O mercado fechou na última sexta-feira em 387,75 centavos base Julho, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 385,40. Mercado lateralizou e com volumes apenas módicos. Podemos dizer que a semana foi de poucas novidades.
Os estoques certificados praticamente inalterados, da mesma maneira as posições liquidas dos Fundos.
A colheita se inicia. Um pouco mais adiantada no Conilon do que no Arábica (entre 1 e 2%). Da mesma forma que observamos floradas e “pegamentos” irregulares, o mesmo ocorre neste início de colheita.
Muita informação sobre rendas abaixo do esperado, porém por outro lado, muitos produtores informando que a renda e peneira estão vindo melhor. Região por região… calor, volume de chuva, tratos… tudo impacta agora.
Temos ainda de 30-45 dias para ter uma boa noção estatitisca “do todo“.
Temos visto alguns relatórios de estimativa de safra, aumentando marginalmente seus números, principalmente no Conilon.
No Arábica, de 37 a 45 milhões de sacas não é exatamente a questão principal. São números relativamente “apertados“ que dão sustentação ao mercado, caso não vejamos um aumento importante no uso de Robusta nos blends (isso globalmente). E isso, aparentemente ainda não esta acontecendo. O maior volume de Robusta vamos observar no maior consumo de café solúvel (principalmente na Europa e Ásia) onde o preço por xícara é muito mais competitivo.
No Arábica, olhando a precificação futura, a questão vai ser a qualidade da próxima florada. Uma boa florada espelhando uma produção de 55 milhões de sacas de Arábica torna uma safra atual de 40 milhões administrável, em termos de estoques finais.
Por outro lado, outra florada irregular como do ano passado, torna outra safra de 40-45 milhões de sacas algo mais bem mais difícil em termos dos estoques de passagem.
O copo vem ficando mais vazio ano a ano. Para exportar o que exportamos nos últimos 24 meses, com certeza tivemos lá atrás uma safra muito acima do que foi registrado no Arábica. Esse saldo está minguando. 2 milhões da Colômbia, 500 mil sacas de Honduras, etc não vão ser suficientes para equilibrar o saldo negativo.
E para suportar o crescimento orgânico da demanda global nos próximos anos, somente o Brasil tem a estrutura e a capacidade geográfica para suprir essa demanda.
Mesmo o mercado lateralizando no momento, difícil prever uma liquidação de posições no período de inverno e até o início do ciclo de florada no Brasil.
Tirando um problema de frio, daqui a 3 ou 4 meses veremos o mercado olhar novamente para os 450 centavos, ou os 275… o mercado atingiu a alta histórica com o receio que secas no Brasil e Vietnã afetassem o fornecimento global de café. Até agora não faltou café. De Setembro em diante…
No macro, também uma semana relativamente mais calma. O Dólar continua trabalhando com suporte nos R$5,60. No início da semana tivemos notícias que a OPEP irá aumentar a produção de Petróleo para contrabalancear uma possível recessão global, o que deu certo suporte ao Dólar acima de R$5,70. Mas no decorrer da semana, as posições mais maleáveis da Casa Branca quanto as tarifas acalmaram o mercado.
Um acordo limitado com o Reino Unido e o início das negociações em alto nível com a China voltaram a acalmar a moeda americana.
O volume de chegada de navios na costa oeste americana caiu pela metade. É questão de poucas semanas para começarmos a ver desabastecimento de alguns itens nas prateleiras americanas. Mas será o suficiente para a mídia fazer o estardalhaço??
Do outro lado, apesar da China ter conseguido meio que equilibrar as quedas nas vendas para os EUA nos últimos dois meses, com envio de mercadorias para outros destinos, os novos pedidos a partir de Abril caíram pela metade. Ambos os lados tem a necessidade de chegarem a um acordo.
Não houve surpresas na “super quarta“. O FED manteve a taxa de juros, citando ainda receios quanto ao impacto inflacionário da política fiscal tarifária, e o BC por aqui aumentou a taxa básica em 0,5%, ainda indicando um viés de preocupação com a inflação. O spread de juros e o valor “relativamente baixo“ de alguns ativos por aqui ainda indicam um saldo positivo de entrada de dólares. Por enquanto.
Com a indefinição do plano safra e a taxa de juros, não é supresa produtores pretenderem vender um bom percentual da safra nos preços atuais (claro… sempre guardando aquele saldo para um “pós florada”).
As cotações do Dólar no momento não indicam uma possível explosão de preços de adubos e defensivos. Nao é toda safra que, na média, conseguimos pagar colheita, adubos, e ainda sobrar um saldo para aplicar nos juros atuais (ou deixar na tulha), sem ter que depender de juros de Bancos, mesmo de ROs.
Feliz DIA DAS MÃES!!!!!
Boa semana a todos!!
Joseph Reiner