O mercado fechou sexta-feira em 391,40 centavos base Maio, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 374,40 centavos.
Os estoques certificados tiveram uma ligeira queda para 777 mil sacas.
As principais variáveis atingindo o mercado em nada mudaram. A expectativa de menores embarques de Brasil Arábica no segundo trimestre, a situação errática do regime de chuvas podendo ainda comprometer mais a safra 25/26. O próprio USDA já declarou que passaremos em das situações de estoques globais mais baixas dos últimos anos, o que deixa o mercado ainda mais susceptível à intempéries climáticas.
Café existe no mercado. O que não existe é nenhuma pressa no momento por parte dos produtores em vender. Sabem que o trade está trabalhando com pouco estoque, pois fora o problema caixa, cada virada de posição com o mercado invertido é mais prejuízo na certa.
Fora isto, ainda existem “os buracos“ de qualidade. Quem tiver com posições vendidas de peneira alta está, com certeza, em uma posição delicada para originar o que precisa.
Claro… tudo no fim é uma questão de preço de um lado… e caixa do outro.
Dólar/Macro: Nenhuma surpresa nas taxas básicas de juros. O FED americano manteve a taxa entre 4,25 e 4,50 pontos, e a manutenção também foi seguida pelos Bancos centrais da Inglaterra e China, mantendo inalterada também suas taxas básicas.
No Brasil também nenhuma surpresa, com o COPOM aumentando a taxa básica para 14,25%. O viés no Brasil continua sendo de mais um aumento, podendo variar de 14,75% a 15,25% na próxima reunião.
Nos EUA, apesar do discurso cauteloso do presidente do FED, o mercado acredita em pelo menos uma queda da taxa para 2025.
São muitas incertezas, pois a política econômica muda dia a dia. O spread de juros entre lá e aqui chega aos 10%, e as incertezas da política econômica americana incentiva certo risco, e com mais entrada de dólares especulativos por aqui.
A previsão por la é de um PIB de 1,7% em 2025 e inflação na casa de 2,8 a 3,0%.
Os juros altíssimos por aqui com certeza influenciam a capacidade de termos recursos compatíveis com os riscos da agricultura no plano safra.
Toda semana, temos noticias de aumento de inadimplência e recuperações judiciais em vários setores da cadeia agrícola .
O congresso com quase 3 meses de atraso aprovou o orçamento de 2025. Ninguém esperava nada muito diferente… mantiveram os gastos com emendas, deram algumas vitórias aos gastos do governo, e inflaram as receitas. A fórmula inflacionária continua de pé. Outro fator que está no radar do produtor, com a chegada na nova safra, é a situação da segurança. Café nestes preços vai atrair a criminalidade. Claro que contamos com a colaboração do nosso sistema judiciário.
No ano de 2023, mais de 15.200 detentos não voltaram das saidinhas.
O Ministro da Justiça declarou que a razão que mais de 40% das audiências de custodia de presos em flagrante, acabem em soltura, é porque a “policia prende mal“. Se o seu café for roubado… é bem provável porque “você guarda mal“. Apesar de caro, seguro pode valer muito a pena nos preços atuais.
Todo cuidado é pouco. A bandidagem tem medo da polícia, eles não tem medo é da justiça.
O Dólar teve uma leve recuperação nos dois últimos pregões da semana. Infelizmente com volatilidade atual, temos que nos contentar em trabalhar em uma banda bem larga de R$5,40 até R$6,20.
Mercado está sustentado.
Mais e mais notícias vão sair sobre queda maior da safra devido ao forte calor dos últimos 40 dias e a precipitação errática. Temos opiniões divergentes de diferentes agrônomos sob os impactos. Veremos.
Boa semana a todos!!
Joseph Reiner