O mercado fechou esta ultima sexta-feira em 361 centavos base Julho, contra um fechamento sexta-feira retrasada em 365,65 centavos, sem nenhuma grande supresa, e sem nenhum novo fator que alterasse as expectativas… é o que temos conversado nos últimos relatórios.
Tecnicamente, o mercado continua testando suportes, e isto é um sinal no curto prazo que o mercado esta “cansando“.
Os fundos vem paulatinamente diminuindo a posição comprada, os estoques certificados continuam subindo pausadamente, porém subindo.

O USDA emitiu seu relatório Brasil, onde estima a safra total em 65 milhões de sacas. Diminuiu um pouco o Arábica e aumentou o Conilon/Robusta. Os números caem exatamente na grande média do mercado, com 40 milhões de Arábica e mais ou menos os seus 5%.
Na semana, a ABIC também emitiu relatório mostrando uma queda de cerca de 5% no consumo doméstico brasileiro. Também nenhum supresa considerando os preços médios e a inflação geral de alimentos. 5% a mais na safra de Arábica, 5% na queda de consumo (se permanecer no ano), e temos possibilidade de exportar 45 milhões de sacas.

A arbitragem contra Londres continua na faixa de 140 centavos, e o USDA também previu a próxima safra por lá em torno de 31 milhões de Robusta (apesar de alguma fontes locais colocarem o número um pouco abaixo deste total).
O incentivo para uma maior transição dos blends para Robusta continua muito grande, e não é à toa o consumo de solúvel globalmente vai bem.

Estamos lidando com esta possibilidade, que até agora parece ainda só uma possibilidade (já que a arbitragem pouco se mexe), o que levaria um possível fechamento da arbitragem com a queda do Arábica. Tudo isto… pendente da próxima florada Brasil !! (ok ok… com o inverno no meio).
Pessoal, não podemos desconsiderar que uma boa florada e consequente pagamento, vai fazer o mercado testar vários suportes na direção de 275 centavos (até mais baixo) até o final do ano, e ainda com inversão. Ou seja, cada atraso de venda, é um desconto no caixa.
A outra possibilidade com geadas e secas existem, e sabemos qual será a direção do mercado neste caso, mas vale a pena jogar todas as fichas neste direção, e porque não aproveitar os ótimos precos ainda vigentes, pelo menos como proteção ao custeio da propriedade para a safra 25/26.

No macro, o que eu vou falar… Lembra no relatório da semana passada “não podemos duvidar da incompetência do atual governo”?… Pois é… Mais uma lambança. Para custear o aumento do pacote de bondades visando a eleição do ano que vem, o governo tascou nas costas da classe média (e bem feito para a Nutelada que fez o “L”), um aumento da conta de luz e um aumento no IOF para várias operações em cartões de crédito e transações em moedas.
Obviamente, horas depois com várias ligações do mercado, tiveram que voltar atrás principalmente na questão da tarifação sobre os Fundos de investimentos.
O mais preocupante é que o estrago na política fiscal é tão grande (sem contar no rombo das Estatais), que um relaxamento da política monetária (juros) a médio prazo, se torna muito difícil. Sem contar o aperto nos recursos obrigatórios para custeio, os juros vão continuar muito altos para os produtores.
Diabolicamente, é um golpe muito bem tramado: mesmo com uma possível vitória da centro-direita em 2026, as medidas a serem tomadas serão tão impopulares (mesmo sendo necessárias) que corremos um risco de uma nova reversão em 2030… que faaaase….

Lá fora… o mesmo. A turma vai “levando com a barriga“ as negociações com a Casa Branca sobre tarifas, dentro do prazo de 90 dias. Os aumentos começam a chegar nas prateleiras americanas, e a Casa Branca começa a perder a paciência. O alvo esta semana foi o mercado comum europeu. A ameaça foi de enfiar 50% de tarifas, e que não quer mais negociar.
Depois que piscou algumas vezes, certeza que a turma vai comprar o blefe. O grande pacote orçamentário passou no congresso por apenas 1 voto, e agora segue para o Senado onde a discussão também sera acalorada.
Repetindo, a conta pode adicionar quase 4 trilhões ao déficit nos próximos 10 anos. As Notas de Tesouro de longo prazo, deram uma puxada acima dos 5%, enquanto as de curto prazo pouco se alteraram. No curto prazo o mercado ainda não vê uma alternativa para o Dólar (em volume), porém ao longo prazo a política de mistura de tarifas + possível déficit não está sendo comprada pelo mercado.

O resumo da ópera continua o mesmo. Tirando o trem da alegria local, o Dólar continua com a tendência mais fraca a testar os níveis de R$5,60 novamente. NY tecnicamente cansado e testando suportes. Porém…repetitindo… inverno começando e período de florada ainda lá na frente. Muita água ainda para rolar, porém… tic-tac, tic-tac…

Boa semana a todos!!
Joseph Reiner