O mercado fechou sexta-feira em 365,65 centavos, base Julho, contra o fechamento sexta-feira passada em 387,75 centavos. Rumores de uma safra um pouco maior que o esperado e ao mesmo tempo o inverno Brasil trazem mais volatilidade ao mercado.
Tecnicamente temos testado suportes, os Fundos tem diminuído suas posições compradas o que mostra um mercado começando a ficar cansado. Do ponto de vista dos fundamentos nada mudou realmente. Estamos com estoques comparativamente baixos globalmente e entrando no inverno Brasil e ciclo de florada.

Os estoques certificados novamente sem nenhuma grande mudança, mas devagar vão aumentando, ficando na casa das 850 mil sacas.
A arbitragem contra Londres continua perto dos 140 centavos, e as notícias de Vietnam mostram um desenvolvimento de safra sem problemas, e a Indonésia mostra uma colheita dentro da normalidade.
O volume de Robusta no mercado vai continuar pressionando essa arbitragem, e os estoques certificados de Robusta continuam subindo. Continuo com a opinião que seja a safra de Arábica sendo colhida de 38 ou 43 milhões, a verdadeira relevância fica na próxima florada. O copo está bem vazio, mas de Arábica.

O Brasil exportou, de Janeiro a Abril/25, 13,8 milhões de sacas, cerca de 15% menos no ano a ano (sempre lembrando que o ano passado foi um ano recorde de exportações).
Se olharmos 10 meses são 40 milhões de sacas exportadas, e muito provavelmente vamos fechar acima dos 45 milhões quando fecharmos 12 meses.

No macro, com a popularidade em queda livre após as denúncias do assalto aos aposentados e as constantes vergonhas na viagens ao exterior, o governo prepara um novo “pacote de bondades“. Desde, aumento do bolsa família, aumento do vale gás etc, etc, etc… e o buraco fiscal cresce. A foto no momento mostra resultados até bons das empresas brasileiras no 1° trimestre, uma inflação contida, e uma economia ainda com razoável desempenho.
Normalmente os juros mais altos tem uma “demora“ para atingir os balanços, por esse motivo alguns especialistas esperam balanços mais fracos no 2° trimestre.
O filme cada dia fica mais complicado, o que torna muito difícil a vida do BC em termos de relaxamento das taxas de juros… o que afeta diretamente toda cadeia para o produtor, principalmente café, onde temos um ciclo anual.

A estrutura de incertezas no momento é global, não vai demorar muito, de um jeito ou de outro, para as atenções voltarem novamente para o cenário interno. Bastou os rumores deste pacote de bondade para o Dólar buscar perto dos R$5,70. A viagem a China onde foram “acordados” cerca de $27 bilhões de investimentos Chineses no Brasil, ainda pouco mexeu na estrutura cambial. Entre acordo e entrada de capital existe um espaço grande…como já observamos no passado.

La fora continuamos entre rounds da luta. Os 90 dias da trégua estão indo… do jeito que está, a carga tarifária média de entrada nos EUA saiu de pouco mais de 3% para 18%.

Obviamente alguns setores vão sentir mais que os outros, e alguns importadores conseguem fazer um estoque regulador maior, porém o Walmart (onde 65% dos americanos compram) já anunciou esta semana que não vai conseguir segurar preços de vários itens, tampouco tem como garantir no momento que não vá faltar produtos. O CEO da empresa declarou que o impacto já sera sentido em Junho.

Os últimos dados da economia que mostram a inflação dentro do esperado e sem aumento, e uma atividade econômica ainda saudável, são uma visão do retrovisor. O que está por vir pela frente ainda está repleto de incertezas, o que reflete que o governo ainda está tendo que pagar 4,5% nas notas do tesouro de 10 anos.
Outro fator de impacto nestas taxas, é o “pacotão orçamentário” que está sendo negociado (brigado) no Congresso (ainda sem a união dos Republicanos nos números finais). O pacote mantém os $5 trilhões de dólares de cortes de impostos, e uma redução de $1,5 trilhões na despesas, espalhadas por 10 anos. Seguindo a nossa receita… aumento contínuo do déficit, que nem todos os Republicanos estão aceitando. O fato que a agência de ratings Moody ter rebaixado o rating de crédito dos EUA, de AAA para AA1 na sexta-feira, não vai ajudar em nada o Dólar.

Até agora nenhum grande acordo de tarifas aconteceu. Depois que Trump piscou, o tempo corre contra ele. Até o momento a China ainda não teve que realizar nenhuma grande concessão, e ainda diminuiu a taxa de juros interna e consegue aumentar exportações para outros destinos. Ganha tempo.
As incertezas tarifárias e a disputa orçamentária americana continuam a mostrar uma tendência de Dólar mais fraco.
Apesar do Real ter se valorizado 11% frente a moeda americana este ano, isto mais fruto das lambanças de lá do que das de cá, mas cuidado… não menosprezem a capacidade do nosso governo atual em ser incompetente. De qualquer forma continuo achando o Dólar no médio prazo não tem muito o que subir, e com ganhos reais na faixa de 15% aa aplicando aqui (e muita incerteza do lado de lá) porque não assumir esses ganhos sem muito risco de uma perda cambial. O fluxo cambial deve continuar , no curto/médio prazo, positivo.

Falando em oportunidades cambiais, dado interessante: Apesar de 2024 ter sido o melhor ano de entradas de turistas no Brasil m, cerca de 6,6 milhões de visitantes, isto ainda representa menos de 6% to total de receita do turismo. Para colocar em perspectiva, o México recebeu 45 milhões de visitantes e o Vietnã, sim o Vietnã, 17 milhões de visitantes. Dos 6.6 milhões de visitantes, um pouco mais de 2 milhões foram os Hermanos, 700 mil Americanos (que pode cair agora com a exigência de vistos), e em terceiro lugares os Chilenos com 650 mil visitantes. Em 2025 os números parecem até melhor, nos primeiros 3 meses (aí tem a sazonalidade do Carnaval) 3,7 milhões visitantes estrangeiros nos visitaram. Depois de todo investimento em Olimpíada, Copa do Mundo, etc… os números, apesar da melhora, continuam tímidos. Outra oportunidade perdida.

Do ponto de vista macro um dólar mais fraco deveria dar certo suporte a commodities.
NY tecnicamente mais fraco testando suportes, porém muita água para rolar ainda debaixo da ponte nos próximos 4 meses, porém para quem prefere não depender da correnteza, os preços atuais garantem ainda uma pescaria bem razoável.

Boa semana a todos!
Joseph Reiner