo após a nova rodada de tarifas (parte revogadas com México e Canadá).
De um modo geral temos resiliência inflacionária e sinais de esfriamento na economia. Impacto de curto e médio prazo poderá ser bem negativo, enquanto o mix de cortes de gastos pelo DOGE, transferência industrial como efeito de tarifas, e novos cortes de impostos terão possíveis efeitos positivos de médio a longo prazo. Veremos quanto o Dólar aguenta.
Segundo especialistas, uma possível medida do Federal Reserve para flexibilizar as regulamentações de capital para Bancos dos EUA, permitiria que eles mantivessem mais títulos do Tesouro, desencadeou uma torrente de ampliadores de spread de swap no mercado de títulos.
Essas são apostas que aumentam a demanda por títulos do Tesouro dos EUA, o que empurrará seus rendimentos para baixo e para mais perto daqueles de uma classe concorrente de ativos sem risco, chamados swaps de taxa de juros.
Analistas disseram que essa negociação já foi bem-sucedida este ano. Se os fatores levarem a um esfriamento da economia americana este fato terá apenas um impacto módico na queda das taxas, mas de qualquer forma, é outro dado positivo para entrada de capital no Brasil via arbitragem de juros.

E por aqui: o que podemos fazer para ajudar o Dólar? Primeiro foi colocar a Gleise na coordenação política para fritar o Haddad e continuar mandando ver no cheque especial. Segundo, passou a bola para o Alckmin negociar possíveis tarifas com o EUA, bem como o plano/negociações para reduzir custos dos alimentos. Com excessão da redução da base de ICMS, o resto é basicamente inócuo.
E já advertiu: “se isto não funcionar, irá tomar medidas drásticas”. E aí, nada como alienar a FPA para ver tudo emperrar no congresso. É genial a estratégia. O único alento é a continua erosão da popularidade de Lula, e a pressão em Tarcisio começa a aumentar. Mas tem muita água ainda para passar debaixo da ponte ate 2026.

No café o potencial de quedas maiores com o cenário atual não é muito grande. Uma queda maior de demanda so será vista daqui a dois meses pelo menos, e uma possível safra Brasil maior que as previstas só mesmo no segundo semestre. E no meio de tudo ainda temos um inverno.

O câmbio vai ajudar? Ele até pode ser um freio de uma subida mais forte, mas não acredito que seja um fator determinante para puxar o mercado para baixo.
Com todas as variáveis citadas, café tem até certo ponto sua dinâmica própria. Liquidação em massa de Fundos? Para alocar aonde? Só se for em ações da industria bélica alemã!

Boa semana a todos!
Joseph Reiner