O mercado fechou esta semana em 372,60 centavos base Julho, contra um fechamento semana retrasada em 353,60 centavos. Recuperou uma boa parte das perdas da semana anterior, mesmo com volumes módicos. Sem muita venda de Brasil, e a Colômbia somente começando colher sua safrinha daqui mais ou menos duas semanas, não houve na semana curta, grande pressão vendedora.
Os Centrais parecem também já ter feito boa parte de suas vendas.
Os estoques certificados tiveram uma ligeira alta, mas pouco significativa. Mesmo com o leve ajuste na quinta-feira, o mercado encontra bom suporte na base do fechamento de quinta-feira.
O mercado no Vietnam, que na semana retrasada havia apertado no diferencial, esta semana voltou aos níveis de level a +50. Os produtores lá já estão bem vendidos, e no momento não existe pressão no mercado.
Somente uma atenção à Colômbia. Existe uma boa chance da safra por lá surpreender para o lado positivo. Como aqui, lá os exportadores também estão com dificuldade de crédito, e alguns (e cooperativas) ainda sofrem com as “não entregas” das duas últimas safras. Até a Federação, que por lei é obrigada a comprar todo café que produtores entregam eu seus armazéns, está preocupada porque pode não ter caixa suficiente para absorver um volume maior que o esperado.
O diferencial Colombiano começa a ceder, e vai ceder mais ainda. Bem no momento que por aqui vamos estar em transição de safra (e em teoria saindo de baixos estoques).
Alguns negócios saindo para o safra nova, e o ritmo deve começar a aumentar paulatinamente. Esse ano o volume de negócios de entrega futura no físico também está em ritmo mais lento. Um mercado de muita cautela.
Um Dólar mais fraco também deu um leve suporte ao mercado. As declarações do Presidente do FED americano que a política fiscal/tarifária do governo pode levar a situação inflacionária e de diminuição da atividade econômica, mostra que a política monetária por lá pode focar mais no controle da inflação do que exatamente em diminuição de juros para tentar impulsionar a economia.
A entrevista não caiu bem no mercado e, menos ainda a reação do Presidente Trump ameacando demitir o Presidente do FED, como ele sendo o culpado pela situação que se desenrola. Uma estratégia bem conhecida por nós. O Presidente do BC é o culpado.
Segundo a Casa Branca, as quinze principais economias do mundo (Brasil incluso) já estão em negociações com os EUA no caso das tarifas. A China, como comentamos semana passada, deixa a porta aberta, mas ainda não deu o passo para atravessar. A China tem um arsenal para aguentar essa briga no curto e talvez médio prazo, mas o impacto pode atingir mais de 2% do PIB. É de interesse dela chegar a um denominador comum com os EUA. No curto prazo, ela pode esperar, principalmente para entender como será a negociação com outros países e como será o impacto na economia americana, mas no longo prazo, as incertezas são muito grandes.
As notas do tesouro americano continuam a preficicar instabilidade.
Por aqui… bom por aqui as coisas são muito mais transparentes. O nosso Presidente declarou esta semana que realmente vai entregar um país quebrado em 2027. Nada que nos já não sabíamos, mas foi bom ele confirmar. Como também confirmou o PLDO de 2026 apresentado pela equipe econômica esta semana. Para resumir, em 2029 os gastos obrigatórios atingirão 99,5% do orçamento. Ou seja, não sobra nada pra pagar a conta de luz. Como o plano também não explica exatamente como vai arrecadar quase R$118 bilhões a mais que necessita em 2026 (nem como pagar os precatórios), é bem provável que 2029 chegue antes.
Ou o Congresso toma uma atitude séria agora, ou também vai ficar sem nenhum tostão para continuar na farra das despesas discricionárias (despesas livres). Outro dado importante que suporta a teoria da morte lenta, é que os investimentos em bens de capital em 2023 foi de 16,4% do PIB. A média mundial é de 26%.
Não temos como suportar a economia sem os investimentos em produção e produtividade. Para termos noção se o número é tão ruim assim, nós ficamos atrás do Paraguai.
Que justiça seja feira, o Paraguai tem melhorado muito nos últimos anos…varias indústrias brasileiras tem optado por investimentos por lá. A última que li sobre, foi a LUPO com uma grande fábrica novinha.
Também temos boas notícias. O mercado comum europeu flexibilizou as regras da politica de rastreabilidade (EUDR) que teve sua data transferida para grande players, para 31 Dezembro deste ano, e para players menores o meio de 2026. Alguns pontos:
● Grandes empresas podem reusar os dados de rastreabilidade quando os produtos previamente já na EEUU forem re-importados.
● Um representante autorizado pode inserir os dados de rastreabilidade no sistema, em nome de empresas.
● Empresas poderão submeter os documentos específicos anualmente, ao invés de ter que fazê-lo por embarque ou grupo de embarques.
● Simples obrigação de coletar os códigos dos DDS (relatórios das diligências obrigatórias) dos fornecedores, e usar estes mesmos códigos para suas próprias submissões.
Definitivamente avanços!
Também tivemos na semana, a reunião do comitê do CDPC para definição da linhas do FUNCAFE, que ainda precisam do crivo do MAPA para se tornarem oficiais e estarem disponíveis no meio do ano: assim deliberou o comitê: “Comitê Técnico do Conselho Deliberativo da Política do Café (CTCDPC) se reuniu na última terça-feira 15, para deliberar sobre temas fundamentais para a cafeicultura, entre eles a definição dos valores e das linhas a serem operadas pelo Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).
Para a safra 2025/2026, o Funcafé contará com R$ 7,187 Bilhões. Um aumento de 4,37% em comparação com os valores contratados na safra passada, que foi de R$6,868 bilhões.
A distribuição de valores em cada linha seguiu o rateio total do orçamento na mesma proporção utilizada na safra 2024/2025, ficando os recursos alocados da seguinte forma:
● Crédito de Custeio: Até R$ 1,811 Bi para financiar as despesas da produção cafeeira.
● Crédito de Comercialização: Até R$ 2,599 Bi para apoiar a comercialização do café.
● Financiamento para Aquisição de Café (FAC): Até R$ 1,686 Bi para aquisição de café.
● Crédito para Capital de Giro: Até R$ 1,059 Bi destinados às indústrias de café solúvel e de torrefação de café, bem como para cooperativas”
E os juros?…
O macro cenário ainda permanece com o Dólar sobre pressão e o NY com suporte, no curto prazo. Do ponto de vista macro, fora o Dólar sobre pressão, a volatilidade do governo Trump a qualquer momento pode novamente ativar venda de ativos de risco (ie commodities).
Os riscos com o início do inverno Brasil e a próxima florada não foram embora.
O volume de café no Brasil é como um copo de água que vai se esvaziando aos poucos. A sede do consumo cresce, e não temos reposto a água em volume suficiente. O mundo não tem reposto suficiente.
Mas não nos enganemos, estes níveis de preços são um forte incentivo para o crescimento de oferta de outros países, e eventualmente números mais módicos de crescimento de demanda.
Boa semana a todos!
Joseph Reiner