O mercado fechou sexta-feira em 396,85 centavos base Dezembro, contra sexta-feira retrasada em 373,65. Mercado beirando os 400 centavos.
Os estoques certificados continuam a ser os Arábicas mais competitivos, e os estoques tendem a continuar caindo enquanto perdurar as tarifas, principalmente sob o café do Brasil.
A pressão no mês presente vai continuar, bem como os spreads malucos entre os meses presente e futuro.
Estamos em mercado ditado pelo “pronto“ (spot).
Os torradores trabalham sob a ótica dos estoques mínimos , com as incertezas das tarifas, reação da demanda, e custo do capital.
O trade não consegue fazer milagre com um inverso de mais de 10 centavos entre os meses (puxado pelos estoques certificados).
O produtor razoavelmente capitalizado, com uma safra com quebra de renda, e com paciência para vender. Ou seja, temos um mercado com demanda errática, e vendas mais ainda.
O trade não se atreve a vender futuro. Tenta comprar no mercado interno contra meses futuros para fugir do inverso… só que com o desconto, o produtor não vende.
Os diferenciais no “pronto“ são até atrativos… conversando com um exportador de 1ª linha esta semana: posso vender grinders de 60-70 abaixo e não acho comprador. Segundo um experiente trader: o Brasil não tem qualidade ou quantidade para certificar café exatamente no meio do que deveria ser a “pressão de safra brasileira“. As tarifas de Trump turbinaram o problema! Isto porque ainda vamos ter o impacto da EUDR nos certificados!
O spread entre NY e Londres segue subindo, chegando aos 190 centavos. O diferencial do Vietnam cedeu mais um pouco e já esta em +120 para a safra nova, começando a ter paridade com Conilon. Exportadores de lá indicam que não existe grande procura para a safra nova… e os diferenciais tendem a ceder mais.
As exportações de Agosto não mostraram nenhuma supresa. Queda de embarques para os EUA, maiores volumes para México e Colômbia, e um “empurrão“ no final do mês para começar a destravar embarques atrasados. Negócios novos mesmo, com certeza foram abaixo do total reportado.
No macro, as notícias da semana continuaram a indicar uma economia americana esfriando.
Pela primeira vez em 4 anos, o número de trabalhadores procurando emprego, supera o número oficial de vagas ofertadas. O número de vagas temporárias aumentou em mais de 20% em comparação a vagas em tempo integral. O mercado de trabalho congelou.
O índice CPI de inflação veio um pouco acima do esperado, porém não deve afetar a quase certa decisão do FED em derrubar a taxa básica de juros em 0,25 p.p. (alguns apostam até 0,50 p.p.). Apenas ressaltando o que temos conversado, que o spread de juros entre lá e aqui é muito bom para que o fluxo de capital mantenha o Dólar sobre pressão aqui.
Por aqui com o assunto julgamento Bolsonaro decidido, passamos a próxima fase das negociações. Quando e como passar o bastão político para Tarcísio?… e qual será a reação dos EUA a condenação de Bolsonaro?
As últimas pesquisas da semana mostram a confirmação das anteriores: todo barulho rendeu muito pouco para Lula. O governo dele continua tendo uma percepção negativa para a maioria dos entrevistados. Cada pesquisa mostrando Tarcisio competitivo, é uma fonte de pressão sob o Dólar. Os rombos do orçamento e a nefasta política fiscal que teremos até a próxima eleição já são notícias antigas.
Ainda no macro, o governo americano editou uma medida na semana que libera o departamento de comércio a negociar as tarifas impostas em cacau, café, e frutas. Ou seja, o Secretário de Comércio terá a oportunidade de renegociar tarifas destes produtos com países que mostrarem reciprocidade em negociações comerciais.
De um lado podemos observar um governo entendendo a necessidade de equilibrar as tarifas com tendências inflacionárias (esta semana até o Wall Street Journal escreveu uma reportagem sobre os aumentos nos preços do “cafezinho“ por lá) , principalmente de alimentos.
O risco vocês já sabem… nosso problema é político e não comercial. Todo mundo zerando tarifas e nós com 50%… taí o macro turbinando o mês presente em NY !
Nem tudo porém até o momento são notícias preocupantes. Relatório emitido pelo NCA esta semana (baseado em dados coletados em Junho) indica a turma lá ainda não desistiu do cafezinho. Alguns dados do relatório:
- 66% dos americanos relataram ter consumido café no último dia, o que está em linha com o relatório da primavera de 2025 do grupo.
- Ingestão média: Os consumidores de café relataram 2,8 xícaras por dia.
- 85% dos consumidores de café no último dia tomaram café no café da manhã. 82% dos consumidores de café no último dia, tomaram café em casa, enquanto 36% o tomaram para viagem.
- Cafeteiras automáticas de gotejamento lideraram o preparo no último dia (38%), seguidas por cafeteiras individuais (23%). O café pronto para beber (RTD) atingiu 19% no último dia, e o instantâneo está em 17%. Máquinas de café expresso (11%), café do tipo grão à xícara (9%) e café frio (6%) completam a lista.
- 32% dos americanos disseram ter tomado café gelado, congelado/misturado ou com nitro na última semana. Entre esses, o café com infusão a frio (21%), o congelado/misturado (19%) e o com nitro (6%) foram os mais populares.
Café especial continua forte: 57% disseram ter consumido café especial na última semana, o que iguala o recorde de 2023. Adultos mais jovens lideram essa tendência, com 46% dos jovens de 18 a 24 anos afirmando ter consumido um café especial no último dia.
Ou seja, em sua maioria continuam tomando café. Pela manhã. Do modo tradicional e em casa (o que nos leva ao cuidado dos preços na gôndola). As tendências são boas para café gelado, RTD e especiais.
● Dólar: sob pressão tentando se manter perto dos R$5,40.
● NY: temos observado floradas abrindo no ES e ZMM. Demais regiões ainda na espera das águas. Não acredito que clima seja o percussor no mercado até o momento, mas se realmente não tivermos a chuvas necessárias nas próximas semanas, segurem os cintos! A pressão no mês presente e um mercado spot fortemente invertido não vai mudar tão cedo.
A depender da florada e chuvas… vai depender a qual nível…
Boa semana a todos!
Joseph Reiner