O mercado fechou sexta-feira em 390,65 centavos, base setembro, contra sexta-feira retrasada em 341,65 centavos (o Dezembro fechou em 378,30 centavos na sexta-feira). Londres volta a bater perto dos 5 mil por tonelada. Uma subida impressionante de mais de 30% nas duas últimas semanas. Os volumes na Bolsa foram muito bons, e quando resistências técnicas vão sendo quebradas, novas ordens de compras iam entrando. Lembrando que o volume de compras “passivas“ de Fundos são bem significativas. Do lado comercial, a situação financeira já não é lá grande coisa. Desde o começo do ano, a captação para o giro, para colateral contra chamadas de margens, é cada vez mais cara e restrita. Você até compra com um diferencial interessante no mercado interno, para que nos próximos dois dias a chamada de margem te estoura o caixa, ou o Banco pede um novo colateral. Se só conseguir vender contra a próxima posição de Bolsa, o inverso te engole todo o bom resultado da compra. Ou vai cowboy (sem hedge) e vende no curto prazo… ou a conta vai ser difícil de fechar. Quanto mais perto do “pico” do mercado chegamos, mais vai faltando “oxigênio“ financeiro. Falta fôlego para as vendas de hedge. Fora isto, sendo Agosto o mês tradicional de férias nos EUA e Europa, muitos torradores estarão voltando para uma realidade de mercado que eles não esperavam. Eventualmente vão ter que voltar ao mercado comprar, e vão ter que trocar posições com Fundos e traders. Mais gasolina no curto prazo no mercado! A motivação é clara: pode faltar café! Você abre os relatórios diários e não pode pensar diferente:1. Numa semana fumaça de incêndios prejudicam colheita na Indonésia… uma semana depois, chuvas torrenciais prejudicam colheita na Indonésia!;2. Vietnam vai ter renda menor, apesar do volume para a época estar quase dentro da normalidade (sim, a média de final de Julho e começo de Agosto, foi um pouco menor);3. Seca… sim! Seca no Brasil já prejudica safra 26/27;4. Geada e granizo já prejudicaram o total da safra Brasil 26/27;5. Safra 25/26 teve quebra na renda;6. Tarifas americanas puxam o mercado; E vai por ai… De fato, fato mesmo, o item 5 acima, é verdade. Apesar de ter sido uma tragédia para quem sofreu com geada e granizo, impossível dizer neste momento quais os impactos na oferta/procura Brasil e global. Tivemos sim quebra de renda nesta safra, em várias áreas produtivas do país. Agora, o quanto isto vai impactar, depende de qual número de safra você está partindo. Quem estava em 45 milhões, agora está em 40 milhões. Quem estava em 40 milhões, agora está em 35/36. Ou seja, pessoas idôneas e bem informadas partem de números diferentes para uma quebra de cerca de 10%. De qualquer forma, é uma safra que muito provavelmente não vai permitir o Brasil exportar mais que 40 milhões de sacas.Vamos olhar o lado da demanda… Na sexta-feira, mercado Dezembro em 378 centavos. No mundo atual tarifado, um café Arábica brasileiro vai chegar no armazém nos EUA acima de US$700,00/saca, e um café Colombiano acima de US$600,00/sacas (e subindo dia a dia). Um Robusta vietnamita chega perto de US$400,00/saca (ainda existe espaço para valorização do Conilon). Você ainda precisa somar a estes números, os custos logísticos. Receber café na Bolsa, segundo informações, não aliviam em nada as tarifas, se estiverem sentadas na Europa. Vai pagar a a tarifa do país de origem se quiserem levar para os EUA. Uma saída é industrializar por lá, e aí sim, pagar tarifa europeia. Eu ouço muitos comentários que café não tem substituto… e não deixa de ser verdade (chá e achocolatados não são exatamente substitutos com os mesmos atributos), porém a teoria econômica é clara: NÃO EXISTE PRODUTO 100% INELÁSTICO! Em algum ponto, a percepção de valor e/ou prazer acaba. Isto somente falando de EUA, onde o impacto visualmente é grande, porém o custo atual na Europa também não é desprezível. Pequenas mudanças de hábitos, em cada segmento e em cada faixa de consumo podem ter um impacto bem razoável na demanda geral. Se cada americano, brasileiro e europeu consumir 250 gramas de café a menos em 1 ano, parte do suposto déficit poderá (repito… poderá) sumir. Não estou querendo aqui ser o “do contra“. Somente trazendo o que pode ser um outro lado da “percepção que vai faltar café“. Café nunca falta: falta dinheiro para comprar ou o prazer de consumir. Espero que o mercado vá a R$ 3 mil ou acima para o produtor. Só quero dizer que pensar em uma estratégia para ir vendendo na escala de alta é algo para o produtor pensar com carinho.No macro, o Dólar que chegou à beirar novamente os R$5,50 durante a semana e fechou sexta-feira pouco acima dos R$5,42. Após a fala do Presidente do FED, é quase certo uma queda de 25 pontos na taxa básica de juros por lá. Vai aumentar ainda mais o spread de juros e incentivar ao capital especulativo ficar por aqui. Por aqui, as notícias da popularidade do governo Lula deu um ânimo ao Dólar (até o FED indicar a queda dos juros). Segundo pesquisa divulgada esta semana, Lula teria 8 pontos de vantagem sobre Tarcísio e 9 pontos sobre Ratinho Júnior. Também na pesquisa, a questão da percepção dos preços dos alimentos melhorou para os eleitores (uma variável muito importante). O cenário para 2026 continua acirrado e o déficit fiscal continua a aumentar. O governo atual vai dobrando a aposta… e o Brasil vai morro abaixo junto. O que também não para de aumentar são as dificuldades de crédito ao produtor. Para o exportador então, nem é bom comentar. E só olhar o último balanço do Banco do Brasil. A gente entra na agência e o gerente sai correndo pela porta dos fundos… outra mantra dos antigões: “cash is king“ (Caixa na mão o torna um rei).Ótima hora para boas compras de fertilizantes e defensivos sem ter que trabalhar para pagar juros muito caros.Boa semana a todos!